O sucesso de Gilvan de Pinho Tavares

  • por Alexandre Reis
  • 5 Anos atrás

Próximo do fim de seu mandato, Gilvan de Pinho Tavares, atual presidente do Cruzeiro, tem muito o que comemorar nestes primeiros anos no comando celeste. Mais ainda tem a torcida. Sucessor de Zezé Perrella, Gilvan assumiu a presidência em 2012, após uma das temporadas mais vexatórias da história do time – o Cruzeiro quase foi rebaixado para a Série B do Brasileiro – e foi responsável pela reestruturação do clube em todos os sentidos. Levou o nome do time ao topo em 2 anos e não permitiu que saísse de lá. A contratação ainda em 2012 de seu futuro braço direito, o diretor de futebol Alexandre Mattos, não poderia ter sido mais acertada. Após um ótimo trabalho no América-MG, Alexandre foi um dos responsáveis pela competência nas compras, dispensas, trabalho com a base e escolha de técnicos.

Comecemos pelas contratações. Com 13 investimentos baratos de início (foram 21 no ano todo), o Cruzeiro entrou em 2012 com uma meta: se restabelecer de forma segura, aos poucos, sem que fosse preciso gastar (e arriscar) muito. Esta, de fato, tem sido a tônica da diretoria durante toda a gestão. Depois do fiasco de Vágner Mancini no Mineiro e na Copa do Brasil, Gilvan trouxe Celso Roth para o Brasileiro, técnico conhecido por suas características defensivas. Com um elenco limitado, Roth colocou o clube entre os 10 primeiros – o Cruzeiro chegou a ficar na liderança na sexta rodada. Para quem vivera recentemente o drama do rebaixamento e de ser eliminado por América-MG no estadual e Atlético-PR nas oitavas na Copa do Brasil, um nono lugar não era de todo ruim.

No que se refere ao trabalho com a base, bons nomes foram lançados e consolidados. O meio campista Alisson e o lateral direito Mayke foram promovidos para o profissional e Lucas Silva e Élber começaram a ganhar minutos jogados, notoriedade e espaço. Os três primeiros hoje são peças importantíssimas do elenco; já Élber teve algumas boas atuações, a maioria delas vindo do banco, e outras nem tanto. Foi emprestado para o Coritiba, na esperança de que volte mais pronto, como Alisson, que reforçou o Vasco por empréstimo em 2013 e vem sendo visto com bons olhos em 2014.

Terminando 2012 de forma muito menos desesperadora que outrora, Gilvan e Alexandre Mattos fizeram com que o Cruzeiro fosse um dos times que mais movimentaram o mercado futebolístico no país. Foram 18 contratações e 17 vendas/dispensas para o início da próxima temporada. A grande maioria dos atletas que tiveram pouca ou nenhuma utilidade em 2012, como Gilson, Cribari, Amaral e Arias, ou que não foram bem, como Rafael Donato, Sandro Silva, W. Paulista e Fabinho, foi sumariamente negociada. Até quem foi contratado para 2013 e não deu certo, casos de Nirley, Uelliton, Leandrinho e Diego Souza, não teve vez e deixou o clube praticamente no meio do ano.

Aproximadamente 35 milhões de reais foram investidos em todo o elenco, da defesa ao ataque, com o objetivo de tornar o Cruzeiro mais competitivo. Vieram para o time jogadores que foram destaque na Série B de 2012, como Goulart e Egídio, e outros já experientes, casos de Dagoberto, Nilton e Dedé. O ex-zagueiro do Vasco foi a única contratação de alto valor, e valeu cada centavo. Embora se tratasse de um plano a longo prazo, os frutos puderam ser colhidos rapidamente. Com Marcelo Oliveira como técnico – duas vezes vice-campeão da Copa do Brasil com o Coritiba -, o time foi vice do Mineiro (perdeu por 3×0 o primeiro jogo e venceu por 2×1 o segundo), e campeão do Brasileiro de forma absolutamente incontestável. O Cruzeiro teve como principal destaque a força do conjunto, contando novamente com bons nomes da base (Mayke, Lucas Silva, Vinícius Araújo e Élber), e foi recompensado pelo ótimo planejamento, que começou com a atual administração.

O Sócio Torcedor do Cruzeiro é outro triunfo a ser comemorado por Gilvan e seus parceiros. Ao final de 2012, o clube era, junto com o Flamengo, apenas o nono colocado no ranking nacional, com aproximadamente 10 mil sócios, atrás de Sport, Palmeiras, Coritiba, São Paulo, Santos, Grêmio, Corinthians e Internacional. Com o sucesso no Brasileiro e tendo novamente o Mineirão como casa, o time pulou para a terceira posição em maio de 2014, com 58.682 sócios. Arrecadou quase 50 milhões de reais líquidos com sócio do futebol e bilheteria em 2013, como apurou o Superesportes aqui, mais do que gastou para a montagem do elenco campeão no início da temporada.

Além disso, contou com a valorização de seus jogadores. Confira o valor (em libras) de mercado de alguns, quando vieram para o Cruzeiro e hoje em dia, segundo o Transfermarkt:

Everton Ribeiro = Início de 2013: 660 mil / Hoje: 4,4 milhões
Dedé = Início de 2013: 6,6 milhões / Hoje: 7,9 milhões
Ricardo Goulart = Início de 2013: 352 mil / Hoje: 3,52 milhões
Nilton = Início de 2013: 1,32 milhões / Hoje: 2,64 milhões

Com a base sólida, apenas alguns retoques foram feitos para 2014. Seguindo a mesma mentalidade do ano passado, Leandro Guerreiro, Victorino, Lucca e Anselmo Ramon, quatro dos poucos que não conseguiram se encontrar no elenco – por lesão ou futebol jogado – deixaram o clube no início da temporada. Chamam a atenção, ainda, as boas contratações. O lateral esquerdo Samudio veio para disputar vaga com Egídio, sendo inclusive titular em alguns momentos, e o zagueiro Manoel, destaque no Atlético-PR, surgiu para uma eventual saída de Dedé, que vem sendo bastante cobiçado pelo futebol europeu. A vinda dos jovens Willian Farias, Neílton, Marquinhos e Marlone, além de Eurico, promovido ao profissional, é mais uma tentativa da diretoria de plantar bons frutos e dar continuidade ao sucesso.

Atualmente, o Cruzeiro está na liderança do Brasileiro, com 19 pontos, três a mais que o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto colocados. No ano passado, na mesma nona rodada, Marcelo Oliveira havia conquistado 18 pontos, mas praticamente não havia diferença para o Internacional, em segundo à época. Mesmo não tendo feito a Libertadores que todo torcedor cruzeirense esperava, o clube se organizou mais ainda para justificar, por mais um ano, o fato de ser o melhor do país: contratou quando precisava, para as posições certas, na medida certa. O trabalho, abraçado pela torcida, foi agraciado pela coroa do sucesso, que pode ter mais quilates ao final desta temporada e do próximo mandato, se Gilvan de Pinho Tavares, já na história do Cruzeiro, for reeleito. Eleitores, com certeza, não faltarão.

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Estudante de Jornalismo, apaixonado por futebol. Seja a final da Copa do Mundo, as semifinais de uma Copa Rural, um jogo da Liga dos Campeões ou eliminatória da 4° divisão de algum campeonato amador do interior.