Trono vazio

  • por Leandro Lainetti
  • 7 Anos atrás

O mar vermelho no entorno do Maracanã horas antes do jogo já indicava: os chilenos, assim como fizeram em Cuiabá, iriam tomar conta do estádio.

A vontade de participar do jogo era tão grande que pode ser medida pelas imagens de selvageria de parte dos sul-americanos ao literalmente invadirem, quebrando o que estivesse pela frente, o Maior do Mundo. O hino à capela, como a torcida brasileira vem fazendo, certamente fez reverberar na cabeça dos Espanhóis a final da Copa das Confederações do ano passado.[youtube id=”HQH6wpVGpKQ” width=”620″ height=”360″]

Bola rolando e em dois minutos o Chile quase abriu o placar por duas vezes, deixando bem claro que o massacre não seria somente nos anéis (ainda que não sejam tão anéis assim) do Maraca, e que a ideia era matar para não correr o risco de morrer. Dito e feito. Aos 19 minutos, Vargas deu o primeiro golpe, fazendo a Fúria sangrar.

A Espanha insistia no tiki-taka, por mais que os rivais já tivessem encontrado o antídoto, assim como Brasil e Holanda: marcação intensa, pesada, e muita movimentação para não permitir a criação de espaços. O tempo foi passando, e o relógio caminhava para o fim do primeiro tempo, talvez para Vicente Del Bosque tentar uma estratégia diferente e se manter no topo da hierarquia do futebol. Mas Casillas, herói em outras oportunidades, rebateu mal uma falta e ofereceu a bola para Aránguiz. O segundo golpe, quase uma tacada de sinuca, fez o sangue jorrar de vez.

Golpe fatal: Aránguiz comemora e espanhóis vão abaixo

Golpe fatal: Aránguiz comemora e espanhóis vão abaixo | Foto: AFP

Os 45 minutos finais foram apenas protocolo, um interminável tic-tac para torturar os reis da posse de bola, aqueles que sempre controlaram o relógio sob as próprias chuteiras. O fim do jogo fez explodir a massa chilena no Maracanã, e a festa da verdadeira Roja começou, trazendo o que pode ser, se não o fim, uma adaptação, evolução, ou mesmo uma mudança na filosofia que conquistou duas Eurocopas e um Mundial desde 2008, e foi tendência por todo o mundo enquanto reinou absoluta.

Mas a Copa das Copas, mostrando porque é tão diferente das outras, escreve mais um capítulo em suas páginas já repletas de histórias e jogos incríveis.

Dia 18 de junho de 2014. O dia que caiu o Rei. O dia que caíram os súditos.

Tchau, Espanha.

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Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.