O monólogo de Luiz Gustavo

  • por Rogério Júnior
  • 7 Anos atrás

Engana-se quem credita o sucesso brasileiro na Copa do Mundo, tratando-se de resultados no campo, única e exclusivamente na conta de Neymar. Não menos importante que a estrela brasileira é Luiz Gustavo, paulista nascido para o futebol em Alagoas.

O volante, enraizado na Bundesliga, é o pilar capaz de marcar, desafogar, cadenciar e distribuir o jogo no esquema de Luiz Felipe Scolari. Defendendo, joga por ele e mais quatro companheiros. Atacando, soma funções que deveriam ser igualmente divididas por jogadores que estão devendo no mundial.

Nunca antes com o treinador gaúcho no comando da seleção, o sistema defensivo esteve tão exposto como agora, justamente no momento fatal da corrida pelo hexa. Os laterais Daniel Alves e Marcelo proporcionam generosas avenidas para os adversários: foi transitando por uma delas que a Croácia anotou o primeiro gol do campeonato e que, pasmem, até mesmo a fraquíssima equipe de Camarões bailou no gramado do Estádio Nacional, em Brasília, mesmo que por um pequeno recorte de tempo de jogo.

Foto: CBF - Além de marcar por vários companheiros, Luiz Gustavo também arma na equipe brasileira.

Foto: CBF – Além de marcar por vários companheiros, Luiz Gustavo também arma na equipe brasileira.

Não bastasse a incumbência de correr pelos dois, Luiz Gustavo também cumpre outras funções. É ele quem cobre as subidas desnorteadas de David Luiz ao ataque e quem dá o primeiro bote na meia cancha, expediente que Paulinho deveria cumprir. Com Fernandinho na vaga de Paulinho – mudança que deve se concretizar às 13h deste sábado – o volante terá o trabalho reduzido na cancha de Belo Horizonte. Com Maicon na lateral direita, outra alteração especulada, o cenário se torna ainda mais razoável para Luiz Gustavo e também para o Brasil.

Outro aspecto que preocupa a todos os brasileiros é a indolência assustadora de Oscar, que dá mostras de que seu desempenho na partida diante da Croácia foi um ponto fora da curva. A apatia é contagiante e o frio e raramente calculista meio campista do Chelsea obriga Neymar a jogar por quase todos os outros jogadores ofensivos da equipe, visto que Hulk não está desempenhando o mesmo papel da Copa das Confederações de 2013 e que o centroavante Fred é uma peça nula no esquema durante 95% do tempo (sendo gentil com o mineiro).

Foto: Getty Images - Pilar  brasileiro, Luiz Gustavo é tão importante quanto Neymar.

Foto: Getty Images – Pilar brasileiro, Luiz Gustavo é tão importante quanto Neymar.

A conjuntura dos atletas de frente dobra o trabalho de Luiz Gustavo. É ele quem rouba a bola no meio de campo e dá a Neymar para que este, quase sempre sozinho, a coloque na rede. Foi assim no primeiro gol contra Camarões, o tento que desafogou o jogo que se apresentava complicado e que abriu o caminho para a alegria.

Com 24 bolas recuperadas nos 270 minutos em que esteve em campo, 100% de acertos nos cruzamentos, 80% de perfeição nos passes e uma média de apenas duas faltas cometidas por jogo, o repertório brasileiro em busca da glória está concentrado na eficiência de Luiz Gustavo no sistema defensivo e em suas bondosas aparições no campo de ataque, quando serve Neymar, o senhor proprietário deste terreno.

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Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.