O emocional como maior adversário

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Imagem: Marcos Ribolli/Globo Esporte

Como esperado, a estreia brasileira na Copa do Mundo foi uma partida complicada. O choro de alguns jogadores da Seleção e a perceptível emoção estampada nos rostos de todos indicavam que o time começaria com os nervos à flor da pele. E foi o que aconteceu. Oscar, o melhor em campo dentro dos noventa minutos, começou disperso e perdeu duas bolas que originaram contra-ataques perigosos da Croácia. Num deles, surgiu o gol contra de Marcelo. Ainda no lance que abriu o placar, Daniel Alves tentou, inexplicavelmente, pressionar o goleiro Pletikosa e acabou deixando um imenso vazio na lateral direita que o atacante Olic soube aproveitar bem.

E foi exatamente após o gol croata que surgiu o pior adversário do jogo: dominar o próprio emocional e buscar a reação. Marcelo mostrou logo que não se intimidaria e exibiu uma raça incomum até mesmo para ele. Oscar, que estava desaparecido, ressurgiu para uma das maiores exibições de sua carreira, atuando com destaque nos desarmes, na armação de jogadas e também nas conclusões. Por sua vez, Neymar assumiu a responsabilidade de ser o protagonista da Seleção Brasileira e materializou isso no chute imprevisível que igualou o marcador e na cobrança do pênalti incorretamente assinalado.

No geral, é possível dizer que o time respondeu bem a uma situação adversa. Há um pouco de ingenuidade em esperar que esta Seleção Brasileira coloque ordem na casa trocando passes como faria a Espanha, por exemplo. Não é o DNA deste time. E nem do futebol brasileiro atual. Durante anos, formamos jogadores que combinam habilidade com velocidade e isso não deve mudar por enquanto. Mesmo com 61% de posse, a resposta foi dada em forma de pressão, velocidade e verticalidade. E dificilmente seria diferente disso.

Coletivamente, o grande dilema do Brasil no Mundial será controlar a volúpia que o faz pressionar os rivais no campo de ataque com a responsabilidade de não expor sua defesa. Uma marcação que gerou apenas cinco faltas, o que é positivo, mas que também cedeu espaços preocupantes. Como a estreia ficou para trás e os três pontos foram somados, espera-se uma Seleção mais segura e inteligente no segundo duelo diante do México e que as adversidades sejam apenas as impostas pelos comandados do técnico Miguel Herrera.

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Fanático por futebol em nível não recomendável. Co-autor do livro “É Tetra! - A conquista que ajudou a mudar o Brasil”.