Quando um técnico faz diferença

  • por Henrique Souza
  • 5 Anos atrás

Intensidade é uma das palavras-chave do futebol moderno. Aos poucos, vemos equipes cada vez mais bem preparadas fisicamente, apostando num jogo direto, com rápidas transições entre defesa e ataque, marcação sufocante já no campo do adversário e atuando compactadas. Embora estes sejam conceitos corriqueiros no futebol de alto nível, ainda encontram certa resistência no cenário brasileiro.

Os treinadores locais em muitos casos apostam em um jogo mais cadenciado, de passes mais lentos, e marcação forte apenas no seu campo. Equipes que fogem dessa tendência e apresentam um jogo mais próximo dos conceitos descritos no primeiro parágrafo muitas vezes são rotuladas como jogando um futebol “à europeia”.

Um dos grandes exemplos foi o Corinthians multicampeão montado por Tite. Marcação asfixiante, compactação, troca de passes rápidos, todos esses preceitos foram aplicados com muito sucesso pelo treinador, que não por acaso é considerado um dos nomes mais “modernos” em atividade no país.

A preparação física possui um importante papel no desempenho das equipes hoje em dia. Com exigências cada vez mais altas e um número cada vez maior de partidas por temporada, os jogadores são obrigados a estar bem condicionados fisicamente para conseguir algum destaque. Atletas que não apresentam boas condições físicas perdem jogos, sofrem com lesões e podem até a comprometer suas carreiras de maneira irreversível.

Em Pernambuco, há alguns exemplos de casos de como um bom trabalho de preparação física pode ser decisivo para se conseguir resultados satisfatórios. O Santa Cruz tem em seu elenco nomes como Wescley e Carlos Alberto para a armação, mas o mais talentoso jogador da posição talvez seja Natan, cria da base. O meia, porém, sofre muito com as lesões e não consegue engatar uma grande sequência de jogos. Aos 23 anos, Natan começa a entrar em uma fase da carreira na qual os jogadores se firmam como atletas de sucesso ou eternas promessas.

No lado do Náutico, o time vem sofrendo com o cansaço dos seus jogadores em diversos jogos. É comum ver a equipe alvirrubra apresentando pouca agressividade nas partidas. Após a parada da Copa do Mundo, em 3 jogos, o Náutico venceu o Sampaio Corrêa, apesar de não ter jogado bem, e foi derrotado por Boa Esporte e Atlético-GO, tomando 3 gols em cada uma das derrotas. Chama a atenção o pouco poder de reação demonstrado pelos jogadores, que parecem não ter forças para buscar a virada ou mesmo o empate.

O Sport, diferentemente dos rivais, desde o começo da temporada se mostra muito mais consistente no aspecto físico. Disputando Campeonato Pernambucano, Copa do Nordeste e Copa do Brasil no primeiro semestre, os rubro-negros sofreram com o grande número de partidas. Apesar disso, a equipe soube manter a regularidade, muito por causa do técnico Eduardo Baptista, que não teve medo de poupar seus atletas quando julgou necessário.

Baptista, por sinal, merece destaque. O técnico sabe como ninguém a diferença que uma boa preparação física pode causar. Ex-preparador físico, desde o início do seu trabalho no Sport realizou treinos intensos, visando alcançar um melhor condicionamento dos jogadores. E o esforço vem dando resultado. Após a Copa, o Sport venceu Botafogo e Atlético-MG e empatou com o Goiás, sendo a equipe que mais pontuou no Brasileiro nos últimos 5 jogos. Vale destacar a postura do time em campo: compacto, forte na marcação e correndo durante toda a partida. O elenco, embora não seja dos melhores, é bem coeso, possibilitando trocas de jogadores sem que o nível geral da equipe sofra grandes alterações.

Em um país onde a CBF prefere apostar nas mesmas caras de sempre, em figuras desatualizadas, que necessitam passar por uma reciclagem e se reinventarem, Eduardo Baptista e outros treinadores mais jovens, com ideias oxigenadas e atualizados com os conceitos mais utilizados no futebol de alto nível, são uma réstia de esperança de que dias melhores para o futebol brasileiro virão.

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Doente por futebol desde que se conhece por gente. Formado em Educação Física e estudante de jornalismo. Apaixonado por jogos e times clássicos. Considera Zidane, Ronaldo, Romário e Messi os maiores que viu jogar.