Fruto do planejamento dá a Copa do Mundo para a Alemanha

Foto: Getty Images - Mario Götze, o herói do tetra alemão

Foto: Getty Images – Mario Götze, o herói do tetra, é fruto do planejamento alemão de anos

Após 24 anos na fila, a Alemanha finalmente conquistou o tetracampeonato mundial de seleções. O planejamento deste trabalho, cuja execução começou logo após o vice-campeonato de 2002 (quando perdeu a Copa para o Brasil), teve, neste dia 13 de julho de 2014, sua merecida recompensa. E um dos principais frutos dessa gestão futebolística, que envolveu mudanças em todas as categorias e forte investimento da DFB (Confederação Alemã de Futebol), foi esta taça conquistada pelos germânicos.

Mario Götze é uma das grandes revelações da talentosa safra alemã – um dos símbolos deste trabalho bem feito. O atleta, que hoje joga no Bayern de Munique, iniciou sua carreira atuando em pequenos clubes do sul alemão, quando chamou a atenção de olheiros do Borussia Dortmund. Em 2001, com nove anos, foi contratado pelos aurinegros, e lá começou a desenvolver exatamente o que a DFB passou a defender no início do projeto com relação à formação de seus jogadores, que são 50% técnica e 50% força física e poder.

Ano após ano, Götze mostrava crescente desempenho, sendo o principal destaque dos garotos do BVB. Com apenas 15 anos e mostrando um futebol bastante promissor, a Confederação Alemã o convocou para que atuasse também em suas categorias de base.

Mario passou pelas categorias sub-15, sub-16, sub-17, sub-21 e, em 2010, foi promovido para a seleção principal, fazendo sua estreia contra a Suécia, em 17 de novembro daquele ano. Foram quase quatro anos de constante evolução e de fortalecimento do entrosamento com os jogadores – do Borussia Dortmund e também do Bayern, ambos base da Mannschaft. Trabalho em conjunto e foco na Copa sediada no Brasil – que era, de fato, o grande objetivo da Alemanha quando montou estes planos, anos atrás.

Chegou sua primeira Copa do Mundo. Mesmo sem fazer um grande Mundial, Götze foi titular da Alemanha em três das sete partidas disputadas. Entrou em outros dois jogos – apenas contra o Brasil ficou de fora, mas, após o massacre já construído no primeiro tempo, não havia tanta necessidade de entrar, convenhamos –, provando assim ser um homem de confiança de Joachim Löw.

Na final, contra a Argentina, a consagração. Novamente começou no banco e, aos 88 minutos, quando o jogo já se encaminhava para a prorrogação, Götze teve a missão de substituir Miroslav Klose, aquele que havia feito história com sua seleção nesta mesma Copa. Antes de ser substituído, o maior goleador da história das Copas profetizou para aquele que entraria em seu lugar: “você consegue, você marcará o gol!”. Vinte minutos depois o gol saiu, e de forma linda, após receber bela assistência de Schürrle, matar no peito e estufar, de pé esquerdo, as redes argentinas. Era o gol do título, o gol da consagração – não apenas deste jovem de 22 anos, mas de todo o trabalho planejado que o circundava.

Foto: Getty Images - Götze comemora o gol do título, o gol que consagrou uma geração inteira

Foto: Getty Images – Götze comemora o gol do título, o gol que consagrou uma geração inteira

Götze mostrou, neste histórico 13 de julho de 2014, que todo o planejamento de 12 anos da Alemanha valeu muito a pena. Um trabalho que, além de ter consagrado uma geração brilhante de jogadores, recolocou a Alemanha no ápice do futebol mundial. Um planejamento bem sucedido não apenas no que diz respeito aos jogadores, mas também quando deu ao grupo a tranquilidade de trabalhar em Santa Cruz Cabrália. Neste ambiente  construído pela DFB especialmente para a Copa , a seleção pôde encontrar a tranquilidade necessária para se concentrar e focar sua energia inteiramente no campeonato que, pouco mais de um mês depois, venceria.

Fica um belo exemplo para a CBF seguir nos próximos anos – desde o incentivo dado aos clubes para desenvolvimento de jovens jogadores (quem sabe até um futuro Götze tupiniquim) até o ambiente de trabalho da seleção às vésperas de uma Copa do Mundo.

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Estudante de Jornalismo. Foi editor de futebol alemão e holandês na VAVEL Brasil e cofundador da VAVEL Portugal. É blogueiro do Bayern no ESPN FC (projeto da ESPN Brasil) e completamente Doente por Futebol.