Não faltou sorte, faltou Hazard

Foto: AFP - Na Copa do Mundo, Hazard esteve longe de ser o aguardado protagonista belga

Foto: AFP – Na Copa do Mundo, Hazard esteve longe de ser o aguardado protagonista belga

Por O Futebólogo

Tida como uma possível surpresa positiva na Copa do Mundo, a Seleção Belga, possuidora de ótima safra de jogadores, até fez uma boa campanha no torneio, mas esteve longe de encantar ou de praticar o belo futebol dela esperado. Além das deficientes laterais, (mal) protegidas por zagueiros, o ataque foi pouco operante. Na fase de grupos e nas oitavas de final, a equipe até conseguiu corrigir alguns erros no segundo tempo, mas, no último encontro, isso não aconteceu. Um problema perdurou até os dramáticos minutos finais da eliminação dos Roten Teufel: a pouca participação de Eden Hazard, principal líder técnico da equipe.

Desde o primeiro jogo da Bélgica, contra a Argélia, muito se esperava da tão aclamada seleção. Aguardava-se uma avalanche ofensiva da cabeça de chave do Grupo H e um eficiente controle do meio-campo, tudo isso sob a regência dos maestros Vincent Kompany, capitão e jogador mais influente, e Hazard, jogador mais talentoso. No coração da defesa, o brioso líder belga fez uma competição impecável. Nem a bola colocada entre suas pernas por Gonzalo Higuaín no jogo derradeiro foi capaz de diminuir a qualidade de suas atuações. Já o habilidoso winger do Chelsea jamais conseguiu encaixar seu jogo.

Alheio às partidas e entregue à marcação, Hazard mostrou, com suas fracas performances, que José Mourinho estava – ao menos em parte – correto em suas observações e críticas feitas durante a temporada. Para o técnico português, o belga não se sacrifica pelo time e tem dificuldades em ajudar na recomposição defensiva. Embora admita que seu comandado demonstre extremo talento, sendo quase um “mágico” em algumas ocasiões, Mou nunca ficou satisfeito com a completude do jogo de Hazard. Falta-lhe empenho.

Foto: PA - Mais uma vez, Mourinho provou, com o tempo, ter razão

Foto: PA – Mais uma vez, Mourinho provou, com o tempo, ter razão

Na partida final, enquanto (de forma desordenada, mas proativa) seus companheiros lançavam-se ao ataque, pressionando a contestada defesa argentina, Hazard manteve-se inerte na ponta esquerda, aguardando a bola lhe procurar. Mesmo nos momentos em que pôde dialogar com a pelota, o craque não buscou decidir a peleja. Não foi insinuante e não foi inventivo. Foi óbvio. Deu passes para o lado e tentou os dribles mais manjados do mundo do futebol. Seu corpo estava no campo, já sua mente…

É claro que trata-se de um jogador extremamente valioso e jovem, mas não há como negar que o decisivo e insinuante jogador do Chelsea não veio para o Brasil. O craque pareceu não conseguir gerir a pressão por boas atuações. Logicamente, a Bélgica não é só Hazard (assim como, por exemplo, o Brasil não é só Neymar ou a Argentina, Messi); todavia, ele deveria ser o ponto de desequilíbrio positivo para a equipe. Apresentou-se, entretanto, muito tímido, aparentando até mesmo estar incomodado com algo.

Até o jogo da eliminação, o destaque individual da equipe era Kevin De Bruyne, talentoso meia do Wolfsburg. No entanto, o treinador Marc Wilmots, para aumentar o moral de seu grande craque ou porque esperava que, a qualquer momento, ele mostrasse lampejos de sua forma do Chelsea, resistiu em substituí-lo. Porém, contra a argentina, precisando, ao menos, empatar a partida, o comandante sacou Hazard mandando a campo o apenas esforçado Nacer Chadli.

A Bélgica, mesmo com muitos talentos e com a boa campanha, não fez o que dela se esperava. O espetáculo aguardado não veio. Um jogo competitivo tomou o lugar da magia. Por fim, não anseio buscar culpados para a eliminação belga, nem, tampouco, crucificar um jovem de grande talento. Contudo, fatos são fatos. Se Hazard tivesse estado, individualmente, em sua forma habitual, a Bélgica, coletivamente, poderia ter jogado um futebol melhor e, consequentemente, tido melhor fortuna. Não faltou sorte, faltou Hazard.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.