A maldição do melhor do mundo

  • por Raniery Medeiros
  • 7 Anos atrás

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E a Copa do Mundo já chegou, amigo leitor. Dentre tantas curiosidades que circundam o torneio, o Doentes por Futebol lembrou de um fato curioso: a maldição do melhor do mundo. Nenhum atleta que chegou com o título de melhor jogador do mundo (FIFA) ergueu a taça. O que aconteceu para que esse infortúnio atrapalhasse a vida dos craques? Será que a maldição terá um fim em 2014? Vejamos o que aconteceu de 1994 para cá.


1994: Roberto Baggio (Juventus/Itália) – 27 anos

Foto: Reprodução

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Ainda sentindo um leve incômodo na parte posterior da coxa, Baggio foi para o mundial com bastante confiança. Após fracas apresentações durante a primeira fase do torneio – assim como todo o time -, torcedores e jornalistas começaram a pedir para que Arrigo Sacchi (treinador) o colocasse no banco de reservas. Parece que isso fez Baggio despertar e chamar a responsabilidade para si.

Nas fases mais agudas, quando os grandes jogadores não devem se esconder, Baggio começou a decidir os jogos, sob um sol que dizimou fisicamente as equipes. Contra a Nigéria, gol de empate aos 88 minutos; para tirar a Itália do buraco, também marcou o da vitória, na prorrogação. Nas quartas, contra a Espanha, com o placar em 1×1, salvou a Azzurra, quando fez o tento da classificação, já no fim da partida. Contra a Bulgária, mais dois gols e a vaga na final.

Todos já conhecem a história da decisão. Baggio ficará marcado para sempre pelo pênalti que deu o Tetra ao Brasil. Foi decisivo nos momentos cruciais, mas não ergueu a taça.

1998: Ronaldo (Internazionale/Brasil) – 21 anos

 

Foto: Reprodução

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Grande estrela do Mundial, Ronaldo atravessava um bom momento na seleção e na Inter, onde sua média de gols era de assustar qualquer defensor. Mesmo sem Romário, seu parceiro de ataque que fora cortado alguns dias antes da Copa, o camisa 9 era visto como o cara que levaria o time nas costas rumo ao Penta. Não foi o que aconteceu, pelo menos naquela oportunidade.

Tímido na primeira fase, Ronaldo parece ter sentido todo o peso sobre ele colocado por torcedores, imprensa e até mesmo colegas de time. Sua grande exibição ocorreu nas oitavas, quando fez dois gols contra o Chile. Foi discreto contra a Dinamarca e viu Rivaldo brilhar. Seu faro de gol voltou a aparecer diante da Holanda, no jogo mais dramático da Copa, que só foi decidido nos pênaltis. A grande final, cercada de grandes polêmicas por causa do problema que o craque teve horas antes da partida, mostrou um Ronaldo abatido, sem explosão e desnorteado.

2002: Luís Figo (Real Madrid/Portugal) – 29 anos

 

Foto: AFP

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O português chegou como o melhor do mundo, campeão da Champions League e, assim como Baggio, com um leve incômodo muscular. A geração de ouro portuguesa, que havia feito uma boa Eurocopa em 2000, depositou suas fichas no camisa 7.

Assim como Argentina e França, a seleção de Portugal também foi eliminada na primeira fase. Figo esteve muito aquém das boas expectativas que nele foram colocadas. Fez apenas jogos discretos, e na partida decisiva, contra a Coréia, não conseguiu produzir muita coisa. Foi o único, dentre os que chegaram ao mundial como o melhor do mundo, a ser eliminado ainda na fase inicial do torneio.

2006: Ronaldinho Gaúcho (Barcelona/Brasil) – 26 anos

Foto: Fernando Llano/AP

Foto: Fernando Llano/AP

Ronaldinho foi ao mundial no auge da forma física e técnica. Assim como Figo, acabara de ser campeão da Champions League. Nenhum brasileiro, em sã consciência, acreditava em um péssimo rendimento do R10. No entanto, foi o que aconteceu. Limitou-se a fazer algumas boas jogadas durante a competição. Teve alguns lampejos de atuações no Barça, em partidas contra a Austrália e Gana. Mas quando o time foi cercado, sem opções de jogo, contra a França, só assustou em uma cobrança de falta, já no fim da partida. O melhor do mundo viu Zidane dar uma aula de futebol naquele primeiro dia de julho de 2006.

2010: Lionel Messi (Barcelona/Argentina) – 23 anos

Foto: Reuters

Foto: Reuters

O craque argentino vinha elevando seu futebol com títulos, jogadas monumentais e a incrível arte de encontrar espaços onde parecia não existir. Apesar das limitações táticas de Maradona (treinador), Messi produziu boas coisas para a Argentina durante a Copa. Longe de ser decisivo, mas sendo bastante participativo, não se omitiu durante as partidas. Como não lembrar das fantásticas defesas do goleiro nigeriano Enyeama? Contra a Coréia e Grécia, acertou bolas na trave que resultaram em rebotes para os gols dos companheiros. Nada pôde fazer contra a Alemanha, quando o time tomou um chocolate. A maldição do melhor do mundo continua.

2014: Cristiano Ronaldo (Real Madrid/Portugal) – 29 anos

Foto: Reprodução

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Campeão da Copa do Rei e da Champions League – sendo o maior recordista de gols em uma mesma edição -, Ronaldo chega ao Brasil com alguns problemas físicos, mas com o status de grande goleador e jogador decisivo. Não se sabe ao certo qual Cristiano será visto nos gramados tupiniquins. Carregou o time nas costas rumo ao mundial. Sabemos que Portugal não está entre as favoritas, mas não se pode duvidar de um grande craque. A grande interrogação, como frisada anteriormente, encontra-se em seu estado físico. Será ele capaz de quebrar essa maldição?

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