A orquestra e o solista

  • por Henrique Joncew
  • 4 Anos atrás

KROOS X MESSI

A sinfonia alemã, regida surpreendentemente por Toni Kroos ao invés de Schweinsteiger, voltou às graças das plateias ao redor do globo. A melodia em forma de bola germânica começou com um Allegro contra Portugal e gerou expectativa, mas muitos foram frustrados pelo Adagio que se seguiu pelo restante da Copa. Inquieto, o espectador queria ouvir com os olhos novamente as notas rápidas que vibraram olhos, braços, gargantas, ouvidos e redes.

E foi recompensado com um Prestissimo épico que abafou o som d’O Guarani tupiniquim em sete atos. Aquele, sim, era o que todos esperavam da orquestra alemã.

Mas a música clássica tem disso: oscila longamente entre toadas aceleradas e lentas. Outrora apreciada nos grandes salões, com dança, pompa e circunstância, hoje brinca com a impaciência do ouvinte moderno, acostumado com as batidas rápidas, com os solos criativos de um rompante de genialidade.

Acostumado com Messi.

A Pulga argentina com um quê de flamenco está acostumada a produzir segundos oníricos com três, quatro, cinco ou quantos arpejos forem necessários, conforme o número de defensores em seu caminho. Na Copa do Mundo, interrompeu o moroso tango de seus colegas por quatro vezes para salvar o show e uma vez para passar a Di María retomar a música em um ritmo mais inflamado.

Mas Messi não tem estado na melhor forma. Contra a Bélgica, teve uma bela deixa, mas desafinou diante de Courtois. Contra a Holanda, teve sua castanhola canhota presa por Vlaar. Os fãs não perdem a esperança em seu ídolo, mas sabem que algo está faltando. Quem sabe não vem um solo final na final?

Hoje, a orquestra e o solista vão se encontrar no Maracanã. Pode ser que a Alemanha volte a um Adagio. Pode ser que Messi não brilhe em um estalo. Vai ser rápido ou lento? Sozinho ou em grupo? Para quem assiste, a esperança é de um espetáculo alucinante. Para a história, o que importa é que só um pintará de dourado o palco verde.

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Geólogo. Fã de futebol, Fórmula 1, paleontologia, astronomia e pirataria desde criança. Belo horizontino, cruzeirense e líbero, armador ou atacante canhoto. Tem Zidane e Velociraptor como grandes ídolos e modelos de vida. Gosta de batata frita, do espaço e de combater o crime à noite sob o disfarce de Escorpião Negro.