Blitzkrieg

  • por Henrique Joncew
  • 6 Anos atrás
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Foto: Superesportes

Inapelável. Não houve hino que segurasse ou máscara de Neymar que iludisse. Um tempo que começou com um Brasil vibrante mostrou-se nada menos que um massacre alemão.

Quando David Luiz ficou preso na movimentação dentro da área na cobrança de escanteio de Kroos, o escrete canarinho ruiu. E o gol de Müller foi só o começo.

Contra um meio-campo perdido, onde Fernandinho fazia uma partida desastrosa, Toni Kroos jogou à vontade. Tropeçando, teve tempo para deixar Müller na área para marcar o segundo com tranquilidade. Mas o artilheiro alemão na Copa quis dar um toque de crueldade e deixou para Miroslav Klose balançar as redes e tornar-se isoladamente o maior artilheiro da história dos Mundiais, diante dos olhos do próprio Ronaldo, recordista anterior. Dez minutos depois, Kroos (duas vezes) e Khedira já haviam tripudiado da defesa brasileira.

E não tem como dizer que foi injusto. A Alemanha foi muito bem e o Brasil muito mal. O jogo foi um exagero. O placar, não.

Porque não eram apenas falhas na defesa. O ataque não agredia. Não evitava que a Alemanha retomasse a bola. Bernard, que não fez bons jogos na Copa, manteve o baixo nível. Fred, novamente, pouco participou. Hulk, antes voluntarioso, foi apático.

Em meia hora, o Brasil caía humilhado diante de sua torcida, e pelos 60 minutos seguintes cumpriu a pena por entrar tão desligado em uma semifinal de Copa do Mundo. Ouvindo os xingamentos da torcida, os jogadores corriam fazendo papel de bobos e consagrando também o goleiro Neuer. Ramires, Paulinho e Willian foram atirados em campo apenas para alguém dizer que se tentou alguma mudança. David Luiz, principal personagem da seleção, ainda teve tempo de perder a cabeça e tentar acerta Müller com uma bolada violenta e, ainda mais pateticamente, furou. O dia foi tão ruim que nem chilique funcionou.

A Alemanha, enfim, jogou como se esperava e carimbou com autoridade sua passagem para o Rio. Os golpes de Schürrle não foram de misericórdia. Foram a lição final que Copa do Mundo é coisa séria e não abre margem para usar a ausência de jogador A ou B como desculpa para jogar mal. E vazar Neuer no final não fez a menor diferença. Ou houve alguma honra no gol de Oscar?

 

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Geólogo. Fã de futebol, Fórmula 1, paleontologia, astronomia e pirataria desde criança. Belo horizontino, cruzeirense e líbero, armador ou atacante canhoto. Tem Zidane e Velociraptor como grandes ídolos e modelos de vida. Gosta de batata frita, do espaço e de combater o crime à noite sob o disfarce de Escorpião Negro.