Arsenal evolui, mas falta quem decida

Foto: SkySports - Sánchez é a nova aposta do Arsenal

Foto: SkySports – Sánchez é a nova aposta do Arsenal

Por O Futebólogo

Entre os anos de 2005 e 2014, o Arsenal viveu um jejum inquietante de títulos. Esse período de intervalo coincidiu com o arrefecimento do clube. Aos poucos, suas grandes estrelas, jogadores decisivos, foram deixando o clube. Patrick Vieira, Dennis Bergkamp, Thierry Henry, Sol Campbell, Cesc Fàbregas e, mais recentemente, Robin van Persie, são alguns exemplos. Além disso, seus rivais diretos – exceção feita ao Liverpool, que passou tempos ruins até a última temporada – só cresceram. Manchester United, Chelsea e Manchester City passaram a dominar a disputa pelo título inglês. Além disso, seu grande rival local, o Tottenham, também evoluiu nesse interregno.

Na temporada recém-finda, quando acertou a contratação de Mesut Özil, o clube londrino voltou a empolgar seu torcedor. O início da campanha foi excepcional, com a impressionante evolução técnica do meio-campista Aaron Ramsey e a boa forma do contratado alemão. Contudo, algumas lesões de jogadores-chave, casos do próprio Özil, Theo Walcott, Alex Oxlade-Chamberlain e Thomas Vermaelen, foram minando a boa forma da equipe, que aos poucos saiu do páreo pelo título nacional, mas conseguiu manter-se classificada para a UEFA Champions League.

Aparentemente, depois de um longo tempo de frustrações para seus torcedores, os Gunners resolveram aplicar-se no mercado de transferências. A contratação de Özil e a recente conclusão do acordo com o atacante chileno Alexis Sánchez são sinais fortes disso. Ademais, especula-se a contratação do volante Sami Khedira, que, se não é um craque, é um jogador de grande valor no mercado. Tudo isso é animador. Todavia, falta ao clube um jogador decisivo, letal.

Foto: Getty Images - Desde o craque Henry, o Arsenal não tem alguém que ganhe pontos sozinho

Foto: Getty Images – Desde o craque Henry, o Arsenal não tem alguém que ganhe pontos sozinho

Desde a saída de Henry, ao final da temporada 2006-2007, o artilheiro do clube na Premier League, em uma temporada, só superou a marca de 20 gols em duas ocasiões, nas temporadas 2007-2008 e 2011-2012, primeiro com o togolês Emmanuel Adebayor, autor de 24 gols, e depois com Robin van Persie, que marcou 30 tentos. Se serve de comparação, em oito temporadas, o atacante francês anotou 174 gols na Premier League, média de 21,75 por temporada. Nesse período, o clube londrino conquistou duas Premier Leagues, três FA Cups e duas Community Shields.

É evidente que, por trás do desempenho do craque francês, havia vários outros jogadores de qualidade, mas o principal diferencial era Henry, cuja categoria decidiu muitos jogos sozinho. Fazendo uma interface deste passado recente com o presente, percebe-se que a estrutura do Arsenal tem jogadores de muita qualidade, mas falta um jogador decisivo, como o uruguaio Luis Suárez foi para o Liverpool, ou o argentino Sergio Agüero para o campeão Manchester City. Olivier Giroud, principal homem de área de Arsène Wenger, por mais esforçado que seja, não é esse jogador.

Foto: Getty Images - Não há dúvidas de que Özil é um jogador de grande categoria, mas não é tão decisivo

Foto: Getty Images – Não há dúvidas de que Özil é um jogador de grande categoria, mas não é tão decisivo

Homem dos passes, Özil é sim craque, mas não tem tanto poder de decisão. Sánchez, atacante de velocidade, faz muitos gols, tendo quase chegado à marca de 20 tentos na última temporada, mas também não é a referência de que carece a equipe. Nenhum desses é um jogador que decida um campeonato, que tire coelhos da cartola e grandes resultados dos bolsos. Para piorar, seus rivais diretos têm jogadores com esse perfil.

Não é necessário que esse jogador seja um centroavante. O galês Gareth Bale demonstrou isso na temporada 2012-2013, ocasião em que marcou 21 tentos e foi o grande nome do Tottenham. Mas, pensando o elenco de Wenger, um camisa nove de classe mundial poderia ser a exata peça que falta ao elenco alvirrubro. Em todo caso, o simples fato de estar pensando grande já dá esperanças ao torcedor Gunner. No entanto, a contratação de um atacante de topo, um jogador decisivo como, por exemplo, o colombiano Falcao García, ou o sueco Zlatan Ibrahimovic, poderia recolocar o Arsenal no topo da Inglaterra, evitando, assim, que o terceiro maior vencedor do país se distancie ainda mais dos seus concorrentes.

Comentários

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.