Tim Cahill, o amante dos recordes

Foto: Getty Images/ Jeff Gross - Cahill foi a principal estrela da Austrália no mundial

Foto: Getty Images/ Jeff Gross – Cahill foi a principal estrela da Austrália no presente mundial

Por O Futebólogo

Não é possível negar a surpresa que o desempenho da Seleção da Austrália na Copa do Mundo está causando. Os Socceroos obliteraram os prognósticos, que diziam que a equipe seria o “saco de pancadas” do grupo. Sim, os australianos perderam suas duas partidas, mas o futebol desempenhado em ambas esteve longe da fragilidade desenhada por analistas de todo o mundo. Sem a maior parte da “Geração de Ouro”, composta por nomes como Mark Schwarzer, Jason Culina, Brett Emerton, Mark Viduka e Harry Kewell, contudo, ladeado por Mark Bresciano e Mark Milligan, remanescentes da Copa de 2006, um jogador segue em alta, e, como aparenta gostar, quebrando recordes.

Filho de um pai inglês de origem irlandesa, e de uma mãe samoana, Tim Cahill, nascido em Sydney, começou a sua senda de feitos espetaculares ainda aos 14 anos. Em 1994, após receber um convite da Federação de Futebol da Samoa, o adolescente aceitou disputar o campeonato sub-20 da confederação de futebol da Oceania. Disputou duas partidas com a camisa da Samoa, na categoria de jogadores de até 20 anos.

Foto: Reprodução - No Millwall, Cahill alcançou seu primeiro destaque

Foto: Reprodução – No Millwall, Cahill alcançou seu primeiro destaque

Já no Millwall, onde se profissionalizou e estreou aos 18 anos, o australiano se tornou, em 2004, o primeiro jogador da história do clube a conquistar um lugar no Team of The Year (equipe do ano), eleita pela PFA (Professionals Footballers’ Association). Ainda na segunda divisão, compôs o melhor meio campo do segundo escalão inglês ao lado do galês Jason Koumas (West Bromwich), de Michael Carrick (West Ham) e de Andy Reid (Nottingham Forest).

Com o fim da temporada 2003-2004, Cahill partiu para o Everton, onde viveria a maior parte de sua carreira. Logo em sua primeira temporada, foi o artilheiro do clube no ano e eleito o jogador da temporada pelos torcedores. Foram 12 gols. No ano seguinte, conseguiu um lugar entre os 50 melhores jogadores do ano, em votação da revista France Football, o primeiro jogador do Everton, nos últimos 18 anos, a alcançar tal feito.

Foto: Reprodução -  Na Copa de 2006, Kewell e Cahill eram os grandes destaques dos Socceroos

Foto: Reprodução – Na Copa de 2006, Kewell e Cahill eram os grandes destaques dos Socceroos

Em 2006, dois anos após receber permissão da FIFA para defender a Austrália, Cahill começou a fazer história no cenário mundial. Dividindo grupo com Brasil, Croácia e Japão, os Socceroos conseguiram, pela primeira vez em sua história, avançar de fase em Copas. Além deste feito coletivo, Tim Cahill, que sofrera lesão nos ligamentos do joelho poucos meses antes da competição, tornou-se o primeiro jogador a anotar um gol em uma Copa do Mundo pela Austrália e, também, o primeiro a marcar dois gols no mesmo jogo. Na ocasião – jogo contra o Japão – seus gols, um aos 84 minutos, o outro aos 89, deram a virada da equipe contra o Japão.

Na temporada 2008-2009, o australiano se tornou o primeiro jogador do Everton, desde Dixie Dean – que atuou no clube entre 1925 e 1937 –, a marcar em três clássicos contra o Liverpool. Já na Copa de 2010, na partida de sua Seleção contra a Sérvia, aumentou seu recorde em Copas, marcando mais um tento. Foi o primeiro jogador de seu país a marcar em duas Copas do Mundo.

Foto: Reprodução - Em 2010, Cahill marcou seu terceiro gol em Copas

Foto: Reprodução – Em 2010, Cahill marcou seu terceiro gol em Copas

Em 2013, já no New York Red Bulls, conseguiu um lugar no MLS Best XI, seleção do campeonato norte-americano.

Já no mundial corrente, Cahill anotou gols contra o Chile e contra a Holanda – uma verdadeira pintura – chegando à marca de cinco tentos em Copas do Mundo e tornando-se o primeiro australiano a marcar em três Copas do Mundo. Em dados gerais, Cahill é o nono jogador que mais vezes vestiu a camisa dos Socceroos, com 71 aparições, e também o maior artilheiro, com 34 gols – vale a lembrança de que o jogador só estreou pela seleção aos 24 anos, quando a FIFA permitiu sua mudança de nacionalidade.

O australiano pode não ter mostrado a qualidade de grandes craques como Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo, todavia, para os australianos e para o futebol de seu país, sua importância é do mesmo tamanho ou maior que a dos maiores destaques do futebol mundial. Suas atuações e finalizações cirúrgicas, principalmente usando a cabeça, sempre serão lembradas.

Para nosso infortúnio, Doentes, ele está suspenso e não enfrenta a Espanha na próxima partida australiana na Copa, que pode também ter sido sua última (em Copas) na carreira. Entretanto, para um jogador com tantas marcas na carreira, a Rússia, em 2018, é logo ali, e os 38 anos podem não ser uma barreira.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.