Nacional com um pé na final da Libertadores

O inspirado Brian Montenegro abriu a contagem a favor da equipe paraguaia (Foto: Getty Images)

O inspirado Brian Montenegro abriu a contagem a favor da equipe paraguaia (Foto: Getty Images)

Talvez fosse absurdo pensar que, nesta edição da Copa Libertadores da América, leríamos um texto cujo título apontaria o Nacional muito perto de uma possível final do torneio continental. Muitos pensariam que o autor do texto, inclusive, estaria se referindo ao tradicional time uruguaio, tricampeão sul-americano e vice em outras três ocasiões. Mas não. A bola da vez, quem diria, é o time paraguaio comandado por Gustavo Morínigo. Quanto ao outro, sequer passou de fase.

É fato que alguns times já se beneficiaram da pausa para a Copa do Mundo para corrigirem erros que antes os incomodavam na Libertadores. Temos o Internacional como um exemplo recente. Tanto em 2006 como em 2010, o Colorado soube aproveitar muito bem os mais de dois meses de folga para colocar ordem na casa, redefinir seus padrões e, acima de tudo, motivar seus atletas para que seguissem em busca do objetivo maior.

Deu certo nas duas ocasiões com o Inter e, por enquanto, está dando muito certo com o Nacional do Paraguai. O time, que desde quando se classificou para o mata-mata desta edição do torneio como pior ranqueado, tinha como retrospecto, nos últimos seis jogos disputados, quatro derrotas e dois empates.

Com um retrospecto tão ruim, quem garantiria que a seca terminaria justamente em um jogo válido pelas semifinais de uma Libertadores? E ela terminou. Não foi em grande estilo, não foi com uma goleada, mas foi o suficiente para dar uma bela vantagem para o único sobrevivente do Paraguai na Libertadores.

Mesmo com suas limitações, o Nacional conseguiu mostrar uma envolvente troca de passes, dominou por boa parte do jogo o Defensor Sporting, atual vice-campeão uruguaio – que se mostrou perdido em várias ocasiões – e, por consequência, construiu o ótimo placar de 2 a 0, tendo como autores dos gols o inspirado Brian Montenegro e também Derlis Orué.

Derlis Orué marcou o segundo gol do Nacional frente o Defensor (Foto: Getty Images)

Derlis Orué marcou o segundo gol do Nacional frente o Defensor Sporting (Foto: Getty Images)

Mais uma vez, o fator campo foi crucial para os paraguaios no mata-mata desta Libertadores. O Defensores del Chaco, que deu seis dos oito pontos conquistados pelo Nacional na primeira fase do certame, foi o palco dos jogos decisivos dos comandados de Morínigo. Contra o Vélez Sársfield Arsenal de Sarandí, foram duas vitórias em casa e dois empates fora, sempre fazendo o primeiro jogo em Assunção. Se continuar nesse ritmo e empatar com o Defensor jogando no Uruguai, estará na final e jogará o primeiro jogo em casa.

San Lorenzo é considerado por muitos o grande favorito ao título da Libertadores. É inegável que seja, mas quem garante que a ele (ou ao Bolívar) o fator Defensores del Chaco não seja mais um adversário a ser combatido? Resta saber se a motivação que esse histórico Nacional, que possui apenas dois títulos no currículo em toda sua história (ambos de campeão nacional), continuará até o final e os coroará com a inédita conquista do maior torneio continental.

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Estudante de Jornalismo. Foi editor de futebol alemão e holandês na VAVEL Brasil e cofundador da VAVEL Portugal. É blogueiro do Bayern no ESPN FC (projeto da ESPN Brasil) e completamente Doente por Futebol.