Sorte demais para o azar

  • por Rogério Júnior
  • 7 Anos atrás
Foto:AFP - Fim da linha para o Cruzeiro na Libertadores.

Foto: AFP – Fim da linha para o Cruzeiro na Libertadores.

Quando entrou no gramado verde – e bem cuidado – do Mineirão, nesta quarta-feira sombria em Belo Horizonte, o Cruzeiro, único representante brasileiro vivo na Libertadores, estava prestes a se despedir de um importante aliado no torneio continental deste ano: a sorte.

Anteriormente, o atual campeão brasileiro já estivera muito perto da eliminação precoce por duas vezes na competição. Ainda na fase de grupos, mesmo apontado por muitos como um dos grandes favoritos, necessitou de um triunfo heroico em Santiago, pela quinta rodada, para encaminhar a classificação, até então prevista como tranquila.

O resultado que causou toda a apreensão antes do jogo contra a Universidad de Chile, vencido com gols de Bruno Rodrigo e Samudio, foi um empate em 2×2 diante do Defensor Sporting em pleno Mineirão. Àquela altura, os comandados de Marcelo Oliveira somavam apenas quatro pontos em doze disputados.

Foto: AFP - Noite sombria no Mineirão.

Foto: AFP – Noite sombria no Mineirão.

Foi a primeira aparição da sorte. A vitória em território inimigo sobre os chilenos, concorrentes diretos pela vaga, abriu caminho para o triunfo sobre o Real Garcilaso, na última e derradeira rodada da primeira fase, decretando de vez a classificação do clube celeste às oitavas de final.

No caminho cruzeirense rumo às quartas, estavam o Cerro Porteño, do competente treinador Chiqui Arce, e a grande parceira mineira, a sorte. Ela começou a dar o ar da graça logo no primeiro jogo, no Gigante da Pampulha. Aos 47 minutos do segundo tempo, o lateral Samudio, conterrâneo do time adversário, aproveitou uma bola erguida na área, seguida de um confuso bate e rebate, para empatar o duelo, diminuindo, assim, a agonia de todos os mineiros presentes.

Mais evidente do que nunca, a grande parceira do Cruzeiro apareceu novamente no jogo de volta, na cancha de General Pablo Rojas, em Assunção. Eram jogados 35 minutos da etapa complementar, o zagueiro Bruno Rodrigo já havia sido expulso, a trave do goleiro Fábio já havia sido testada e o placar do estádio permanecia intocável, fatores que implicavam na eliminação cruzeirense.

Jornal Metro

Foto: Jornal Metro – O sonho do tricampeonato continental foi adiado mais uma vez.

Eis que numa bola levantada na área por Everton Ribeiro, a grande arma de Marcelo Oliveira desde os tempos de Coritiba, a dez minutos do fim, o zagueiro Dedé apareceu entre os beques e abriu o placar no Paraguai. Colocou, assim, um sorriso no rosto de cada torcedor embalado pela letra de Rogério Ambrósio, pois mais uma heroica e imortal página estava escrita na história do Cruzeiro Querido.

Mas ela chegou ao fim. A sorte deu adeus ao tão combatido Cruzeiro, que acabou vencido pelos argentinos do São Lorenzo nas quartas de final. Uma derrota simples em Buenos Aires e um empate com sabor de tragédia no Mineirão fizeram com que o sonho do tricampeonato fosse adiado mais uma vez na Toca da Raposa. A lição que fica é que time que se dá ao luxo de deixar jogadores como Ricardo Goulart, Dagoberto e Lucas Silva, importantíssimos na campanha do título brasileiro em 2013, no banco de reservas não pode ceder tanta brecha à sorte. Com o passar do tempo, ela se torna infiel e com traços visíveis de azar.

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Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.