Os cinco “come quieto” da Copa

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Para alguns, a parte mais divertida das Copas do Mundo é justamente aquela em que cada um faz suas apostas (em dinheiro ou não) para o torneio – são os famosos bolões. Algumas seleções estão na ponta da língua de todos: as favoritas Brasil, Alemanha, Espanha e Argentina, as tradicionais Itália, França e Inglaterra, e até mesmo candidatas a zebras como a aguardadíssima Bélgica ou a Colômbia, que ainda mete medo mesmo tendo perdido seu grande craque. Há times, no entanto, que vêm sendo completamente esquecidos em grande parte dos prognósticos de torcedores e especialistas.

Mesmo chegando ao Brasil com ótimo retrospecto, essas equipes não são vistas como potenciais surpresas da Copa. E é sobre elas que nós do Doentes por Futebol queremos falar. Para isso, fizemos uma lista com cinco seleções que têm qualidade para superar as expectativas que lhes cercam e marcar presença entre as oito – ou, quem sabe, entre as quatro ou duas (… e qual é o limite para o sonho?) – melhores do Mundial.

Colaboraram

Saimon Mryczka

Fred Miranda

Suíça: além do ferrolho, a chave

SUÍÇA

De uma seleção historicamente associada à ideia de “ferrolho”, pode parecer estranho esperar algo diferente de muita marcação e entrega na defesa. Mas não é exatamente essa a característica da Suíça que vem ao Brasil. A organização tática e o forte sistema defensivo ainda são as grandes qualidades do time dirigido por Ottmar Hitzfeld, mas dessa vez os suíços possuem também bons talentos no setor ofensivo, entre os quais os principais destaques são os meias Xherdan Shaqiri, do Bayern, e os laterais Stefan Lichtsteiner, da Juventus, e Ricardo Rodriguez, considerado o melhor lateral esquerdo da Bundesliga pelo Wolfsburg. Os helvéticos vêm de excelente campanha nas Eliminatórias: terminaram invictos, com sete vitórias, três empates, 17 gols marcados e apenas 6 sofridos – deixando claro a todos que apesar dos bons nomes na frente, o ferrolho está trancado como sempre.

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Rússia: sonho e pragmatismo

RUSSIA

Eles bateram na trave nas Eliminatórias para a Copa da África do Sul. Eram um time mais forte, que acabava de vir de uma grande campanha na Euro disputada em 2008 na Áustria e na Suíça. Mas por terem caído no grupo da Alemanha, conseguiram apenas a vaga na repescagem. Enfrentariam a Eslovênia e eram os grandes favoritos, mas… perderam. Deixaram escapar o sonho do Mundial. O trauma da quase-classificação seria devidamente superado apenas quatro anos depois, ao longo dos quais a Rússia deixou para trás a seleção portuguesa de Cristiano Ronaldo e conseguiu garantir sua ida ao Brasil com autoridade. A principal força do time é, hoje, o forte padrão tático implementado pelo experiente Fabio Capello, mas também há talento individual: o goleiro Akinfeev, o lateral Zhirkov, o meia Dzagoev e o atacante Kokorin são as referências que podem guiar os russos a sonhos mais altos.

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Bósnia-Herzegóvina: caçula perigoso

BOSNIA]

Única estreante do Mundial de 2014, a Bósnia é outro caso de país que adiou sua primeira participação no torneio de maneira traumática. Nas Eliminatórias para a Copa da África do Sul, os bósnios caíram no grupo da Espanha. Terminaram em segundo, e na repescagem, foram eliminados por Portugal com duas derrotas. Talvez, tenha sido o tempo necessário para essa jovem seleção amadurecer. Na época, Misimovic era o grande maestro que servia Ibisevic e Edin Dzeko. E se hoje o meia não se encontra mais no auge da forma, o time hoje conta com Miralem Pjanic, da Roma, e Senad Lulic, da Lazio, ambos em ótima forma. São eles os responsáveis por criar jogadas para a dupla de ataque, que continua letal.

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Costa do Marfim: o peso do talento

COSTA DO MARFIM

Desde os primeiros anos deste século, a Costa do Marfim vem sendo apontada como seleção africana mais rica em talento humano. Apesar disso, ainda não conseguiu fazer, em uma Copa do Mundo, campanha à altura das que fizeram Camarões em 90, Senegal em 2002 ou Gana em 2010, que alcançaram as quartas de final e chegaram muito, mas muito próximos de alcançar as semis. No Mundial do Brasil, ao contrário do que ocorreu em 2010, a sorte sorriu aos marfinenses: eles caíram num grupo muito mais acessível, e chegam como um dos favoritos à vaga nas oitavas, onde podem enfrentar um campeão mundial. Liderados por um Yaya Touré que vive momento sublime, os Elefantes contam ainda com outros destaques como o lateral Aurier, do Toulouse, o meia Tioté, do Newcastle e o atacante Gervinho, que atua na Roma. O astro Didier Drogba segue sendo a grande referência no setor ofensivo, que conta ainda com opções de muita qualidade como  Wilfried Bony, do Swansea.

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Croácia: para fazer história outra vez

CROACIA

Entre os países resultantes do desmembramento da república soviética, a Croácia é o que obteve resultados mais expressivos, revelando jogadores talentosos e formando times competitivos. Por isso, desde 1998, quando conseguiram chegar às semifinais da Copa da França, os croatas sonham em se consolidar como grandes herdeiros do futebol iugoslavo. Em 2014, as esperanças são altíssimas: apesar de ter caído num grupo complicado, que tem os donos da casa como grandes favoritos e duas outras seleções de nível parelho, o grupo montado para vir ao Brasil é o mais qualificado desde aquele liderado por Boban e Suker. Do meio para trás, tem jogadores como Srna, lateral direito e ídolo do Shakhtar, e Lovren, zagueiro do Southampton. No setor ofensivo, o time tem Modric, Rakitic e Kovacic formando o meio de campo, além da presença dos artilheiros Mandzukic e Olic, entre outros. Caso avance às oitavas, é um time para se ficar de olho.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.