Vamos subir, Coelho!

Por O Futebólogo 

Depois de um mal início de ano, sob o comando do treinador Silas, o América Mineiro encontrou-se. Mesclando a velocidade de jogadores jovens com a cadência dos mais experientes, o time engrenou na Série B, assumindo a liderança com 16 pontos (conquistando cinco vitórias e um empate em seis jogos) e renovando a esperança do torcedor americano, que sonha com o retorno do Decacampeão à elite do futebol brasileiro.

Primeiramente, é necessário ressaltar os méritos do treinador Moacir Júnior. Com vasto currículo no interior de Minas Gerais, nesta temporada, o paulista de Ribeirão Preto chamou a atenção do público mineiro ao dar um nó tático no Atlético em pleno Independência. O placar de 2×0, favorável à equipe de Tombos, cidade interiorana com aproximadamente 10 mil habitantes, além de refletir a dificuldade do Atlético em se adaptar ao estilo de Paulo Autuori (então treinador do Galo), demonstrou a capacidade do treinador interiorano.

Quando assumiu o alviverde de Belo Horizonte, o clube encontrava-se na penúltima colocação do Campeonato Mineiro, com apenas dois pontos em três jogos. Aos poucos, o time, até então desconjuntado e apático, foi ganhando alma e o clube conseguiu terminar a primeira fase em 3º lugar, chegando à fase final do torneio. Entretanto, o Coelho teve o rival Atlético pela frente e não conseguiu batê-lo.

Sob a batuta de Moacir Júnior, na Copa do Brasil, o clube ainda eliminou o Santos-AP e, por pouco, não se superiorizou ao Bahia, sofrendo o gol da desclassificação aos 43 minutos do segundo tempo.

No momento, o time americano conta com dois laterais muito ofensivos, Elsinho e Gilson, e meio-campistas de intensa movimentação, Andrei Girotto, Pablo, Ricardinho e Willians. Todavia, tanta vitalidade tem também seus pontos de estabilização. Jogadores experientes como Leandro Guerreiro, Mancini – artilheiro do Campeonato Mineiro pelo Villa Nova – e Obina funcionam como o esteio da equipe.

Individualmente, os principais destaques são o goleiro Matheus, o volante Andrei Girotto, o meia Tchô (atualmente lesionado) e Obina, que já marcou 10 gols na temporada. Na série B, o folclórico centroavante divide a artilharia do clube com o volante Andrei, ambos autores de três gols.

No momento, a direção do clube avalia uma renovação do elenco, que, para o Campeonato Nacional, se reforçou com o zagueiro André, os volantes Pablo e Thiago Santos, os armadores Mancini e Diney e o rodado atacante Júnior Negão.

Com o acerto do time, o sonho do retorno à Série A é permitido. O público do último jogo, quase 20 mil presentes – recorde do torneio –, mostra que os torcedores estão acreditando. Na última temporada o clube bateu na trave, terminando na nona colocação, apenas três pontos atrás do Figueirense, último promovido. Evidentemente, ainda faltam 32 rodadas, mas a forma do Coelho admite e o torcedor não hesita. Um grito voltou a ser entoado: “vamos subir, Coelho!”

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.