O maior adversário da Alemanha na Copa tem nome: Joachim Löw

Foto - Getty Images: Löw tem mais atrapalhado do que ajudado a Alemanha na Copa do Mundo

Foto – Getty Images: Löw tem mais atrapalhado do que ajudado a Alemanha na Copa do Mundo

A seleção alemã tem um grande oponente nesta Copa do Mundo. Não são outras seleções, viagens cansativas ou até mesmo o clima das terras tupiniquins, mas sim seu próprio técnico. Nestes quatro jogos que a Mannschaft realizou pelo Mundial, pôde-se perceber diversos problemas, tanto taticamente como tecnicamente. Destes, quase todos merecem ser creditados na conta de Joachim Löw.

O treinador de 54 anos tem se mostrado extremamente insistente em escolhas que já provaram não surtirem efeito. A começar pela insistência em ter Philipp Lahm na volância da equipe tricampeã do mundo, e não na lateral. Lahm não é só um dos melhores laterais da Alemanha, mas também do futebol mundial geral. Extremamente técnico, inteligente, rápido e com uma visão de jogo privilegiada, desde que se tornou profissional, sempre se destacou na posição – seja pela direita ou pela esquerda.

Com a vinda de Pep Guardiola para o Bayern, Lahm, que hoje tem 30 anos, foi movido da lateral direita para o meio de campo defensivo. Para a infelicidade de muitos admiradores de seu futebol praticado pelos flancos, ele deu certo na posição. Inclusive, o próprio afirmou que gostou da experiência e que está à disposição de seu treinador para seguir atuando na armação das jogadas. Guardiola gostou, Löw gostou e o capitão bávaro e da seleção começou a jogar como volante também na Nationalelf.

Não haveriam problemas em ter Lahm na volância se as laterais não fossem prejudicadas. Mas é exatamente o que vem acontecendo. A Alemanha nesta Copa do Mundo não tem laterais de ofício, mas sim dois zagueiros improvisados em cada flanco. Na esquerda, joga Höwedes (que antes do Mundial jamais havia sido testado na posição) e, na direita, no lugar de Lahm, agora joga Boateng. Bom zagueiro que é, Höwedes tem conseguido efetuar marcação de forma competente, impedindo que jogadores adversários façam a diagonal pela direita. Mas a Alemanha não consegue mais ter jogadas de efeito naquele lado do campo, já que ele mal sobe.

É um problema que pode comprometer futuramente. Schmelzer era o dono da posição, mas acabou se contundindo antes de a Copa começar. Um bom substituto para seu lugar era Durm, jovem e promissor lateral que também atua no Borussia Dortmund. Porém, Durm não assumiu a vaga de seu companheiro de clube justamente por medo de seu técnico. Para Löw, antes apostar em um homem de confiança improvisado na posição do que em um jovem lateral de ofício.

Foto - Getty Images: Melhor opção para a lateral esquerda, Durm não conta com a confiança de Löw e segue no banco

Foto – Getty Images: Melhor opção para a lateral esquerda, Durm não conta com a confiança de Löw e segue no banco

Outro ponto que Löw ainda insiste é na titularidade de Mesut Özil. É um grande jogador e ninguém tem dúvidas disso. Foi, inclusive, o grande nome da Alemanha nas eliminatórias para este Mundial. Mas não vive grande fase, nem no Arsenal e nem na seleção. Seu gol contra a Argélia serviu para maquiar sua atuação horrenda contra os africanos, onde praticamente sumiu em campo.

Talvez Özil pudesse contribuir mais com o setor ofensivo caso fosse recolocado no centro do meio de campo, mas, como Löw gostou de colocá-lo na direita (após atuação ruim como falso nove, contra Portugal), a opção, no momento, é que vá para o banco, que Müller seja recuado e que Klose (ou até Schürrle) entre. Mas isso obviamente não irá acontecer, Özil é mais um homem de confiança do técnico alemão.

A não titularidade de Klose também é um ponto bem questionável deste time da Alemanha. Löw tem optado em deixar Klose no banco em investir em Müller como falso nove. Porém, o comandante da Nationalelf está tendo sorte com a escolha: Thomas é o artilheiro da seleção na Copa, com quatro gols (três deles no primeiro jogo). Contra a França, assim como foi contra a Argélia (contra Gana e Estados Unidos também), talvez a melhor opção seja optar por um centroavante de ofício.

Foto - Getty Images: No banco, Klose é uma das vítimas da insistência de Löw

Foto – Getty Images: No banco, Klose é uma das vítimas da insistência de Löw

Mesmo com diversos desfalques – alguns inclusive de última hora, como no caso dos aurinegros Schmelzer e Reus, Löw ainda tem nas mãos um excelente time. Se soubesse como usar as peças que tem, com certeza a Alemanha sofreria bem menos nesta Copa do Mundo – especialmente contra a Argélia, quando foi dominada praticamente na primeira etapa inteira, tomou sufoco na segunda e só conseguiu resolver na prorrogação.

Se Löw soubesse como organizar o time, hoje seria franco favorito contra a França. Mas este é que é o problema. Entre mudanças táticas e improvisos, o técnico da Mannschaft acaba se perdendo na organização e prefere colocar entre os onze iniciais seus homens de confiança, e não as peças mais recomendadas para as respectivas funções. Isso é praticamente um tiro na cabeça, quando se trata de Copa do Mundo.

Quem sai perdendo com tudo isso é o próprio time da Alemanha, seus torcedores e todos que gostam e acompanham o futebol desta geração alemã, surgida em 2006 e que, por enquanto, não escreveu seu nome na história da seleção. A insistência de seu técnico em erros óbvios poderá custar caro no futuro – no caso, já na próxima sexta-feira (4), contra a França, no Maracanã.

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Estudante de Jornalismo. Foi editor de futebol alemão e holandês na VAVEL Brasil e cofundador da VAVEL Portugal. É blogueiro do Bayern no ESPN FC (projeto da ESPN Brasil) e completamente Doente por Futebol.