Doentes por Copa – Brasil

Brasil

COMO SE CLASSIFICOU:

Desde 2007, quando recebeu a incumbência de organizar a Copa do Mundo, o Brasil está classificado para o evento. Por esse motivo, não precisou participar das Eliminatórias Sul-Americanas, o que durante muito tempo foi visto como empecilho a uma boa preparação para o Mundial. Essa falta de perspectiva e de evolução terminou custando o cargo do técnico Mano Menezes, em setembro de 2012. No entanto, a vitoriosa campanha brasileira na Copa das Confederações parece ter dissipado por completo essas desconfianças, e os torcedores hoje enxergam na equipe treinada por Luiz Felipe Scolari um dos favoritos à conquista do título mundial.

Ao longo dos últimos quatro anos, o Brasil atravessou um período de sério descrédito. A ausência de jogos oficiais impedia o time de ganhar ritmo, e terminou colaborando (bem como os maus resultados em si) para que a Seleção atingisse, em junho de 2013, a 22ª posição do ranking da FIFA – a mais baixa na história. A taça conquistada no mês seguinte, porém, trouxe tranquilidade e confiança aos jogadores, que mantiveram o nível das atuações e fizeram a equipe voltar a ser temida por todas as grandes seleções que estarão na disputa.

TÉCNICO:

Brasil 2

ESTATÍSTICAS:

Campanha em 1950:
Primeira fase – 2 vitórias e 1 empate; 8 gols pró, 2 gols contra
Fase final – 2 vitórias e 1 derrota; 14 gols pró, 4 gols contra

Números do pós-2010
35 vitórias, 10 empates e 8 derrotas; 120 gols marcados, 38 sofridos

Com Mano Menezes
21 vitórias, 6 empates e 6 derrotas; 66 gols marcados, 23 sofridos
Aproveitamento: 69,7%

Com Felipão
14 vitórias, 4 empates e 2 derrotas; 54 gols marcados, 15 sofridos
Aproveitamento: 76,6%

Curiosidades: na primeira fase, o Brasil não enfrenta nenhum adversário inédito. O México foi derrotado pelo Brasil em 50, 54 e 62; a Croácia foi adversária na estreia de 2006, enquanto Camarões foi adversário na segunda partida da fase de grupos de 94.

Camisa titular

Camisa titular

PONTO FORTE:

A maior qualidade da Seleção de Luiz Felipe Scolari talvez seja a intensidade com que vem se apresentando desde a última Copa das Confederações. O time se acostumou a sufocar os adversários desde o início das partidas, forçando-lhes erros através de uma forte marcação no campo de ataque. Para isso, conta com a colaboração de meias e atacantes sempre dispostos a se doar em prol do funcionamento do esquema.

Mas nem só de transpiração vive essa seleção brasileira. Quando a bola não é recuperada na frente, o adversário se depara com a dupla de zagueiros mais cara do futebol mundial. Thiago Silva e David Luiz são os pilares defensivos do time, dando muita tranquilidade para o resto do time brilhar. A principal válvula de escape nas saídas é o lado esquerdo, polo criativo normalmente ocupado por Marcelo e Neymar, possivelmente os dois maiores diferenciais técnicos da equipe.

PRINCIPAIS DESTAQUES:

Brasil Thiago Silva Brasil Neymar Brasil Marcelo

PONTOS FRACOS:

As grandes carências do Brasil no Mundial são quase unanimidade na boca dos torcedores. A maior delas está no gol: apesar da grande Copa das Confederações, Júlio César praticamente não conseguiu atuar em alto nível desde o já longínquo ano de 2010, quando foi considerado um dos responsáveis pela eliminação brasileira ante a Holanda. Teve que se transferir para uma liga de nível técnico questionável para se manter jogando e fugir da reserva no modesto Queen’s Park Rangers. O arqueiro chega à Copa extremamente questionado, e sua falta de ritmo é tida como um dos potenciais problemas brasileiros.

O outro ponto fraco do time tem um certo quê de nostalgia. Apesar de atualmente pertencer a um goleador competente e que tem lá sua qualidade técnica, a camisa nove da Seleção carrega consigo a mística de já ter pertencido a nomes como Tostão, Careca e Ronaldo. Outros como Romário e Bebeto, não a usaram, mas também já foram protagonistas do ataque canarinho em Copas do Mundo. Papel que, em 2014, caberá a Fred, um atacante com menos recursos do que boa parte de seus precursores, mas do qual Felipão não pode se queixar: tem cumprido com louvor a função de ser a referência no comando do ataque. As maiores dúvidas que pairam sobre ele, além das certezas quanto às suas limitações, são relativas à sua condição física, baleada durante boa parte do primeiro semestre.

CONFIRA TAMBÉM: Conteúdo exclusivo da Copa do Mundo 2014 – Doentes por Copa.

EQUIPE:

OPINIÃO:

Como não podia deixar de ser, por ter cinco estrelas bordadas no peito e jogar em casa, o Brasil é um dos favoritos à conquista do título mundial. Para a seleção brasileira, essa condição é mais do que uma simples vantagem nas casas de apostas: é também uma responsabilidade histórica. Sessenta e quatro anos depois do traumático vice-campeonato no episódio que ficou conhecido como Maracanazzo, o país recebe novamente a chance de sediar uma Copa do Mundo, e tudo o que os jogadores não querem é entrarem para a história do futebol nacional como parte do time que novamente “fracassou” em vencer a taça.

É evidente, porém, que essa pressão não existiria se a torcida não enxergasse na Seleção uma equipe forte e com reais condições de levantar o caneco. A performance na Copa das Confederações serviu para convencer a todos sobre a qualidade e o poder de decisão de Neymar, Paulinho, Fred e tantos outros, bem como do time em si. Se antes o grupo era cercado de dúvidas, hoje é unanimidade entre os brasileiros que o país está, no mínimo, no grupo dos três ou quatro principais favoritos – pela imprensa internacional, é visto como candidato maior.

Assim, o objetivo brasileiro não poderia ser outro que não a conquista do título. É o único resultado capaz de corresponder às expectativas da torcida, e o único que fará essa jovem geração aproveitar uma oportunidade histórica e entrar de vez na galeria dos maiores do futebol brasileiro.

CONVOCADOS:

Goleiros: Júlio César (Toronto FC/CAN), Jefferson (Botafogo) e Victor (Atlético Mineiro);
Laterais: Daniel Alves (Barcelona/ESP), Maicon (Roma/ITA), Marcelo (Real Madrid/ESP), Maxwell (Paris Saint-Germain/FRA);
Zagueiros: Thiago Silva (Paris Saint-Germain/FRA), David Luiz (Paris Saint-Germain/FRA), Dante (Bayern de Munique/ALE) e Henrique (Napoli/ITA);
Meio-campo: Luiz Gustavo (Wolfsburg/ALE), Paulinho (Tottenham/ING), Oscar (Chelsea/ING), Fernandinho (Manchester City/ING), Ramires (Chelsea/ING), Hernanes (Internazionale/ITA) e Willian (Chelsea/ING),  Bernard (Shakhtar Donetsk/UCR);
Atacantes: Fred (Fluminense), Neymar (Barcelona/ESP), Hulk (Zenit/RUS), Jô (Atlético Mineiro).

Brasil (2)

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.