Onde encaixar Fàbregas no Chelsea?

Foto: Chelsea FC - Fàbregas foi anunciado pelo Chelsea na semana passada

Foto: Chelsea FC – Fàbregas foi anunciado pelo Chelsea na semana passada

Por O Futebólogo

Apontado como contratação para o Arsenal, Cesc Fàbregas, como foi amplamente noticiado, foi “esnobado” por seu ex-treinador, Arsène Wenger, que disse que o fato de o clube contar com o alemão Mesut Özil impediria o retorno do meio-campista catalão. A partir disso, José Mourinho abriu negociações com o jogador e acertou seu retorno a Londres para jogar nos Blues.

Com uma característica de jogo diversa de tudo o que o treinador português dispõe em seu elenco, Fàbregas tem gerado questionamentos acerca de seu melhor encaixe no Chelsea. Não sendo volante, nem tampouco meia-atacante, o espanhol traz algumas possibilidades táticas para o clube, o que é, sabidamente, algo que Mourinho preza muito. Com isso em mente, pensamos em algumas possibilidades de escalação do novo camisa 4 do Chelsea.

Na vaga de Oscar: a troca simples

Simplificando, sem inventar, a primeira possível escalação de Fàbregas seria na posição de Oscar, como meia ofensivo central. Menos intenso, porém dono de superior qualidade de distribuição de jogo, o espanhol pode ser uma grande opção para possibilitar um maior controle da bola. Mais cerebral que o brasileiro, o espanhol não alteraria o desenho tático do Chelsea, contudo traria impacto grande na forma de jogar.

Se Oscar é mais direto, movimenta-se mais e arrisca mais, Fàbregas concentra mais o jogo no meio-campo, constrói o mesmo com maior perícia e dá mais assistências. Na última temporada, em partidas da liga, segundo o site ESPNFC, em 33 jogos, Oscar marcou oito gols, proveu duas assistências e arriscou 71 remates ao gol. Por outro lado, Fàbregas disputou 36 partidas, anotando oito gols, concedendo 13 assistências e proferindo 52 chutes à meta.

Apesar das similitude de posições, o brasileiro e o espanhol tem características notoriamente diferentes, o que pode ser de grande valia para José Mourinho que, além de passar a ter uma eventual opção a Oscar, ganhou um jogador que pode desempenhar uma nova função em um velho papel.

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Sucedendo Frank Lampard: o construtor de jogo defensivo

Considerando que durante a última temporada Fàbregas foi comumente o substituto de Xavi na equipe titular do Barcelona, não seria estranho pensá-lo como o sucessor de Frank Lampard, lenda do clube. A função de “segundo volante”, “camisa 8”, ou construtor de jogo defensivo poderia tolher um pouco a liberdade do meio-campista, entretanto, também poderia ajudar imensamente na composição da equipe sem alterar muito sua forma de jogar e dando maior qualidade à saída de bola e à primeira linha de construção de jogo.

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Obviamente, Cesc não é Lampard. Suas características são diferentes e o espanhol poderia ter que passar por uma adaptação. Contudo, seu histórico atuando com apenas um meio-campista defensivo na contenção, ora com Sergio Busquets (no Barcelona), ora com Alex Song e Denílson (no Arsenal), mostra que o espanhol é capaz de exercer essa função.

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Atualização em 30/09/2014:

Em suas primeiras 08 partidas pelos Blues, Fàbregas tem sido utilizado basicamente na função anteriormente exercida por Frank Lampard, e vem substituindo o inglês com maestria. Cesc já acumulou 07 assistências para gol em seu início pelo Chelsea. Contratação Fantástica de Mourinho.

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Ao lado de Oscar: o 4-1-4-1

Outra possibilidade de encaixe de Fàbregas no Chelsea é com a modulação do esquema tático dos Blues, saindo da formação tática no 4-2-3-1 e se afirmando em um 4-1-4-1. Dessa forma, o sérvio Nemanja Matic ou o nigeriano Obi Mikel ficariam sobrecarregados na contenção. Todavia, o meio-campo ofensivo da equipe ficaria extremante fortalecido. Aplicando-se uma marcação pressionada, seria difícil para os adversários avançar à linha defensiva do Chelsea.

Esta possibilidade, provavelmente, exigiria maior atenção do treinador José Mourinho que teria que deixar a equipe em grande sintonia. Tanto Oscar quanto Fàbregas teriam obrigações de recomposição tática quando o time estivesse sendo atacado. A despeito dessas eventuais dificuldades defensivas, a mistura de estilos díspares dos dois meio-campistas poderia gerar um estilo de jogo muito atraente e letífero.

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Como “falso 9”: uma possibilidade eventual

Analisado como possibilidade para alguns jogos ou momentos específicos, o uso do ex-jogador do Barcelona como “falso 9” deve ser pensado. Acostumado à função, que muitas vezes exerce pela Seleção Espanhola, Fàbregas poderia ser uma alternativa para o ataque do Chelsea, que foi, possivelmente, o ponto fraco da equipe na temporada.

Mesmo que o clube londrino contrate um novo centroavante – sendo o hispano-brasileiro Diego Costa o mais cotado –, não se deve descartar essa opção, uma vez que, embora não seja um mortífero “camisa 9”, o espanhol pode dar mais movimentação ao ataque, sendo utilíssimo contra defesas muito fortes fisicamente e lentas. Na temporada recém-finda, José Mourinho chegou a utilizar o alemão André Schürrle na condição de “falso 9”, demostrando estar atento a essa possibilidade.

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Apesar de ter elogiado seu novo contratado, Mourinho ainda não deu pistas sobre seu uso. Em entrevista ao Marca, disse, apenas, que o considera um meio-campista com um perfil determinado.

“Cesc é um grande jogador que dá uma nova dimensão à nossa equipe. É diferente de Matic, Ramires e Oscar. Com ele, teremos um meio de campo muito completo. Ao contratar Cesc, eu pretendia um meio-campista com um perfil determinado e agora, com sua chegada, já o tenho.”

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.