A consagração de Schweinsteiger

  • por Henrique Joncew
  • 3 Anos atrás
Scheinstaça na mão (Fonte: SDGPR).

Schweinstaça na mão (Fonte: SDGPR).

Bastian Schweinsteiger é a síntese em campo do futebol moderno e da profunda reforma do futebol alemão nos anos 2000. Messi e Cristiano Ronaldo são os atacantes do impossível, mas o bávaro, além de qualidade, é um ponto de equilíbrio no meio-campo, setor crucial do esporte bretão. Surgido como um “apenas” bom ponta esquerdo no Bayern de Munique, Schweinsteiger foi deslocado por Louis van Gaal para volante. Na nova posição, começou a fazer história.

O futebol estava habituado às figuras do “primeiro volante”, brucutu, forte, marcador, mas sem grande capacidade para a sair jogando, e do “segundo volante”, que sai à vontade para o jogo, mas que não tem a mesma facilidade para marcar os adversários, atuando como figura secundária na defesa. Schweinsteiger é os dois. Primeiro e segundo. Único. O alemão dispensa dupla e libera espaço para que entre mais um jogador no ataque. No futebol moderno, o volante assumiu função primordial: é ele quem protege a defesa, realiza a distribuição de jogo, chega à frente para definir.

Mas já temos texto para falar das qualidades do jogador. A questão aqui é que a consagração de Schweinsteiger fez jus a uma característica marcante de sua carreira: a redenção.

Nem sempre foi só alegria. O alemào sofreu duras derrotas com a Seleção e o Bayern de Munique (Fonte: Fanpop).

Não foi sempre alegria. Bastian teve duras derrotas na Seleção e no clube (Fonte: Fanpop).

Se pelo Bayern de Munique era soberano nas competições alemãs, o jogador sofreu para entrar no rol de campeões europeus. Tentou uma, duas, três vezes. Na primeira, caiu diante da Internazionale, em 2010. Na segunda, em 2012, o baque foi pior: perdeu em casa para o Chelsea nos pênaltis, e ainda desperdiçou sua cobrança. Na terceira, um ano depois, finalmente veio o título, na final caseira contra o Borussia Dortmund.

Um craque como Schweinsteiger, comandante de uma geração talentosa como a atual Seleção Alemã, não poderia deixar de escrever seu nome na Copa do Mundo. E o jogador também teve que sofrer para ganhar o Mundial. Tentou uma, duas, três vezes. Na primeira, em 2006 a Alemanha caiu em casa diante da Itália nas semifinais, na prorrogação, e Schweinsteiger, ainda jovem e na ponta esquerda, deu aos torcedores o alento do terceiro lugar contra Portugal, participando de todos os gols da vitória. Na segunda, já como volante, liderou uma equipe de futebol encantador, mas de novo morreu na praia: a Alemanha foi vencida também na semifinal pela Espanha. Novamente na disputa do terceiro lugar, o camisa 7 deu uma pequena demonstração de capacidade de se redimir: após falhar em um dos gols da virada uruguaia, comandou seus companheiros para a nova reviravolta do placar que deu o segundo bronze seguido aos germânicos.

A terceira e talvez última oportunidade para Schweinsteiger veio no Brasil. Com problemas de lesão, o alemão foi poupado no começo da Copa. A partir da segunda partida, começou a ser utilizado e na terceira já era titular, conferindo tranquilidade a uma equipe que ainda não convencia.

A Alemanha foi avançado e chegou a mais uma semifinal, fase dos dois traumas anteriores. Teria pela frente a Seleção Brasileira, dona da casa. E, finalmente, espantou os fantasmas. O da semifinal para os alemães e, de quebra, o de 1950 para os brasileiros, mas para estes, deixou um novo: 7×1 que falam por si. Até aí, Schweinsteiger, talvez por causa de sua condição física, não foi o protagonista do time: Toni Kroos e Thomas Müller foram os grandes destaques.

O craque alemão chocou-se com Agüero e o sangue correu abaixo de seu olho: tudo fica mais dramático com sangue (Fonte: Reuters).

O craque alemão chocou-se com Agüero na final e o sangue correu abaixo de seu olho: tudo fica mais dramático com sangue (Fonte: Reuters).

Mas no Maracanã foi diferente. A final da Copa do Mundo foi a deixa para Schweinsteiger retomar a batuta e a função de maestro. O volante foi o melhor jogador em campo, atuando durante todo o tempo regulamentar mais a prorrogação com uma precisão defensiva que calou qualquer um que ainda pensasse que “esse meio da Alemanha é bom, mas é faceiro demais, não tem quem marque direito”. Para deixar tudo mais dramático, Agüero se chocou justamente com Schweinsteiger e abriu um corte abaixo do olho do alemão, que sangrou bastante. Com a defesa segura, Götze pode dar fim à seca alemã com um belo gol.

O tetra veio. A redenção veio.

A Schweinsteiger, restou somente liderar a festa alemã com a taça na mão. O craque, enfim, conquistou tudo que merecia e definitivamente escreveu seu nome na história do futebol, para ser cantado uma, duas, três vezes. E mais quantas forem.

Consagrado, Schweinsteiger comanda a festa alemã no Maracanã.

Consagrado, Schweinsteiger comanda a festa alemã no Maracanã.

Comentários

Geólogo. Fã de futebol, Fórmula 1, paleontologia, astronomia e pirataria desde criança. Belo horizontino, cruzeirense e líbero, armador ou atacante canhoto. Tem Zidane e Velociraptor como grandes ídolos e modelos de vida. Gosta de batata frita, do espaço e de combater o crime à noite sob o disfarce de Escorpião Negro.