Para além do Maracanã: O Carioca da Série C

  • por Matheus Mota
  • 7 Anos atrás

No dia 4/05, teve início o Campeonato Carioca da Série C, última divisão do futebol do Rio de Janeiro. Cheia de carisma e peculiaridades, é um prato cheio para quem gosta de futebol.

A competição conta com 23 participantes, que brigam em 3 fases por 4 vagas para a Série B 2015, e tem um modelo de disputa semelhante ao visto nas Olimpíadas (um time deve ter em campo pelo menos seis atletas com menos 23 anos). Clubes novos, como o Gonçalense, não só dividem espaço com corriqueiros participantes das divisões inferiores do estado, exemplo de Heliópolis e Nova Cidade, mas também enfrentam equipes tradicionais no estado, como São Cristóvão (campeão carioca de 26), Campo Grande (campeão da Série B do Brasileiro, em 82) e Serrano de Petrópolis. Opções não faltam para quem quiser escolher um time para torcer.

Para quem não puder ir a um jogo da Copa do Mundo, a Série do C está aí. No período do Mundial da FIFA, a disputa não será interrompida, estando, inclusive, a 1ª rodada da 2ª fase marcada para o mesmo dia da final da Copa. Mas há um porém: o elevado número de WO’s e partidas realizadas com os portões fechados. Só ano passado, foram 58 WO’s, pelos mais variados motivos, especialmente a ausência de ambulâncias e/ou médicos. Muitos estádios estão fechados por não apresentarem condições para abrigar o público, chegando ao ponto de, no Grupo A (Arraial do Cabo, Barcelona, Campo Grande, Itaboraí e Rio São Paulo), apenas o Itaboraí poder receber torcedores. Vale uma visita ao site da FFERJ para conferir quais são os estádios aptos, o que, é claro, não exclui o risco de WO.

Na Série C carioca, não são poucos os clubes que não possuem apoio algum e, como a competição tem pouca exposição na mídia, dificilmente conseguirão patrocinadores. Como já mencionado anteriormente, grande parte dos estádios não está apta para receber público. Se não há dinheiro sequer para montar um time, como pode haver para a reforma de um imóvel? Há estádios que pertencem a prefeituras, mas isso não é necessariamente um um indicativo de regularização. Talvez isso explique o grande número de parcerias no campeonato, casos do Rio São Paulo e do União Central com as prefeituras de Guapimirim e São José do Vale do Rio Preto, respectivamente, permitindo que estas equipes joguem nos estádios destes municípios.

Outro ponto forte da Série C são suas histórias únicas, como, por exemplo, o caso dos gêmeos Diego e Diogo, que ocupam as laterais do Duquecaxiense, e de Elton Bispo, que acumula as funções de treinador dos profissionais, dos juvenis e de presidente do Futuro Bem Próximo. Mas é fato que a história mais conhecida da Terceirona é a do Carapebus, que após ter perdido o patrocinador antes do início da competição, ficou sem condições de arcar com os salários dos atletas e ainda assim conseguiu o acesso em 2011, o que gerou repercussão nacional.

Mais do que acompanhar os primeiros passos de um time na escalada rumo à uma participação inédita na elite ou o ressurgimento de uma equipe tradicional, a Série C carioca nos possibilita um contato único com um lado do futebol que é pouquíssimo visto. Para quem é doente por futebol, vale a pena.

Comentários

Paulista e torcedor do Santo André. Historiador, acompanha o futebol como um todo, mas sobretudo o lado mais alternativo da coisa.