A estrela, o leão e o quase

  • por Leandro Lainetti
  • 5 Anos atrás

A ESTRELA, O LEÃO E O QUASE

Quando o último verso do hino silenciou nos altos falantes, o que todos esperavam aconteceu. Em uma só voz, assim como na Copa das Confederações, jogadores e torcedores entoaram o restante da canção. Lágrimas de Julio Cesar, dentes trincados de David Luiz, olhos cerrados de Thiago Silva. Cada um a sua maneira, todos os jogadores expuseram uma genuína emoção.

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Entre tantos sentimentos, o primeiro a aflorar foi o nervosismo. Tentando furar o bloqueio defensivo adversário, Daniel Alves inaugurou a primeira avenida do Itaquerão. Olic, como um turista, fez um passeio pela lateral direita até cruzar para a área brasileira. Como se fosse dona do próprio destino, a bola escolheu fugir dos pés de Jelavic e encontrar a canela do croata antes de surpreender Marcelo e colocar uma pitadinha de drama na estreia da Seleção.

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Se o nervosismo ainda pairava no ar, um jogador parecia não se incomodar com a atmosfera que acabara de ser criada: Oscar. O meia atacava a bola como um leão faminto na savana africana ataca suas presas. Cada jogada uma mordida, cada disputa uma batalha intensa. Todas vencidas. E assim a determinação de Oscar resultou em um passe para Neymar. O tapa de esquerda, mais errado do que certo, jogou a bola para o cantinho de Pletikosa, que quase alcançou. Quase.

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Ainda que o gol não tenha incendiado o jogo, serviu para por as equipes em pé de igualdade. Ao menos no placar. Porque apesar de jogar melhor, a Croácia não tinha Neymar. E não, Neymar não jogara bem até o momento, tampouco depois. Mas além de carismático e gênio, o moleque é iluminado. Após a excelente atuação de Fred – de ator, não jogador – coube ao camisa 10 colocar a bola na marca da cal. O tapa de direita, mais errado do que certo, quase fez Pletikosa defender a cobrança. Quase.

Enquanto Pletikosa ia no quase, Julio Cesar ia no com certeza. Pegou com certeza o chute de Modric, e defendeu com certeza o perigoso chute de Perisic, que virou rebote bloqueado por David Luiz, chutão para frente de Marcelo, mais uma briga incessante de Oscar, que virou exemplo para Ramires fazer o mesmo, roubar a bola e deixar nos pés do melhor jogador em campo. Oscar, é claro.

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E se a moda é o “Ensina, Romário!”, sugiro criarmos o “Assina, Romário!”. O atual camisa 11 imitou o antigo em grande estilo: avançou, avançou, avançou e meteu o clássico biquinho no canto. E lá estava ele, Pletikosa, mais uma vez, quase fazendo a defesa. Quase.

Estrela de Neymar, garra de Oscar, grande atuação de Fred, erro de arbitragem, quase três vezes Pletikosa, hino em uníssono. A Copa do Mundo 2014 finalmente chegou, e trouxe ingredientes para todos os gostos. Na mistura de todos eles, deu Brasil.

O primeiro já foi. Faltam seis.

Comentários

Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.