Considerações sobre as seleções Sul-americanas na primeira fase

  • por Gustavo Ribeiro
  • 7 Anos atrás
Foto: urgente24 – Destaque das seleções sul-americanas

Foto: urgente24 – Destaque das seleções sul-americanas

A Copa do Mundo do Mundo teve início com seis seleção sul-americanas. Cinco passaram de fase, a exceção foi o Equador. A atual campanha só não supera as de 1954, 1970, 1978, 1986, 1990 e 2010, em que todas as seleções sudacas que iniciaram a Copa avançaram para a segunda fase.

Outro ponto interessante da participação das seleções sul-americanas aparece quando as comparamos com as seleções europeias. Das 13 seleções do Velho Mundo que iniciaram a Copa, 7 foram eliminadas na fase de grupos. E a balança pende ainda mais para o lado de cá quando se olha para a história e se nota que nenhuma seleção do continente europeu venceu uma Copa na América do Sul.

Dito isso, resolvemos analisar a participação das seleções sul-americanas na primeira fase do Mundial, analisando os pontos negativos e positivos de todas até aqui:

Argentina

Nos três jogos da primeira fase, a Argentina marcou seis gols, sendo que quatro foram de Messi. A Albiceleste não convenceu em um grupo relativamente fácil, e dependeu muito de seu melhor jogador para avançar às oitavas de final. Na próxima fase, a Argentina enfrenta a Suíça no Itaquerão, em São Paulo.

Na estreia contra a Bósnia, Alejandro Sabella apostou no 5-3-2, visando melhorar a defesa contra o badalado sistema ofensivo adversário. Com a bola, os laterais Zabaleta e Rojas viravam alas e o time atuava no 3-4-3. Com tantas modificações, o time teve dificuldades, deixando várias preocupações. Nos dois jogos seguintes, contra Irã e Nigéria, Sabella voltou ao 4-3-1-2 e o time melhorou com as entradas de Fernando Gago e Higuaín, mas ainda assim precisou de Messi para vencer e assegurar a classificação.

A classificação não veio acompanhada de alívio: após a vitória de 3×2 sobre a Nigéria, foi confirmado o corte Agüero por uma lesão grau na 1 na coxa esquerda.

Com os 100% de aproveitamento na fase de grupos, a Argentina iguala as campanhas de 1930 no Uruguai, 1998 na França e 2010 na África do Sul. O grande destaque da seleção até aqui, claro, é Messi. A Pulga tem quatro gols em três jogos seguidos nesta Copa do Mundo, e, se marcar contra a Suíça, igualará o recorde de Guillermo Stábile, que no Mundial de 1930 marcou em quatro jogos consecutivos, da fase de grupos à final, que seria vencida pelo Uruguai.

Chile

No grupo da morte, La Roja saiu mais viva do que nunca. E, como em todas as oportunidades em que passou pela primeira fase, o Chile terá pela frente o Brasil. Foi assim em 1962 (semifinal), 1998 e 2010 (oitavas de final). Em todas a seleção chilena terminou eliminada. Mas agora, com uma das melhores gerações da história do país, os comandados de Sampaoli esperam fazer diferente.

O selecionado chileno surpreendeu àqueles que não conheciam o trabalho que vem sendo executado há um ano e passaram num Grupo que teve simplesmente os dois finalistas do último Mundial. Sem abdicar do estilo de jogo que caracterizou a seleção ao longo do último ano, La Roja venceu, convenceu e encheu os olhos de quem parou para assisti-la.

Sampaoli começou a Copa utilizando o 4-3-3 na partida contra a Austrália, visando reforçar a defesa contra um ataque forte fisicamente. Mas na partidas seguintes, o técnico argentino voltou com o 3-4-1-2 característico da equipe e, assim, venceu a atual campeã Espanha e perdeu para a Holanda.

Uma da maiores virtudes desse time é a maneira como consegue asfixiar o rival em seu campo de defesa, fazendo uma marcação-pressão quase suicida, em que atacantes, meias, laterais e defensores participam, tentando tirar a opção de passe do time rival. Contra o Brasil, dificilmente Sampaoli – que assim como seu mentor Bielsa é teimoso e vai até o fim com seu estilo – vai abdicar dessa fórmula que vem dando certo.

Num time em que o trabalho coletivo é o ponto forte, alguns jogadores conseguiram se destacar. Aránguiz, que vem em ótima temporada pelo Internacional, foi monstruoso no meio-campo. Na zaga, Gary Medel mostra dificuldades em bolas aéreas, mas compensa com antecipações e desarmes pelo chão. No ataque, Sánchez é quem mais tenta jogadas individuais para quebrar a marcação adversária, sendo o jogador com mais dribles da seleção chilena até aqui na Copa.

Contra o Brasil, La Roja tentará acabar com uma freguesia assustadora: em 67 jogos contra o Brasil, o Chile venceu 7, empatou 13 e perdeu 47. No gol, o goleiro Bravo tentará acabar com o tormento que é enfrentar a seleção brasileira: em sete partidas contra o Brasil, sofreu 24 gols.

Colômbia

No Grupo que era visto como um dos mais equilibrados da Copa, a Colômbia passou com 100% de aproveitamento e avançou às oitavas de final, em que enfrentará o Uruguai. Sem Falcao García, Pekerman teve que procurar soluções às vésperas da Copa do Mundo, e decidiu deslocar o atacante Teo Gutiérrez para a função de centroavante e encaixar Ibarbo como meia-atacante pelo lado esquerdo do campo, na linha de três do 4-2-3-1.

Com as três vitórias em três jogos, a Colômbia fez sua melhor campanha na história das Copa. E esta é apenas s segunda vez que a Colômbia fez mais gols do que sofreu na fase de grupos. Apenas no Mundial de 1990, na Itália, La Tricolor marcou mais gols (3) do que sofreu (2).

No aspecto tático, vale ressaltar como o time se sente melhor utilizando a velocidade do que tendo a posse de bola e obrigação de criar as jogadas, tendo que furar a defesa adversária. Nos três jogos disputados, a Colômbia teve menos posse de bola que seus adversários, o que não deverá ocorrer na partida contra o Uruguai. Será interessante ver como será o comportamento do time.

O que mais chama a atenção na equipe é a dependência do jovem meia James Rodríguez, de apenas 22 anos. Nas eliminatórias ele já era peça fundamental para a seleção, mas hoje a situação se agravou devido à lesão de Falcao, e já é difícil imaginar o time sem o talento do meia do Monaco. James é quem mais acerta passes no time (88), mais finaliza (11), mais acerta cruzamentos (5) e é o artilheiro colombiano, com três gols anotados na fase de grupos.

Uruguai

Na estreia, sem Suárez, que se recuperava de cirurgia no joelho esquerdo, o Uruguai perdeu por 3×1 para a Costa Rica, com Forlán substituindo o Pistoleiro. Nos dois jogos seguintes, já com o camisa 9, o time de Óscar Tabárez venceu as favoritas Inglaterra e Itália e conseguiu passar de forma heroica às oitavas de final para enfrentar a Colômbia, no Maracanã.

Contra a Costa Rica, Tábarez apostou no 4-4-2,  que contou com Forlán formando a dupla de ataque com Cavani. Mesmo abrindo o placar, o time tomou a virada e uma baile dentro de campo. Nos dois jogos seguintes, com Suárez em campo, o time venceu, mesmo sem convencer, e garantiu a classificação. 

Para o restante da Copa do Mundo, o Uruguai não poderá contar com seu craque Suárez, suspenso por nove partidas pela FIFA por causa da mordida no zagueiro italiano Chiellini.

Equador

Única seleção sul-americana eliminada na fase de grupos, o Equador já sabia que teria uma missão muito difícil. Em um grupo que tinha França e Suíça como favoritas às vagas, restava a La Tricolor brigar para surpreender. Mas a derrota de virada para os suíços na estreia, com direito a gol no último minuto de jogo, dificultou a classificação e, no final, foi o resultado que determinou a eliminação.

De negativo, pode-se destacar o futebol apresentado. Lógico que ninguém esperava que a seleção chegasse ao Brasil dando show dentro de campo, mas a dificuldade em criar e as constantes falhas defensivas fizeram do Equador a decepção sul-americana da competição. Outro ponto negativo foram as péssimas atuações de Antonio Valencia, o grande nome dessa seleção. Jogando aberto pela direita no 4-4-2 armado pelo técnico colombiano Rueda, o maior nome do futebol equatoriano sumia do jogo e pouco participava das principais jogadas.

Antes da Copa começar, o Doentes Por Futebol destacou Enner Valencia como o principal jogador a ser observado na seleção equatoriana. E não deu outra. Este Valencia foi o autor dos três gols da seleção na competição, deixou ótima impressão e já despertou o interesse de times europeus como Sevilla, Arsenal, Porto e Newecastle.

Sobre o planejamento pós-Copa, é de se ressaltar que o futebol equatoriano tem material humano para montar uma seleção competitiva e disputar uma vaga para a Copa do Mundo de 2018. Segundo o presidente da Federação Equatoriana de Futebol (FEF), Luis Chiriboga, após a eliminação, Rueda tem aval para permanecer no cargo. O contrato do treinador chegou ao fim com a participação na Copa.

Comentários

Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.