Enner Valencia, a esperança de gols do Equador na Copa do Mundo

  • por Gustavo Ribeiro
  • 5 Anos atrás
Foto: cre - Enner Valencia com a camisa da seleção

Foto: cre – Enner Valencia com a camisa da seleção

Classificada para a Copa do Mundo, a seleção equatoriana chega sem grandes craques para a competição. O jogador mais conhecido pelo grande público é Antonio Valencia, volante do Manchester United e titular absoluto da Tricolor. Menos conhecido, Enner Valencia é quem espera chamar a atenção neste Mundial e, quem sabe, ser uma das surpresas do torneio.

Depois da morte de “Chucho” Benítez, o técnico Rueda teve dificuldades para achar um substituto à altura para o atacante. Vendo que os convocados correspondiam, Rueda resolveu dar chances ao garoto Enner Valencia, de 24 anos, que rapidamente ganhou a condição de titular.

Sua estreia com a camisa da seleção foi em fevereiro de 2012, num amistoso contra a seleção de Honduras, que terminou com vitória sul-americana por 2×0. Mas só foi receber uma nova oportunidade em agosto de 2013, em um amistoso contra a Espanha. Depois, começou a figurar nas convocações seguintes para os últimos jogos das Eliminatórias, quando foi titular em três dos últimos quatro jogos. E os últimos amistosos comprovam que Enner Valencia já tem vaga no time titular de Rueda – nas últimas quatro partidas que disputou pela seleção, marcou quatro gols.

Nascido e criado na cidade de Esmeraldas, no Equador, Enner Valencia começou sua carreira no modesto Caribe Juniors, clube da província de Sucumbíos conhecido por revelar jogadores como Fidel Martínez, Giovanni Nazareno e Antonio Valencia. No Caribe Juniors, Enner foi treinado por Pedro Perlaza, volante campeão nacional com o Emelec em 1979 e responsável por ter descoberto Antonio Valencia, jogador do Manchester United e titular da seleção equatoriana.

Em 2008, com a ajuda de Perlaza, que conduziu toda a negociação, Enner Valencia foi incorporado ao time sub-19 do Emelec, onde sempre se mostrou acima da média. Oriundo de família humilde, quando chegou ao novo clube, Valencia chegou a passar fome quando morou nos arredores do estádio Campwell, onde o Emelec manda seus jogos.

Em 2008, promovido ao time profissional, chegou a ser relacionado para alguns jogos. Mas a estreia só viria mesmo em 2010, quando o então técnico Jorge Sampaoli o escalou como titular no empate em 0x0 contra o Newell’s Old Boys, em Rosario, pela Copa Libertadores. No campeonato nacional estreou em fevereiro daquele ano, na vitória sobre o Espoli, por 3×0.

Assim como todo jovem jogador, teve que lidar com a irregularidade de início de carreira. Em 2010, pelo Campeonato Equatoriano, disputou 25 jogos (11 de titular) e marcou um gol. Ainda assim foi peça importante na classificação para a Copa Libertadores do ano seguinte, com a conquista do vice-campeonato.

No final daquele ano, Sampaoli deixou o comando do time, que anunciou a contratação do também argentino Omar Asad. Mas Asad pediu demissão em maio e o clube logo contratou Juan Ramón Carrasco para substituí-lo. Com ambos Valencia alternou entre a titularidade e o banco de reservas na conquista do vice-campeonato Equatoriano. Contando partidas do campeonato nacional, Libertadores e Copa Sul-americana, foram 35 jogos, sendo 18 como titular, e nove gols marcados.

Ainda em 2011, Valencia participaria dos jogos Pan-Americanos realizado no México, no qual a seleção equatoriana viria a ser eliminada ainda na primeira fase. Valencia era reserva do time e disputou apenas dois jogos, entrando no decorrer das partidas.

Foto: lahora - Valencia com a camisa do Emelec

Foto: lahora – Valencia com a camisa do Emelec

Para 2012, a diretoria do Emelec apostou em Marcelo Fleitas para o comando técnico do time. Com o uruguaio no comando, Valencia ganhou cada vez mais espaço. Na Libertadores foi titular em todos os oitos jogos do time e deixou uma boa impressão mesmo não marcando nenhum gol e contribuindo com apenas uma assistência.

Após a eliminação nas oitavas de final da Copa Libertadores para o Corinthians, a diretoria do Emelec anunciou a demissão de Fleitas e a contratação de Gustavo Quintero, um dos grandes responsáveis pela evolução do meia-atacante. No Campeonato Equatoriano, em que o time terminou com o vice-campeonato, Valencia disputou 30 jogos, marcou 13 gols e deu passes para outros sete. De longe, a sua melhor temporada até então.

Em 2013, Valencia teve sua melhor temporada, seja individual ou coletivamente. No 4-4-2 que variava para um 4-2-3-1 armado por Quintero, Valencia atuava aberto pelo lado direito. Mas, ao contrário das temporadas anteriores, tinha mais liberdade para chegar à área e finalizar. Foi assim que se tornou o artilheiro da Copa Sul-americana, com cinco gols em quatro jogos.

Depois de três vice-campeonatos seguidos, o Emelec voltou a conquistar o Campeonato Equatoriano e Enner Valencia foi eleito o melhor jogador da competição por quase toda a imprensa equatoriana. Na conquista, Valencia marcou quatro gols e distribuiu dez assistências.

Foto: El Universal - Valencia comemorando um de seus gols pelo Pachuca

Foto: El Universal – Valencia comemorando um de seus gols pelo Pachuca

Velocidade para apoiar o tempo todo e recompor a defesa, força física para disputar com os defensores rivais, talento para ludibriar os marcadores e um chute potente, seja dentro ou fora da área, são as principais qualidades de Enner Valencia, que parece evoluir a cada temporada que passa.

Após a conquista de seu primeiro título como profissional, Enner Valencia foi contratado pelo Pachuca, do México. De desconhecido, Valencia viu seu nome ser cada vez mais capa dos jornais esportivos à medida que balançava as redes adversárias. Foi assim que levou o time ao vice-campeonato Mexicano com incríveis 18 gols em 23 jogos, além de duas assistências.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.