Novos rumos

  • por Rogério Júnior
  • 6 Anos atrás

A continuidade do Campeonato Brasileiro de 2014 terá algo em comum com as edições de 2006 e de 2010 do certame nacional. Ambas também foram afetadas pela Copa do Mundo em tempos de pontos corridos.

Em ano de mundial, ocorrem duas competições distintas no mesmo campeonato: uma antes da parada para a realização do torneio FIFA e outra após a grande decisão. A conquista do tetracampeonato italiano e o triunfo inédito espanhol promoveram mudanças significativas nas respectivas tabelas do Brasileirão.

A cabeçada de Zinédine Zidane no italiano Marco Materrazi e o pênalti decisivo convertido por Fabio Grosso proporcionaram mais um título mundial para a Azzurra. Depois da conquista italiana, o campeonato brasileiro de 2006 teve a mudança no líder, em dois times que disputariam a Libertadores de 2007 e mais duas equipes que amargariam o rebaixamento. Tudo isso mudou do dia 03 de junho daquele ano (data da 10ª rodada) até o dia 02 de dezembro, data da rodada derradeira do campeonato.

Cruzeiro, Fluminense, Grêmio e Paraná Clube foram os maiores afetados com a pausa para a Copa do Mundo. O clube de Belo Horizonte pode ser considerado o mais prejudicado, pois figurava na liderança do campeonato, com 70% de aproveitamento e apenas uma derrota em dez jogos, na primeira parte do campeonato. O futuro, porém, não era nada promissor, e fez com que o clube fechasse o campeonato apenas na 10ª colocação. Então quarto colocado, o Tricolor das Laranjeiras foi outro que perdeu o rumo durante a parada, terminando o campeonato na modesta 15ª posição, apenas seis pontos acima do primeiro rebaixado.

Os grandes beneficiados com o hiato da Copa de 2006 foram São Paulo, Grêmio e Paraná Clube. O tricolor paulista, terceiro colocado antes do mundial, se sagrou campeão na volta, enquanto o tricolor gaúcho e o modesto clube curitibano gozaram de uma vaga no torneio continental de 2007. Na parte de baixo da tabela, outras duas mudanças significativas: os gigantes Corinthians e Palmeiras, então pertencentes a ZR do campeonato, deram lugar a Ponte Preta, que ocupava a 12ª posição anteriormente, e São Caetano, que figurava na posição 15 da tabela.

Já após o gol de Andrés Iniesta, na decisão contra os holandeses em 2010, o Brasileirão teve mudanças parecidas no certame. Mais uma vez, o então líder da disputa, até a última rodada antes da Copa do Mundo, não suportou o posto até o fim do campeonato, embora tenha assegurado uma vaga na Libertadores de 2011. O Corinthians que, ao fim da 7ª rodada, somava 17 pontos na liderança, fechou o campeonato na terceira posição, com 68 pontos. O caminho inverso foi feito pelo Fluminense, que pulou do terceiro lugar para a glória, conquistada por Muricy Ramalho e seus comandados.

O Grêmio, mais uma vez, tirou proveito do descanso. Ajustou-se durante a pausa e, mesmo depois de estar ocupando a singela 12ª posição antes da África do Sul abrir as portas para o mundo, cavou uma vaga na Libertadores, ao lado do Cruzeiro, outra equipe que também aparecia fora do G4. Os dois tomaram os espaços que antes pertenciam a Ceará e Santos. Já o cenário da Série B de 2011 mudou drasticamente, com Vitória, Guarani e Goiás fechando suas participações como equipes rebaixadas, ao contrário do que a tabela previa com antecedência. Atlético-MG, Vasco e Atlético-GO, equipes que apareciam na ZR no período sem jogos, escaparam da degola. O único time que se manteve na zona de rebaixamento nas duas partes do campeonato foi o Grêmio Prudente.

Voltando à realidade, o que poderemos esperar do novo campeonato brasileiro, que se inicia na próxima quarta-feira? O Cruzeiro suportará 31 rodadas e se sagrará campeão mais uma vez, quebrando a escrita? Além dos próprios mineiros, Fluminense, Corinthians e São Paulo mantêm a vaga na próxima Libertadores da América? No outro extremo, Coritiba, Vitória, Flamengo e Figueirense conseguirão demonstrar uma perspectiva melhor para seus torcedores, escapando assim da segundona?

Respostas serão sanadas em 7 de dezembro. Até lá, torcedor!

Comentários

Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.