Nuances da estreia vitoriosa

  • por Eduardo Jenisch Barbosa
  • 7 Anos atrás

Neymar celebra o empate

Foto: Assessoria CBF – Neymar celebra o empate


A Copa do Mundo, oficialmente, voltou ao nosso quintal. Sessenta e quatro anos depois, 32 Seleções encontram-se no Brasil para buscar o tão sonhado título. Este clima é espetacular e o futebol, os outros que me perdoem, é 
o esporte mais apaixonante já inventado pela mente humana. Com 60 mil pessoas na Arena Corinthians e mais de um bilhão ao redor do mundo, a história foi contada diante de nossos olhos.

O hino nacional cantado efusivamente por todo o estádio e pelos atletas transformou emoção em lágrimas. Todo o peso, a adrenalina que corria na veia dos brasileiros, entrou em campo com os jogadores. Aquele momento condensou a tensão de uma estreia de Copa do Mundo, a responsabilidade de defender uma Seleção cinco vezes campeã mundial e o assombro causado pelo trauma sofrido na primeira Copa em solo brasileiro. Pouca pressão ou mando mais? 

O nervosismo inicial foi nítido e a Seleção teve dificuldades de trocar passes diante de uma Croácia bem postada e que sabia explorar os espaços deixados nas costas dos nossos laterais. Faltava aproximação entre os jogadores e as opções de passe eram escassas. Quando o lance chegava ao campo de ataque, o homem da bola era obrigado a fazer um lançamento longo ou cruzamentos despretensiosos para a área. Desta maneira, o rival soube conter o ataque canarinho e ainda assustava a nossa defesa.

Depois de ameaçar em uma bola aérea, o corredor atrás de Daniel Alves, combinado à falta de cobertura dos volantes e dos zagueiros, propiciou o cruzamento que pegou a nossa defesa totalmente desarrumada. A bola passou por David Luiz, pelo atacante e bateu em um estabanado Marcelo para balançar as redes. O Brasil não dominava a partida, longe disso, mas levou o gol em uma infelicidade tremenda. Não era aquele gol desenhado por uma supremacia inconteste do adversário. Mas aconteceu e a casa tinha que ser arrumada de qualquer maneira.

E aqui é um ótimo momento para elogiar o comportamento da torcida, que entendeu a dificuldade da partida e não vaiou em nenhum momento. A galera comprou a causa e teve papel fundamental para a virada, jogou junto e merece todos os elogios. Tivemos um décimo segundo jogador e isso, animicamente, foi importante para a recuperação brasileira. Uma vaia no 1×0 Croácia poderia enervar ainda mais o ambiente e afundar o time. O empate começou a ser desenhado nas arquibancadas.

Felipão é experiente em Copas

Foto: Assessoria CBF – Felipão é experiente em Copas


Passados alguns minutos de desencontro, algo natural após um baque tão grande, a Seleção teve uma maturidade surpreendente para uma equipe jovem. Aos poucos, a bola foi sendo tratada com mais carinho, as jogadas tiveram prosseguimento e o Brasil começou a encurralar a Croácia em sua defesa. A primeira infiltração mais objetiva foi quando Oscar encontrou Paulinho, que invadiu a área e obrigou o goleiro a fazer boa intervenção.

Logo depois, o jogador do Chelsea ganhou duas divididas consecutivas e, cercado por croatas, teve ótima percepção e deu o passe para Neymar. Neste momento, apareceu o talento puro. Numa arrancada espetacular seguida de um chute de canhota, no limite da trave, veio o belo tento e alívio brasileiro. O duelo foi para o intervalo empatado, um retrato mais justo do que se tinha visto até ali.

As duas seleções não voltaram inspiradas dos vestiários. Felipão, então, colocou Hernanes e, logo em seguida, Bernard, nos lugares de Paulinho e Hulk, que estavam apagados em campo. A posse de bola aumentou e o Brasil passou a estar cada vez mais presente no campo de ataque. Era possível imaginar que a virada estava por acontecer em instantes, mas foi uma penalidade encenada por Fred que deu à Seleção a chance de finalmente ficar à frente no placar.

Neymar bateu forte, mas à meia altura, local preferido dos goleiros. A bola teimou nas duas luvas, mas encontrou o barbante e os três pontos ficavam mais próximos. Estreia em Copas do Mundo, atuando em casa, tendo a pressão de ser o craque da Seleção. E? Dois gols marcados. Tem muita estrela este guri. Óbvio que é ironia, exagero, mas vale a brincadeira: Messi em dois Mundiais fez um gol. Neymar em um jogo fez dois. Não foi constante durante toda a partida, mas foi extremamente decisivo.

A Croácia ainda ameaçou uma pressão e deu sustos. Em um deles, veio a consolidação da vitória. No lance iniciado na bela defesa de Júlio Cesar e que teve o seu momento importante no desarme fundamental de Ramires, que entrou no lugar de Neymar no final, e culminou no biquinho inteligente de Oscar, o resultado positivo foi confirmado para delírio de milhões de brasileiros ao redor do globo terrestre.

Apesar das correções que ainda precisam ser feitas, do erro da arbitragem e do nervosismo da estreia, foi uma boa vitória diante de um oponente qualificado. Ainda que o juiz tenha prejudicado a Croácia, vi o Brasil merecer o triunfo. No sufoco, tivemos maturidade. Começo promissor rumo ao hexa!

Foto: Assessoria CBF - Oscar coroou atuação com um golaço

Foto: Assessoria CBF – Oscar coroou bela atuação com um golaço


Avaliações:

Júlio César 
Experiência ao dar força para Marcelo no gol contra, segurança quando foi acionado. Uma boa atuação. Nota: 7

Daniel Alves 
O corredor nas suas costas deu origem ao gol croata. Mal defensivamente, apenas regular no ataque. Nota 4.5

Thiago Silva 
Alternou bons e maus momentos. Teve sua parcela de culpa no gol croata. Nota: 5.5

David Luiz 
O mais seguro de defesa e apareceu bem na frente. Nota: 7.5

Marcelo 
Estabanado no gol rival, mas com boas participações ofensivas. Nota: 5.5

Luiz Gustavo 
Discreto, porém vital na proteção da zaga. Nota: 7

Paulinho 
Um lapso ofensivo, perdido defensivamente. Nota: 5

Oscar 
O mais constante, participou dos três gols e de quase todas as ocasiões ofensivas, além de ter sido o maior roubador de bolas da Seleção. Nota: 8

Neymar 
Apagado por alguns momentos, mas com um gol de craque, um pênalti convertido, sendo extremamente decisivo, tá de bom tamanho né? Cartão amarelo, justo, preocupa para o futuro. Nota: 8

Hulk 
Ajudou na marcação, mas ofensivamente foi nulo. Nota: 5.

Fred
Não foi muito acionado, movimentou-se pouco, mas fundamental no lance do pênalti. Experiência e malandragem. Nota: 6

Hernanes 
Deu mais dinâmica e correção aos passes no meio. Nota: 6.5

Ramires 
Ficou pouco tempo em campo, mas o suficiente para fazer o desarme que possibilitou o terceiro gol. Nota: 6

Bernard 
Entrou bem e acresceu qualidade ao setor ofensivo. Nota: 6.

Felipão 
O maior responsável pela força mental desta equipe. Importante também ao bancar Oscar no 11 inicial, mesmo com todas as contestações. Hoje teve a recompensa. Nas trocas, foi muito bem. No entanto, precisa corrigir a vulnerabilidade defensiva nas laterais e a falta de aproximação entre os setores para tabelas. Nota: 7

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