Ninguém disse que seria fácil

Fernandinho comemora o quarto gol do Brasil no jogo (Imagem: Reuters)

Fernandinho comemora o quarto gol do Brasil no jogo (Imagem: Reuters)

Antes do início da Copa, o técnico Luiz Felipe Scolari e o coordenador Carlos Alberto Parreira foram taxativos ao colocar o Brasil como candidato ao título mundial. Naquele momento, eles sabiam que era importante deixar claro para todos, jogadores inclusos, que a Seleção Brasileira tinha essa meta e que seria capaz de alcançá-la. Obviamente, ali estava uma declaração que era muito mais a marcação de uma posição do que uma bravata. Contudo, faltou dizer que não seria fácil.

Durante o primeiro tempo da partida contra Camarões, a equipe de Felipão apresentou o velho problema que a acompanha desde a Copa das Confederações: sem a presença de armadores natos, o time resumia grande parte de seu repertório aos lançamentos longos dos zagueiros para Hulk e Neymar. O meio-campo inexistia na fase ofensiva, salvo por momentos em que Oscar recuperava a bola e tentava acionar os companheiros de frente. Paulinho, muito mais um volante de infiltração do que meia, pouco se apresentava para fazer com que a transição acontecesse de forma mais “limpa”.

A insistência do técnico com o jogador do Tottenham baseava-se na confiança no trabalho realizado há um ano, quando Paulinho foi um dos destaques da conquista intercontinental. Retirá-lo na primeira ou segunda partida significaria queimar um nome que foi muito útil no passado e que poderia sê-lo no futuro. Sendo assim, todas as chances foram dadas, mas Paulinho não correspondeu. Agora chegou a vez de Fernandinho. Mais rápido, mais passador e com boa finalização de fora da área, o volante do Manchester City fez em 45 minutos o que o companheiro não havia conseguido até então. Dentro de uma normalidade, será titular diante do Chile.

Sofrimento à parte, a classificação brasileira se deu em primeiro lugar como era esperado. E dentro das características das seleções do grupo B, o Chile é o adversário que mais se encaixa nas virtudes do Brasil. A Holanda, ao contrário, manteria sua atual estratégia de se postar na defesa e explorar os avanços de Robben nas costas dos instáveis Daniel Alves e Marcelo. Sem dúvida, um perigo maior. Por sua vez, o Chile sai mais para o jogo, tem uma defesa que sofre quando pressionada e, sobretudo, apresenta fragilidade nas jogadas aéreas.

No entanto, coletivamente, ninguém está jogando mais do que a equipe comandada pelo argentino Jorge Sampaoli. Para a desconfiança de alguns – o colunista entre eles – Scolari chegou a dizer que o rival sul-americano era aquele que mais o preocupava dentre as combinações de oitavas de final. Se for verdade ou apenas jogo de cena para esconder a preferência por um oponente mais abordável, não se sabe. De qualquer modo, Felipão nunca disse que seria fácil.

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Fanático por futebol em nível não recomendável. Co-autor do livro “É Tetra! - A conquista que ajudou a mudar o Brasil”.