Luan, a personificação do espírito atleticano

Luan, a personificação do espírito atleticano

Por O Futebólogo

Quando, no início do último ano, o Atlético anunciou a contratação de Luan Madson Gedeão de Paiva, ex-Ponte Preta, grande parte dos torcedores tiveram uma certeza: após uma temporada atípica, na era dos pontos corridos, o Galo voltaria à cruz de anos pretéritos. O vice-campeonato nacional de nada adiantara, e o clube voltara a contratar “bondes”. Total desconhecido, tendo tido algum destaque no Atlético Sorocaba, o alagoano de São Miguel dos Campos chegara ao xará mineiro com a nada animadora marca de dois gols no Campeonato Brasileiro de 2012. Não havia dúvidas de que se tratava de um atacante rápido, que em pouco tempo se tornaria um reserva subutilizado.

Não bastasse a desconfiança inicial, o contratado ainda chegou lesionado. Entretanto, logo em sua estreia, na partida inaugural da bem-sucedida campanha da Libertadores do Atlético, esse quadro começou a mudar. Um pouco afobado, mas muito determinado e confiante, Luan fez uma estreia voluntariosa, com muita movimentação e velocidade.

Em pouco tempo, caiu nas graças do torcedor. Suas performances passaram a ser mais consistentes – sendo válido ressaltar o gol vital por ele marcado ante o Tijuana, no México – e ele foi se tornando uma espécie de 12º jogador da equipe, sendo utilizado em qualquer função do meio-ofensivo, como volante e, inclusive, em ocasiões de jogo, na lateral direita. Antes muito amalucado (ainda hoje um pouco), Luan ganhou senso tático, sem perder sua intensidade e garra. Sua imensa dedicação causou até mesmo situações curiosas, como seu vômito decorrente de ansiedade, antes das disputas penais das semifinais da Libertadores contra o Newell’s Old Boys.

Com ele não tem tempo ruim. Não que tenha a classe de R10 ou a habilidade de Diego Tardelli, mas, o que sabe fazer, faz bem feito, e o que não sabe, tenta, até a última gota de suor ser liberada por seu corpo. No segundo semestre do ano passado, com a lesão de Ronaldinho, tornou-se titular habitual, sendo peça importante no restante da temporada alvinegra. Todavia, no início deste ano, veio o infortúnio.

Na pré-temporada, Luan sofreu grave lesão no joelho direito e perdeu todo o primeiro semestre do Galo. Porém, confirmando que não há tempo ruim para o jogador, ele retornou contra o Bahia no último sábado e foi como se nada tivesse acontecido, como se nunca tivesse ficado sete meses parado. Na partida seguinte, a decisão da Recopa, foi um leão. Participando, como de praxe, ativamente, foi importante na puxada de contra-ataques e marcou o terceiro e essencial gol para o título que viria. Aclamado pelo torcedor, Luan é importante não só para incendiar as arquibancadas, mas também para dar novo brio à equipe.

Cuca, seu treinador anterior, cansou de elogiá-lo. Após a vitória contra o Tijuana, disse que “ele resume bem o Atlético, não vai na técnica, mas vai na vontade e na entrega.” Levir Culpi, atual comandante alvinegro, corrobora a fala de seu antecessor:

“É um cara que motiva, tem um astral alto. Joga de uma forma positiva que contagia. Essa é uma característica de quem joga no Atlético (…) Se encaixa bem no Atlético. Os torcedores gostam de jogador rápido, que tem reação. Ele é assim.”

Admirado pela suprema maioria das pessoas ligadas ao Galo, Luan é um personagem engraçado. Suas inusitadas reações, carrinhos pouco cuidadosos e saltos contorcidos confirmam no campo o que o jogador transparece ser em seu interior. Com dois terços de Campeonato Brasileiro e uma Copa do Brasil por disputar, o Atlético Mineiro ganhou um senhor reforço para o restante da temporada. O torcedor alvinegro só espera uma coisa de Luan: que ele continue honrando o hino do clube, ou seja, jogando “com muita raça e amor.”

Atualização em 13/11/2014:

Desde sua decisiva atuação na Recopa, Luan tem demonstrado sua raça e dedicação habituais. Nos 24 jogos que disputou, marcou sete gols, dois pelo brasileirão (ao todo três, pois já havia atuado contra o Bahia antes da competição continental) e cinco pela Copa do Brasil, torneio em que coleciona aparições decisivas, anotando gols contra todos os adversários do Galo (Palmeiras, Corinthians, Flamengo e Cruzeiro).  

Foto: Footstats.net - Mapa de calor de Luan na final da Copa do Brasil confirma sua grande participação

Foto: Footstats.net – Mapa de calor de Luan na final da Copa do Brasil confirma sua grande participação

Neste período, após sofrer cotovelada do lateral Egídio, do Cruzeiro, o atacante fraturou duas costelas, mas, com a raça habitual, chegou a atuar sem estar plenamente recuperado. Ainda que seja dotado de características ofensivas, o amalucado jogador se destaca também nos desarmes. No Brasileirão é o sétimo jogador do time que mais roubou bolas e na Copa do Brasil o quinto.

Após a vitória contra o Flamengo, declarou:

“Diferente das outras torcidas, a do Galo é de arrepiar. No momento difícil, nos empurraram e conseguimos a classificação para a final. Então busco conquistar títulos e ficar marcado na história do clube”.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 25 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo e na Revista Relvado.