Um homem só

  • por Leandro Lainetti
  • 6 Anos atrás

Quando perfiladas para a execução dos hinos nacionais, Alemanha e Portugal não possuíam segredos. Os tricampeões mundiais, recheados de excelentes jogadores, formavam um conjunto invejável. Talvez, e um talvez mais puxado para a certeza, cada alemão ali parado fosse titular em qualquer outra seleção do mundo. Olhando para os portugueses, o talvez nem entra na brincadeira. Apesar de alguns bons valores, Portugal é o exército de um homem só: Cristiano Ronaldo.

Melhor do mundo, uma máquina no aspecto físico, o jogador quase perfeito. Ainda que longe das condições ideias, Cristiano era a esperança de passes, gols, encantamento, quem mantinha os sonhos portugueses tangíveis, mesmo que longínquos diante do exército alemão. E os sonhos, tão reais quanto enganosos, começaram a virar fumaça aos 7 minutos, quando Khedira quase abriu o placar no presente dado por Rui Patrício. Era o prelúdio.

Retrato português: Crisitiano Ronaldo solitário na seleção|Foto: Divulgação/FIFA

Retrato português: Crisitiano Ronaldo solitário na seleção | Foto: Divulgação/FIFA

Dois minutos depois, Müller, praticamente um solista em balançar as redes da Fonte Nova, abriu o placar após pênalti sofrido por Gotze. O show do camisa 13 teve uma breve participação quando Kroos cruzou na área e a bola encontrou, como um tiro de bazuca, a cabeça de Hummels para fuzilar o arqueiro adversário.

E o que está ruim sempre pode piorar, como provou Pepe, um homem só rumo ao vestiário mais cedo. Na solidão de seu pensamento tolo, talvez tenha achado que poderia usar braço e cabeça não como partes do corpo, mas sim como armas em uma guerra contra os rivais que, solitariamente, ele cisma em travar. Müller, envolvido também na expulsão do português, recomeçou o show no último ato do primeiro tempo ao marcar mais um, que ainda não significava o fim.

Thomas Muller, artilharia pesada|Foto: Divulgação/FIFA

Thomas Muller, artilharia pesada | Foto: Divulgação/FIFA

O fim só poderia chegar quando o dono do show resolvesse encerrar o repertório. E, aos 32 minutos do segundo tempo, com a bola se oferecendo tal qual um cachorro pedindo carinho, Müller fez seu terceiro, assumindo a artilharia da Copa e anotando seu oitavo gol em duas edições e sete jogos (alô, Ronaldo!).

A tarde ensolarada em Salvador mostrou que a solidão afaga e castiga. Müller solitário e alegre na artilharia. Pepe solitário nos surtos de raiva. Cristiano Ronaldo solitário e inoperante em campo. O exército de um homem só não foi páreo para um exército inteiro.

Comentários

Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.