James entra para a lista de sul-americanos artilheiros do Mundial

  • por Gustavo Ribeiro
  • 6 Anos atrás
Foto: Elconomista - James comemorando um de seus gols no Mundial

Foto: Elconomista – James comemorando um de seus gols no Mundial

A Copa terminou e a Alemanha ficou com a taça. Mas além do troféu de campeão, outros prêmios foram distribuídos, como a bola de ouro dada ao melhor jogador e o prêmio de revelação dado ao francês Pogba. Mesmo com a Colômbia sendo eliminada nas quartas de final, James Rodríguez, de 23 anos, terminou a Copa do Mundo de 2014 como artilheiro, com seis gols em cinco jogos, recebendo a chuteira de ouro da Fifa e se tornando o primeiro colombiano a conseguir tal feito.

James Rodríguez chegou a marcar em suas cinco primeiras partidas no Mundial. O último a conseguir tal feito foi o brasileiro Rivaldo, em 2002.  Outro grande feito do craque colombiano foi se tornar o segundo jogador mais jovem a marcar seis gols em um Mundial, ficando atrás apenas do brasileiro Pelé, que no Mundial de 1958, com seus 17 anos, marcou os mesmos seis gols.

Essa é a 10ª vezes que um jogador sul-americano alcança a artilharia da Copa do Mundo. Os outros a conseguirem a façanha foram Stábile (1930), Leônidas da Silva (1938), Ademir (1950), Garrincha (1962), Vavá (1962) e Sánchez (1962), Kempes (1978), Ronaldo (2002) e Forlán (2010).

Guillermo Stábile:

O Uruguai foi o campeão da Copa de 1930, a primeira da história, mas o prêmio de artilheiro da competição ficou com o argentino Guillermo Stábile, autor de oito gols. Atacante rápido, habilidoso e com faro de gol, Stábile chegou à Copa como jogador do Huracán, onde debutou em 1924. Sua estreia naquela Copa (e com a camisa da seleção) só aconteceu no segundo jogo, porque o titular Roberto Cherro teve um ataque de ansiedade e não conseguiu entrar em campo.

Logo em sua primeira partida, contra o México, ele marcou três gols na vitória de 6×3. Também deixou dois contra o Chile, dois contra os Estados Unidos na semifinal e um na final contra o Uruguai. Foram oito gols em quatro jogos.

Leônidas da Silva

O “Diamante Negro”, como era conhecido, foi o grande destaque da participação do Brasil na Copa do Mundo de 1938, que foi disputada na França. O Brasil vinha de um péssimo Mundial em 1934, em que Leônidas tinha anotado o único gol da seleção brasileira na competição. Mas em 38, com um time mais organizado, o atacante foi monstruoso, levou o Brasil à semifinal e foi eleito o craque da competição.

Leônidas só deixaria sua marca no segundo jogo do Brasil no torneio, na vitória de 6×5 contra a Polônia na prorrogação. O atacante marcou três vezes, sendo duas delas já no tempo extra. Nas quartas de final, contra a Tchecoslováquia, o anotou o gol do empate em 1×1, na partida que ficou conhecida como “Batalha de Bordeux”, uma das mais violentas de todas as Copa. Dois dias depois, no jogo-desempate, o Brasil venceu por 2×1 de virada, com Leônidas igualando o placar aos sete minutos do segundo tempo.

Na semifinal, Leônidas não enfrentou a Itália por causa uma lesão e o Brasil foi derrotado por 2×1. Na decisão pelo terceiro lugar, a seleção venceu a Suécia por 4×2, com Leônidas marcando o segundo e o terceiro gols da vitória brasileira. Desta forma, terminou a Copa no topo da artilharia, com incríveis sete gols em quatro jogos.

Ademir

Conhecido como “Queixada” pelo tamanho de sua mandíbula, Ademir Marques de Menezes foi artilheiro da Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil. Ídolo do Vasco nos anos quarenta, Ademir pouco é lembrado quando se fala do primeiro Mundial disputado no país, até porque o grande craque da Copa foi seu companheiro Zizinho.

O Brasil estreou na Copa do Mundo vencendo o México por 4×0, e Ademir aproveitou para deixar sua marca duas vezes, marcando o primeiro e o quarto gol. Após passar a segunda rodada em branco, voltou a balançar as redes na vitória de 2×0 sobre a Iugoslávia. No Quadrangular Final, o Brasil estreou vencendo o a Suécia por 7×1 e o destaque do jogo foi Ademir com quatro tentos anotados. Contra a Espanha, marcou duas vezes e o Brasil venceu por 6×1.

Contra o Uruguai, no jogo da última rodada do Quadrangular e que valia o título, o Brasil foi derrotado por 2×1 e Ademir passou em branco. Mas, ainda assim, terminou a competição como artilheiro, com nove gols em seis jogos. Até hoje, Ademir é o maior artilheiro do Brasil em uma única edição de Mundial, seguido de perto por Ronaldo, que marcou oito gols em sete jogos na Copa de 2002.

Garrincha, Vavá e Leonel Sánchez

A Copa do Mundo de 1962 era, até então, a Copa com menor média de gols (2,78) e isso, consequentemente, se refletiu no número de gols dos artilheiro da Copa, que terminou com seis jogadores com quatro gols marcados, entre eles os brasileiros Vavá e Garrincha e o chileno Leonel Sánchez.

Vavá não estava no seu melhor momento quando a Copa começou e tinha a posição ameaçada por Amarildo. Mas com a lesão de Pelé no segundo jogo contra a Tchecoslováquia, se garantiu no time, ganhou confiança e deslanchou. Marcou um na vitória contra a Inglaterra (3×1), dois na vitória sobre o Chile (4×2) e um na vitória na final contra a Tchecoslováquia (3×1). Foram quatro gols em seis jogos, figurando entre os goleadores.

Com a lesão de Pelé no segundo jogo do Mundial, Garrincha chamou a responsabilidade e levou a seleção ao Bicampeonato. Considerado um dos maiores dribladores de todos os tempos, o jogador foi um dos melhores na vitória brasileira sobre o Espanha (2×1) na última rodada da primeira fase. Nas quartas de final, fez uma de suas melhores exibições na vitória por 3×1 sobre a Inglaterra, marcando dois gols, sendo que o segundo foi um golaço de fora da área, encobrindo o goleiro Springett.

Na semifinal, o Brasil venceu o Chile por 4×2 e, mais uma vez, Garrincha foi o cara do jogo marcando dois gols. Com seu estilo driblador, muitas vezes procurando humilhar o adversário, Garrincha infernizou e vida dos defensores chilenos e foi caçado o jogo todo. Aos 38′ do segundo tempo, após apanhar bastante, o atacante refutou uma das pancadas e foi expulso.

Naquela época, ainda não existiam cartões amarelos e vermelhos e a expulsão era analisada por um tribunal disciplinar que determinava suspensão ou não no jogo seguinte. A Cúpula brasileira, entretanto, conseguiu sumir com o bandeirinha uruguaio Esteban Marino, principal testemunha do lance da expulsão e, com isso, Garrincha foi autorizado a disputar a final. Na decisão, o Brasil venceu a Tchecoslováquia de virada por 3×1 e conquistou o Bicampeonato. Garrincha, o craque da Copa, terminou a competição com quatro gols em seis jogos.

Leonel Sánchez foi o principal jogador da seleção chilena em sua melhor campanha na história dos mundiais, terminando na terceira colocação. Os primeiros gols do atacante na Copa foram na vitória sobre a Suíça por 3×1, ainda na fase de Grupos. O atacante só voltaria a marcar nas quartas de final, na vitória contra a União Soviética pro 2×1, abrindo o marcador aos 11 minutos. Na semifinal contra o Brasil, Sánchez marcou na derrota por 4×2. No total, foram quatro gols em seis jogos no Mundial.

Mario Kempes

Jogador elegante e habilidoso, Mario Alberto Kempes foi o grande nome do Mundial de 1978, disputado numa Argentina mergulhada em uma ditadura, que fez a seleção entrar na Copa com obrigação de conquistar o título. A vitória na Copa do Mundo era vista como uma maneira de dar alegria a um povo que sofria em um dos períodos mais tenebrosos da história do país.

Uma curiosidade de Kempes no Mundial é que ele não marcou nenhum gol nos três jogos da primeira fase. O artilheiro só viria a marcar no primeiro jogo da segunda fase, na vitória sobre a Polônia por 2×0, deixando sua marca duas vezes. Kempes voltaria a marcar duas vezes na vitória sobre o Peru por 6×0. Com a goleada, a Argentina se classificou para a Final para enfrentar a Holanda.

Na decisão, Kempes marcou novamente dois gols na vitória de 3×1. No total, foram seis gols em sete jogos na conquista. Pela seleção, foram 43 jogos disputados e 23 gols marcados.

Ronaldo

Antes da final da Copa do Mundo de 2002, a Fifa anunciou o goleiro alemão Oliver Kahn como o melhor jogador do Mundial. Mal sabia a entidade que comanda o futebol que um atacante brasileiro ainda tinha muito a mostrar no último jogo do certame.

Na Fase de Grupos, Ronaldo marcou nos três jogos, com destaque para a vitória sobre a Costa Rica, quando deixou sua marca duas vezes. Nas oitavas de final, Ronaldo fez o segundo gol da vitória brasileira por 2×0 sobre a Bélgica. Nas quartas, quando a seleção derrotou a Inglaterra (2×1), passou em branco – o único jogo em que isto aconteceu naquele Mundial.

Na semifinal contra a Turquia (1×0), marcou o famoso “gol de bico” da vitória. Mas a consagração viria na final contra a Alemanha, em que marcou os dois gols determinantes do placar (2×0), sendo o destaque da conquista do pentacampeonato. Ronaldo terminou a Copa com oito gols em sete jogos.

Diego Forlán

Após se classificar para a Copa do Mundo de 2010 através da Repescagem, o Uruguai surpreendeu a todos ao chegar na semifinal e terminar na quarta colocação. Um dos responsáveis por tal feitou foi Diego Forlán.

Após passar a estreia em branco, Forlán marcou logo dois gols na vitória sobre a África do Sul por 3×0. Mas o atacante só voltaria a encontrar o caminho das redes nas quartas de final, marcando o gol uruguaio no empate em 1×1 contra a seleção de Gana. A seleção charrúa se classificou nos pênaltis.

Na semifinal contra a Holanda, o Uruguai perdeu por 3×2, mas Forlán deixou sua marca. Com a eliminação, a Celeste teve que disputar contra a Alemanha a decisão por terceiro lugar e Forlán deixou sua marca mais uma vez, mas a Alemanha venceu por 3×2 e ficou com o posto de terceira melhor seleção da Copa. Forlán terminou o mundial com cinco gols em sete jogos, empatado com Thomas Müller, David Villa e Wesley Sneijder

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.