A difícil estreia

croacia

(Foto: Getty Images)

Um dos maiores clichês do futebol diz respeito aos jogos de estreia em Copas do Mundo. Nove em cada dez treinadores possivelmente dirão que o primeiro desafio do torneio é sempre o mais difícil por todos os elementos que o envolvem: a tensão de colocar em prática tudo o que foi treinado na preparação, a ansiedade dos jogadores, a necessidade de começar com vitória para não depender tanto dos outros jogos para se classificar, a recepção da torcida local e outros fatores fazem da estreia um evento singular num Mundial. Contudo, no caso específico da Seleção Brasileira, essa máxima é mais do que verdadeira.

A Croácia, além do simples fato de ser o primeiro adversário, é o rival mais complicado do grupo A. Em recente entrevista publicada no blog do jornalista Paulo Vinícius Coelho, o técnico dos croatas em 1998, o bósnio Miroslav Blazevic, foi enfático ao dizer que seu ex-time não vai perder para o anfitrião. Para tanto, apoia sua opinião na tese de que a Croácia possui o melhor meio-campo da competição. Composto por Modric, Kovacic e Rakitic, é justo dizer que Blazevic apontou o setor que mais se destaca na equipe comandada por Niko Kovac. No entanto, é cedo para classificá-la de forma tão definitiva.

Ao contrário do que se imagina, o amistoso contra a Sérvia não simula o que será encontrado diante da Croácia. Os sérvios, que não estarão na Copa, têm um time mais físico, embora menos talentoso, e isso criou muita dificuldade para os principais criadores do Brasil. No gramado pesado e castigado do Morumbi, enfrentar a fração sérvia da velha Iugoslávia foi muito mais um risco à integridade física dos atletas do que uma antecipação do que será visto na Arena Corinthians.

Com os nomes que possui, espera-se uma Croácia tentando ficar com a bola nos pés. Essa característica pode dar ao Brasil a oportunidade de pôr em prática sua maior qualidade: recuperar a posse no campo de ataque e utilizar a velocidade para chegar ao gol. Por outro lado, podemos ver um adversário capaz de controlar o jogo no meio e criar um desconforto que a Sérvia não foi capaz, gerando um cenário complicado num confronto sediado numa cidade conhecida por sua pouca tolerância com o time canarinho. Mas quem disse que estreia é fácil?

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Fanático por futebol em nível não recomendável. Co-autor do livro “É Tetra! - A conquista que ajudou a mudar o Brasil”.