Incógnitas na Toca do Leão

  • por Léo Moamed
  • 5 Anos atrás

 Por Diógenes Baleeiro Neto (@dbaleeironeto)

 

Perda do campeonato estadual para o maior rival, eliminação precoce na Copa do Brasil para um time que não vale sequer a pesquisa no Google para lembrar o nome, humilhante despedida da Copa do Nordeste e, no Brasileirão, dos vinte e sete pontos disputados, apenas sete conquistados. Eis o nada animador balanço do primeiro semestre do Vitória. Tal e qual duzentos milhões de brasileiros após a histórica goleada dos alemães de Cabrália, os torcedores rubro-negros empenham-se em encontrar os culpados: Rodrigo Defendi, Ney Franco, Jorginho, Carlos Falcão, Felipe Ximenes, Alexi Portela, Papa Francisco, ACM Neto, Dilma Roussef, Barack Obama, Angela Merkell, dentre outros, são apontados pela torcida do Leão como responsáveis pelo péssimo rendimento do time.

Chegando a Copa do Mundo perto de seu final, as anunciadas negociações com Victor Ramos, Kanu, Dudu Cearense, Elano, Jorge Wagner e Jorge Henrique foram substituídas pelas contratações de Marcos Júnior, Marcinho, Adriano (volante) e Richarlysson, além do retorno da cria da base Romário. Das promessas pré-recesso, apenas a do retorno do zagueiro Kadu foi cumprida. Isso sem falar que: a) Marquinhos (o nosso Neymar) foi para o Cruzeiro; b) a mais nova contratação especulada – do meia uruguaio Luís Aguiar – foi feita com base em DVD ; e c) às vésperas do retorno do brasileirão, algo em torno de duzentos e cinquenta jogadores do elenco estão entregues ao DM.

Mas nem tudo é motivo para deixar a Toca do Leão no nível Granja Comary de melancolia. Há pelo menos três motivos o torcedor rubro-negro ficar menos desesperado: a) Escudero, afastado por lesão desde fevereiro, teve seu retorno antecipado para agosto; b) o zagueiro (?) Rodrigo Defendi, que honra o sobrenome exercendo sua função com a mesma categoria com que este escriba caça baleias, rescindiu o seu contrato e foi para o futebol português; e, o mais importante, c) o Vitória voltará a mandar os seus jogos no Barradão, que ficou indisponível durante todo o primeiro semestre para sediar treinos das seleções de Irã, Bélgica e Costa Rica durante a Copa do Mundo.

Além disso, pode-se afirmar, com convicção peveciana, que os números favorecem o Vitória: há quatro anos, na pausa para a Copa de 2010, três dos quatro times que se encontravam no Z4 (Atlético/MG, Vasco e Atlético/GO) conseguiram se salvar da degola; ou seja, há, para os que lá estão hoje, 75% de chances de se livrar do rebaixamento. É certo, também, que o Vitória foi rebaixado naquele mesmo ano, em que aguardava ansiosamente o encerramento do Mundial na África do Sul para disputar a final da Copa do Brasil contra o Santos de Neymar, dado que, no entanto, conduz a outra constatação: na era dos pontos corridos, o Vitória só foi rebaixado à Série B quando avançou na Copa do Brasil – em 2010, quando foi finalista e em 2004, quando chegou às semifinais –, jamais caiu quando foi eliminado na primeira fase. Além disso, nunca houve rebaixamento do rubro-negro em ano de Copa do Mundo realizada no Brasil, o que é motivo suficiente para tranquilizar o mais pessimista dos torcedores do Leão neste até agora melancólico 2014.

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