Do ar blasé ao démodé

  • por Lulu
  • 7 Anos atrás

A postura pasteurizada da Fúria finalmente sucumbiu em sono profundo de forma incontestável. O maçante tiki taka saiu da moda para o museu, a apatia ilustrou o declínio vertiginoso. Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, chegou o momento de colocar alguns pingos nos “is”. Há várias ressalvas na supremacia espanhola, que faleceu com a eliminação precoce na Copa de 2014.

Primeiro, uma curiosidade: a Espanha nunca se firmou contra adversários do continente americano! Em 2009, a atual campeã da Euro perdeu para o Estados Unidos na Copa das Confederações. Na Copa da África, os espanhóis passaram sufoco contra o Paraguai; o pênalti perdido por Óscar Cardozo foi crucial para a classificação. Ainda em 2010, levaram uma sova da Argentina (4×1) no amistoso da ressaca do título mundial. No ano passado, o Brasil aplicou um incontestável 3×0, deixando os supostos invencíveis desnorteados. Por fim, o Chile apareceu para pôr a última pá de terra na cova da geração que merece o epitáfio “foi bom enquanto durou”.

Decepção na Espanha, “foi bom enquanto durou” | Foto: divulgação

Decepção na Espanha, “foi bom enquanto durou” | Foto: divulgação

Segundo, o fato pouco comentado: muito do sucesso da Espanha nunca foi por causa do estilo aprimorado na Catalunha! Em 2008, o saudoso Aragonés armou um insinuante 4-4-2 (ou 4-1-3-2), com 3 meias buscando ultrapassagens e 2 atacantes afunilando jogadas. Já a equipe comandada por Vicente del Bosque sempre se mostrou mais engessada, pendendo para o 4-5-1 (ou 4-2-3-1), com dois cabeças de área sem tanta mobilidade e 1 avante isolado. Para completar, David Villa e Iker Casillas se sobressaíram na África do Sul. Ou seja, alguns atos individuais e o toco y me voy, consagraram a irritante tara em posse de bola.

Terceiro, a verdade inconveniente: o futebol da Espanha flerta casualmente com a falta de identidade própria! Iniesta e Xavi nasceram para auxiliar, não para comandar. Desde Ferenc Puskás e Alfredo Di Stéfano, os espanhóis mais se importam em importar do que exportar. Os grandes ídolos de Real Madrid e Barcelona são brasileiros, argentinos e outros gringos. Llorente e Negredo foram preteridos pelo bastardo Diego Costa, para citarmos a última “urgência desnecessária” da Seleção que sonhou, realizou e, por ora, esfacelou novos vislumbres.

Sim, a “ira vermelha” voltou a ser “brisa amarela”. A cor da vez para a Espanha é a do luto!

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Homem garoto de convicções grisalhas formado em Ciência da Menstruação, Agronomia Espacial, Lirismo Marginal e Terapia Libidinosa. Com repertório vocacional fincado em irreverência, improviso, cinismo lúdico e boleiragem plena.