Mutante, França tem prova de fogo para buscar o bicampeonato

Foto: Federação Francesa de Futebol

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Não há seleção na Copa do Mundo que seja mais mutante que a França. Há um ano, muitos acreditavam que a ausência no Mundial era algo provável de acontecer. Após a histórica vitória sobre a Ucrânia na Repescagem, os franceses começaram a ser colocados no bloco de coadjuvantes.

O triunfo sobre a Holanda (2×0), em março deste ano, trouxe novos horizontes para a equipe comandada por Didier Deschamps. Os então personagens secundários começaram a ser apontados como potenciais surpresas da Copa. Entretanto, o corte de Franck Ribéry, semanas antes do debute na competição, fez muitos darem passos atrás com os Bleus.

Agora, o confronto com a Alemanha na sexta-feira (04), válido pelas quartas de final da competição, será o teste de fogo que mostrará em que estágio de mutação os franceses se encontram. Com Deschamps no comando técnico, a França tem mostrado uma dura crise de protagonismo em jogos grandes, acumulando tropeços homéricos como derrotas apáticas para Uruguai, Brasil, Espanha e Ucrânia e vitórias contundentes sobre Itália, Holanda e novamente a Ucrânia. Na sexta, evidentemente, nova apatia será fatal.

Na segunda-feira (30/06), frente à Nigéria, jogo mais importante do ano até então, os franceses voltaram a ter problemas. Aparentemente assustada por encontrar um adversário que propôs o jogo, a França viu a eliminação perto de acontecer. Pode ser uma impressão errada, mas parecia que os Bleus não estavam habituados a enfrentar uma seleção africana (coisa que não acontecia desde 2010). O argumento da relação íntima entre França e África cai por terra quando nota-se que os 13 nigerianos que participaram da partida vieram de nove ligas diferentes, sendo que apenas o goleiro Vincent Enyeama atua no futebol francês (no Lille).

Contra a Alemanha, o buraco é mais embaixo. Apesar da Nationalelf ainda não ter convencido na Copa do Mundo, este é um jogo grande – e este tipo de ocasião tem sido uma pedra no sapato da França de DD. Com Deschamps no comando técnico, foram sete jogos contra campeãs mundiais e somente uma vitória (2×1 sobre a Itália). Ao todo foram quatro derrotas, dois empates e o citado triunfo sobre a Azzurra. Entre os reveses, um 2×1 frente aos alemães.

É o momento de Yohan Cabaye, preciso nos jogos anteriores, mas ansioso contra a Nigéria, atuar como nunca na marcação de homens como Toni Kroos e Bastian Schweinsteiger. É momento também de Paul Pogba apresentar a frieza que raramente mostrou, tendo o poder para decidir como fez na última partida e tantas e tantas vezes na Juventus. É hora de Mathieu Valbuena mostrar o motivo de fazer hora extra no Olympique de Marseille. Mais do que nunca, é hora de Karim Benzema bater no peito e falar quem manda.

Dos 24 gols que BenzeBut tem com a camisa francesa, a maioria foi contra seleções inexpressivas, como Ilhas Faroe, Luxemburgo e Albânia. Mas os momentos de decisão já começaram aparecer com atuações relevantes frente Ucrânia e Holanda. Já são três gols na Copa do Mundo e muitos o apontam como melhor centroavante da competição. É o momento de mostrar o porquê de tal status.

É agora ou nunca para essa mutação acontecer em prol da França. O time assustado diante da Nigéria precisa ser impávido diante da Alemanha, sem se intimidar com o toque de bola adversário, nem mesmo com as três estrelas da camisa. É hora de deixar o histórico recente de lado e lembrar que o jogo se decide durante os 90 minutos. A França está pronta para a glória… Isso se não mudar daqui até a hora da partida.

Erro contra teimosia

Foto: Reprodução

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Desde antes do início da Copa observamos que a defesa da França é muito hesitante nas bolas cruzadas sobre a área. Felizmente, para Deschamps, os quatro adversários que a França teve até agora não exploraram com frequência este tipo de jogada. Entretanto, foi deste modo que a vaga nas quartas de final quase foi embora.

Ainda no primeiro tempo da partida contra a Nigéria, em Brasília, Emmanuel Emenike marcou para os africanos e teve o tento anulado – pois, por poucos centímetros, estava em posição irregular. Origem da jogada? Bola cruzada, atravessando boa parte da extensão da grande área.

A Alemanha é uma seleção que utilizou muito este tipo de jogada nas partidas que fez até agora. Porém, o efeito surtido é irrisório, muito por parte da teimosia do técnico Joachim Löw. Ainda que a opção por escalar o time sem centroavante fixo seja compreensível, parece um contra-senso explorar a bola cruzada (tática recorrente em todos os jogos) sem ter um homem de área.

A teimosia do técnico alemão em sacar Miroslav Klose do banco de reservas (mantendo o sonolento Mesut Özil em campo, por exemplo) pode ser um suspiro de alívio para a defesa francesa, que teria teórica dificuldade em bolas cruzadas.

O inegável é que esta questão do jogo aéreo será uma das mais interessantes do jogo, podendo até decidir a vaga na semifinal. Afinal de contas, a defesa francesa conseguirá se comportar bem nas bolas cruzadas ou Löw deixará a teimosia de lado e explorará esse defeito adversário com um centroavante de área? Qual dos dois fatores vai decidir? Só saberemos sexta-feira.

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Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.