Empate amargo

Mike Blake/Reuters

Mike Blake/Reuters

A animada torcida mexicana que ajudou a lotar o Castelão teve motivos para festejar. Durante boa parte da partida, viu sua equipe ser superior à Seleção Brasileira, levando sustos à meta de Júlio César. Por outro lado, também torceu muito por seu goleiro Ochoa, que viveu tarde inspirada e se tornou o principal responsável pelo zero a zero final. Com o resultado, o México divide a liderança do grupo com o Brasil e agora decide a classificação diante da Croácia.

Por sua vez, Luiz Felipe Scolari deveria ter muito a refletir. Embora sua Seleção não tenha mostrado o nervosismo da estreia, deixou de mostrar futebol. O meio-campo, fundamentalmente na figura de Paulinho, não conseguiu controlar o jogo e, em diversos momentos, parecia esvaziado. Para piorar, todas as alterações realizadas pelo técnico não indicaram ciência deste problema. Primeiro, trocou Ramires, pendurado por um cartão amarelo, por Bernard. Depois, imaginou que Jô poderia desempenhar melhor o papel de pivô que Fred. Por fim, trocou um meia por outro ao substituir Oscar por Willian.

Turrão como lhe é peculiar, Scolari disse na coletiva pós-jogo que viu evolução desde a estreia e que os torcedores muitas vezes esquecem que há um adversário do outro lado e que este jogou bem. Pelo menos em parte, o treinador tem razão. O time de Miguel Herrera conseguiu neutralizar as principais jogadas da Seleção contendo as arrancadas de Neymar e isolando Fred totalmente. Todavia, o treinador brasileiro ignorou, pelo menos diante dos microfones, a incapacidade do seu meio-campo de gerar jogo. E isso com Fernandinho e Hernanes no banco. Se não havia a intenção de ter reservas capazes de qualificar a organização das jogadas, por que convocar dois atletas com essas características?

Não saberemos a resposta dessa pergunta, pois ela simplesmente não foi feita na coletiva. No entanto, tivemos pistas de que os titulares estão mantidos para a partida diante de Camarões, possivelmente com o retorno de Hulk. É a convicção de um técnico que não parece interessado em observações externas. Só resta torcer para que ele não morra abraçado com ela.

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Fanático por futebol em nível não recomendável. Co-autor do livro “É Tetra! - A conquista que ajudou a mudar o Brasil”.