As voltas do mundo de Fernandinho

Foto: Estadão - Prestes a se tornar titular da Seleção Brasileira, Fernandinho tem uma carreira de idas e voltas

Foto: Estadão – Prestes a se tornar titular da Seleção Brasileira, Fernandinho tem uma carreira de idas e vindas

Por O Futebólogo

Próximo de assumir a titularidade da Seleção Canarinha, onde comandará a contenção com Luiz Gustavo, Fernando Luiz Rosa, o Fernandinho, tem uma trajetória no futebol recheada de grandes mudanças. Extremamente promissor, o meio-campista estreou no Atlético Paranaense em 2003, ainda com 17 anos.

No final do mesmo ano, envergando a camisa da Seleção Brasileira, marcou o gol do título Mundial Sub-20, contra a Espanha. Daquela geração, esperava-se muito dos talentos de Daniel Carvalho, Dudu Cearense, Nilmar e Dagoberto (este seu companheiro de clube), todavia, na hora da decisão, foi a estrela do paranaense de Londrina que brilhou.

Foto: Chris Helgren/ Reuters - Em 2003, Fernandinho marcou o gol do título mundial sub-20

Foto: Chris Helgren/ Reuters – Em 2003, Fernandinho marcou o gol do título mundial sub-20

Em 2004, já consolidado na equipe principal do Furacão e ladeado por Jadson, Washington “Coração Valente” e Dagoberto, Fernandinho viveu as primeiras voltas de sua carreira. Meia-ofensivo de origem, passou a atuar em muitas partidas como lateral direito e foi bem, ajudando a equipe a ser vice-campeã brasileira.

Mas aquele não era o seu lugar, e, em 2005, na bela campanha do clube paranaense na Copa Libertadores da América, já sem Jadson e Washington, vestiu a camisa 10 da equipe e, junto com o meia Fabrício, conduziu o clube à finalíssima. Entretanto, após a derrota para o São Paulo, suas malas já estavam feitas. Logo partiria para a Ucrânia, onde reeditaria a dupla de meio-campo com Jadson.

Foto: Henry Romero/ Reuters - No vice da Libertadores de 2005, Fernandinho foi um dos destaques do Atlético-PR

Foto: Henry Romero/ Reuters – No vice da Libertadores de 2005, Fernandinho foi um dos destaques do Atlético-PR

Na fria nação, aconteceu algo que seria estranho na maior parte dos países. Destaque nas seleções de base, Fernandinho viveu anos de esquecimento no que tange à Seleção. Daquela Seleção Sub-20 de 2003 que muito prometia, ninguém esteve na Copa do Mundo de 2006, e em 2010, apenas Daniel Alves e Nilmar integraram a equipe. Fosse pela fartura de jogadores que o Brasil possui ou simplesmente pela fria em que se metera, o meio-campista estava olvidado. Apesar disso, no clube sua forma só melhorava.

No Shakhtar Donetsk, o meia acumulou muitas conquistas, viveu dias de capitão (nas ausências do croata Darijo Srna) e o mais importante, finalmente encontrou sua melhor posição no campo. O antigo camisa 10 que viveu momentos como lateral direito se transformava ali num jogador moderno, o meio-campista “box-to-box”, o volante que marca e sabe jogar, o construtor de jogo defensivo. Fernandinho vivia ali mais uma volta em sua carreira.

Foto: Chelsea FC - No Shakhtar, Fernandinho se descobriu como volante

Foto: Chelsea FC – No Shakhtar, Fernandinho se descobriu como volante

Já na nova função, após o fracasso da Seleção Brasileira em 2010, o agora volante ganhou algumas chances no escrete verde-amarelo, comandado então por Mano Menezes. Entretanto, fosse porque não se sentisse confortável, pelo mau momento da Seleção, ou pela desconfiança do exigente torcedor brasileiro (que sempre maldiz os jogadores do “submercado” da bola), não foi bem. Não estava pronto.

Se seu momento na Seleção ainda não havia chegado, seu destaque na Ucrânia, que foi dilatado por suas belas performances na UEFA Champions League, não passavam despercebidos pelo resto do mundo e, pela obscena verba de £34 Milhões, deixou Donetsk. Chegara a Hora H, o momento da provação maior. Com muita expectativa, Fernandinho chegou a Manchester, onde defenderia o City e faria um dos melhores duos de meio-campo da temporada. Ao lado do marfinense Yaya Touré, o brasileiro, de forma incrível, se adaptou ao niveladíssimo futebol inglês e, já em sua primeira temporada, conquistou o título da Premier League.

Foto: Reprodução - Com Yaya Touré, Fernandinho formou uma das melhores duplas de volantes do mundo

Foto: Reprodução – Com Yaya Touré, Fernandinho formou uma das melhores duplas de volantes do mundo

Não restam dúvidas de que o jogador tem estrela. Paciente e trabalhador, “forçou” Felipão a levá-lo à Copa do Mundo. Com o futebol que desempenhou, não havia como deixá-lo para trás. E agora, com a má fase de Paulinho, Fernandinho parece ter cavado um lugar na Seleção titular. O excepcional jogo contra Camarões, quando deu ordem ao meio-campo canarinho e marcou um gol, foi o veredito final. Como Kléberson, que ganhou a titularidade da Seleção durante a Copa de 2002, e também foi criado no PSTC de Londrina e maturado no Atlético Paranaense, o volante vive aquela que pode ser a mais gloriosa volta de sua vida. Por isso, com segurança, digo:

– Fernandinho, sua hora chegou.

Foto: Getty Images - Contra Camarões, o 4º gol brasileiro coroou a bela atuação de Fernandinho

Foto: Getty Images – Contra Camarões, o 4º gol brasileiro coroou a bela atuação de Fernandinho

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.