Louis van Gaal em: arrumando soluções

  • por Levy Guimarães
  • 5 Anos atrás
Foto: Reprodução

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A Holanda chegou cercada de desconfiança para a Copa no Brasil. A geração que em 2010 ficou a um triz de conquistar o mundo parecia minguar nesses últimos anos. A campanha decepcionante na Euro 2012 e a decadência de jogadores importantes como Sneijder levava muitos a crer que a seleção dos Países Baixos seria apenas uma figurante em 2014. Além disso, o elenco vinha desfalcado para o mundial, sem van der Vaart, van der Wiel e o ótimo volante Strootman.

Mas o que os pessimistas não contavam era com a competência e a engenhosidade de Louis van Gaal. O carrancudo técnico holandês vem sedento para marcar o seu nome na história das Copas. E, até o momento, é sem dúvidas o treinador mais decisivo do torneio.

O dedo de van Gaal já pôde ser percebido logo de cara. Devido à inexperiência dos homens de zaga e ao desfalque de Strootman (que prejudicou a marcação no meio), ele contrariou todas as tradições do futebol holandês e escalou o time com 3 zagueiros, além dos laterais e de dois volantes. A enxurrada de críticas foi calada logo de cara, numa fantástica estreia contra a Espanha. E foi diminuindo ainda mais com as outras vitórias da Oranje no mundial.

Foto: Getty Images - Van Gaal teve de convencer Van Persie, autor de golaço contra a Espanha, a continuar jogando pela seleção, há dois anos

Foto: Getty Images – Van Gaal teve de convencer Van Persie, autor de golaço contra a Espanha, a continuar jogando pela seleção, há dois anos

A alteração do treinador foi providencial. A fragilidade que se temia ter na zaga holandesa não se mostrou tão presente, já que, com a linha de três zagueiros composta por de Vrij, Vlaar e Martins Indi, a bola não chega tantas vezes com perigo ao gol de Cillessen. Além disso, os laterais também fecham pelos lados e o cão-de-guarda De Jong davam uma pegada extra ao meio-campo. O 5-2-3 (ou 3-4-1-2, já que por vezes os laterais se alinham com os volantes, deixando Sneijder fazendo a ligação para Robben e van Persie) também foi benéfico para o trio ofensivo. Sneijder, Robben e van Persie ganharam mais liberdade para se movimentar na frente, especialmente Robben. O jogador, até aqui um dos melhores da Copa, é incansável em campo, cobrindo toda a faixa direita, mas também se deslocando para a esquerda em determinados momentos, como no segundo gol da vitória contra o Chile. Assim, os holandeses têm um contra-ataque mortal, prontinho para definir a partida.

Van Gaal também criou alternativas para algumas situações de jogo. Quando precisa partir para cima em busca de um gol, ele tira um dos zagueiros para normalmente colocar o promissor Memphis Depay. Dessa forma, a Holanda volta às suas raízes, num 4-3-3 clássico, que tem Depay, van Persie e Robben na dianteira. Foi exatamente o que aconteceu nas viradas sobre Austrália e México, nas quais o treinador foi decisivo com suas substituições. Mas a capacidade de inovação de van Gaal não termina por aí.

Foto:  AP Photo/Frank Augstein - Depay e Robben, a a dupla decisiva nas vitórias contra Holanda e Chile

Foto: AP Photo/Frank Augstein – Depay e Robben, a a dupla decisiva nas vitórias contra Austrália e Chile

A ausência de de Jong para o jogo das quartas contra a Costa Rica (e para o restante da Copa) forçaria o treinador a fazer mudanças pouco comuns. Afinal, o elenco holandês não conta com nenhum outro jogador com as mesmas características do volante. O perfil defensivo do adversário possibilitou à Holanda entrar com uma formação bem ofensiva, com uma linha formada por Kuyt, Wijnaldum, Sneijder e Depay no meio, os quatro defensores e a dupla Robben-van Persie na frente. Ou seja, nenhum jogador de marcação tirando a linha de zaga. Mesmo sem muita inspiração, os holandeses dominaram o jogo de cabo a rabo, parando muitas vezes no excepcional Keylor Navas. Na prorrogação, eram 4 atacantes pressionando os costarriquenhos. Mas a grande cartada de van Gaal ainda estava por vir.

Foto: Reuters - Uma das imagens marcantes da Copa: a histórica substituição de Cillessen por Krul

Foto: Reuters – Uma das imagens marcantes da Copa: a histórica substituição de Cillessen por Krul

No final da prorrogação, a Costa Rica ia com moral visivelmente mais alto para os pênaltis. Afinal, a Holanda tinha usado de todos os seus artifícios para tentar vencer o jogo. Ou quase todos. Numa decisão inédita na história das Copas, van Gaal substitui Cillessen por Krul só para a decisão por penais. Além de toda a polêmica, é inegável que a surpreendente (e, por que não, genial!?) alteração também pode ter mexido com o time centro-americano. A estrela do técnico brilhou mais do que nunca, com Krul defendendo duas penalidades.

Foto: Reuters - Tim Krul defendendo o pênalti de Umaña e classificando a Holanda para a semifinal

Foto: Reuters – Tim Krul defendendo o pênalti de Umaña e classificando a Holanda para a semifinal

Para a semifinal contra a Argentina, a Holanda deve ter novas alterações. Afinal, contra um adversário mais qualificado, é provável que a Laranja tenha uma formação mais protegida. De que modo o treinador vai fazer isso é difícil de prever. Até agora, só o que podemos dizer é que nenhum outro técnico tem sido tão imprevisível e influente na Copa quanto o holandês. O incrível – no sentido literal da palavra – Louis van Gaal.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.