O peso da história

  • por Eduardo Jenisch Barbosa
  • 7 Anos atrás
David Luiz tem sido um dos destaques do Brasil - Foto: Assessoria CBF

David Luiz tem sido um dos destaques do Brasil – Foto: Assessoria CBF

Vamos começar falando do Chile, uma grande equipe muito bem organizada e comandada por um dos melhores técnicos desta Copa do Mundo: Jorge Samapaoli. Com seu jeito agitado na beira do gramado e com sua lábia ácida para provocar e catimbar dentro e fora do ambiente do jogo, este profissional criou um time extremamente competitivo, talentoso com a bola nos pés, mas que também sabe usar o ambiente externo ao seu favor. Um time que sabe atuar dentro e fora de campo.

Claudio Bravo, agora goleiro do Barcelona, é espetacular e, o meio para frente, com Diáz, Vidal, Aránguiz, Alexis Sanchez e Eduardo Vargas encantou o mundo em solo brasileiro. O único defeito é a defesa, mas não pela capacidade técnica de seus jogadores, mas sim pela baixa estatura. Dito isso tudo, um árduo adversário, que havia vencido Austrália e Espanha com autoridade, além de ter feito duelo duro diante da Holanda.

O Brasil fez 30 minutos dignos de uma partida decisiva de Copa do Mundo. Neste período, utilizou a anunciada bola aérea para fazer 1 a 0 e controlava bem todas as ações ofensivas do Chile. Era uma partida segura, embora o meio de campo continuasse sendo um setor acéfalo. Mas uma falha grotesca de Hulk, combinada à distração de Marcelo e da zaga resultou no gol de empate, marcado com muita categoria pelo ótimo Alexis Sanchez.

A partir deste instante, a Seleção desabou em campo. As trocas feitas por Felipão no segundo tempo conseguiram piorar o rendimento da equipe e o Chile, pelas ocasiões criadas, merecia ter saído vencedor. A prorrogação foi parelha, mas o travessão mostrou-se brasileiro e, pasmem, nos deixou felizes por ter a chance de classificação nos pênaltis.

Neymar foi bem marcado - Foto: Assessoria CBF

Neymar foi bem marcado – Foto: Assessoria CBF

Neymar levou uma pancada de Aránguiz logo no começo do jogo e ficou abaixo de sua média de atuações na competição. Não parecia 100%. Mesmo assim, não se escondeu e teve seus lapsos de talento puro. No pênalti, o quinto, com o mundo inteiro em suas costas, aos 22 anos, em um Mundial jogado seu país, oitavas de final, bateu como se estivesse no quintal de sua casa. Guri tem talento e personalidade raras para a pouca idade.

E no gol, Habemus Júlio César! Está ai um atleta que respirou este Mundial de 2014 nos últimos quatro anos, por motivos óbvios, falha na Copa anterior. E ele foi espetacular, bateu no peito, enxugou as lágrimas de emoção e nos levou para as quartas de final. Além disso, fez milagre no chute de Aránguiz e gosto de pensar que assoprou a bola de Pinilla para que ela se chocasse com o travessão.

Elogiamos a força da Itália, a garra do Uruguai, a mentalidade vencedora da Alemanha, entre outros selecionados e todos com justiça. Mas não existe camisa mais pesada do que a da Seleção Brasileira, deve ter umas 500 toneladas, a que mais entorta varais no mundo. Qualquer outra seleção que tivesse tido atuação tão ruim naquele segundo tempo, seria eliminada. Não o Brasil. É o peso da história.

É preciso corrigir o meio de campo, buscar aproximação entre os talentosos. Mas estamos muito vivos!

Habemus Júlio César! - Foto: Assessoria CBF

Habemus Júlio César! – Foto: Assessoria CBF

Avaliações:

Júlio César: Gigantesco no tempo normal e pênaltis. Nota: 9,5.

Daniel Alves: Mais uma atuação irregular. Sistema defensivo precisa de
Maicon. Nota: 5,5.

Thiago Silva: Boa atuação, mas com falhas pontuais. Nota: 7

David Luiz: Distraído no gol do Chile, foi bem no restante, especialmente no pênalti. Nota: 7

Marcelo: Atuação irregular, sem grande destaque. Mas converteu seu penal, com sustos, mas ela foi para as redes. Nota: 6

Luiz Gustavo: Atuação mediana do nosso cão de guarda. Está suspenso para as quartas. Nota: 5,5

Fernandinho: Um dos destaques da goleada sobre Camarões, sucumbiu diante do Chile. Nota: 5

Ramires: Teve lapsos, mas nada de relevante, mas sem comprometer. Nota: 6

Oscar: Segue marcando mais que criando, mas executa papel defensivo importante, chegou a salvar algumas jogadas que seriam perigosas. Nota: 6

Willian: Não acrescentou quase nada. Ainda perdeu o pênalti. Nota 4,5.

Neymar: Inconstante, pancada no começo prejudicou, mas tentou, teve lapsos e a personalidade mostrada no pênalti foi sublime. Nota: 6,5.

Hulk: Insinuante no ataque, mas falhou no gol chileno e bateu horrivelmente o pênalti. Nota: 4.

Fred: Uma nulidade. Nota: 3,5.

Jô: Menos que uma nulidade. Senti falta de Fred. Nota: 3

Felipão: Demorou a substituir e o fez mal. Mas tem muita estrela. Nota: 5

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