Os erros e acertos do Cruzeiro em 2014

  • por Victor Gandra Quintas
  • 6 Anos atrás
Foto: SuperesportesMG - Marcelo Moreno lamenta desclassificação.

Foto: SuperesportesMG – Marcelo Moreno lamenta desclassificação.

Após a eliminação do Cruzeiro na Taça Libertadores ontem (14/5) diante do San Lorenzo, em pleno Mineirão, ficaram evidentes as diferenças entre o time celeste de 2013 e o deste ano. A primeira delas é, certamente, a forma como o clube trata os campeonatos que disputa.

É inegável que o time de Minas tem o melhor elenco do Brasil. Tem jogadores, se não excepcionais, com alguma qualidade para ser opção segura em todas as posições do campo. Prova disto é o fato de que a equipe considerada reserva conseguiu se manter entre os líderes neste início de Campeonato Brasileiro.

Ou seja, para um torneio longo, cansativo e exigente como é o Brasileirão, o Cruzeiro pode ser o mais preparado do país, tendo peças de reposição para utilizar quando necessário. A Libertadores é diferente. Um torneio de tiro curto exige um time mais compacto, mais resistente e que consiga superar as dificuldades em poucos jogos.

Na América, a regra é clara: quem não ganha o jogo, dificilmente segue em frente. E o Cruzeiro deu sinais de que não respeitaria esta lei desde a primeira partida, diante dos bolivianos do Real Garcilaso, quando não conseguiu manter o placar positivo e sofreu a virada (o episódio de racismo pouco interferiu no resultado). Se no Brasileirão é possível correr atrás do prejuízo e buscar placares melhores nas rodadas seguintes, o formato da Libertadores simplesmente não permite isso.

Outra coisa que ficou evidente na Libertadores é que o fator casa não contribuiu muito para o Cruzeiro. Das cinco partidas ocorridas no Mineirão diante da torcida (com média de público de 40 mil pessoas), o time conseguiu apenas duas vitórias, todas na fase de grupos. O empate contra o Defensor, após ter feito 2 a 0, foi como uma derrota. Na oitavas de final, empatou com o Cerro Porteño (no último minuto) e, na partida da noite passada, acabou desclassificado.

A falta de um camisa 9 eficiente custou caro: O Cruzeiro errou a finalização de jogadas inúmeras vezes. Nem Borges, Marcelo Moreno ou Júlio Baptista foram capazes de se tornar o matador que a torcida tanto desejava. Se em 2013 os meias supriam a ausência desse centroavante, até este momento 2014 não tem sido tão benevolente.

Borges vive no departamento médico e há tempos não joga o futebol que o consagrou no São Paulo. Júlio Baptista até agradou a China Azul no início, mas a sua lentidão e a chamada falta de “cacoete” de matador não permitiram ao atleta render o esperado. Restou ao limitado, mas muito esforçado, Marcelo Moreno garantir a posição. E convenhamos, é pouco pra quem quer ser campeão continental. Vinícius Araújo, peça promissora do elenco, não ganhou sequência e foi negociado com o futebol espanhol. Ironicamente, cogita-se atualmente um empréstimo do jogador para o Cruzeiro.

A diretoria celeste, que tanto acertou no ano passado, errou ao acreditar que somente a vinda do boliviano seria suficiente para suprir as necessidades do clube, mesmo não tendo um atacante da posição se firmando na temporada passada. Os torcedores queriam – e até imploraram – para ter Fred. Não deu!

Somada a isso, há também a queda de qualidade do trio de armadores. Everton Ribeiro demorou a mostrar o futebol que o credenciou como o melhor jogador do Campeonato Brasileiro 2013; Ricardo Goulart viveu de lampejos, e ainda sofreu com contusões; Willian e Dagoberto revezaram na posição de segundo atacante, mas nenhum dos dois mostrou a mesma eficiência de antes.

Foto: superesportesMG

Foto: superesportesMG

Na defesa, se o time ganhou com a chegada de Samúdio na lateral esquerda, passou sufoco nas falhas de Dedé, que parece cada vez mais ansioso e nervoso em campo.

Mas voltemos à partida do dia 14 de maio. Marcelo Oliveira tem se mostrado um grande treinador, acima da média dos que atuam no futebol brasileiro atualmente (o que não é muita coisa, convenhamos). Mas ainda peca em alguns casos. Qual o motivo da mudança entre os volantes? O jovem e promissor Lucas Silva, um dos pilares do time, perdeu a condição de titular no jogo mais importante do ano sem razão aparente, substituído por um Nílton que está com a cabeça na Inter de Milão. E trazer Júlio Baptista para o meio-campo, sabendo que o jogador não rende mais nesta posição e vinha se destacando no ataque, não foi a melhor das escolhas.

Pelo menos o time lutou. Fez um primeiro tempo nervoso, tenso, preso ao excelente esquema de Edgardo Bauza (campeão da Libertadores em 2008, com a LDU do Equador), mas mostrou vontade na segunda etapa, conseguindo o empate e brigando até o final da partida. Era o mínimo que o torcedor queria.

O time do Cruzeiro é franco favorito à conquista do Brasileiro. Ganhou o Estadual de forma decente, deixando o rival para trás – apesar das declarações irônicas do presidente atleticano. Portanto, apesar da fraca Libertadores, o Celeste pode ter um excelente 2014, talvez páreo ao inesquecível 2013.

Colaboração de Alexandre Reis.

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Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).