Que acabe a blindagem

  • por Sikorski
  • 6 Anos atrás

Depois de mais de um mês parado, ocupando a desconfortável posição de 19º colocado e com erros grotescos de elenco, o Flamengo decidiu aproveitar a paralisação da Copa do Mundo para dar férias aos ilustríssimos jogadores, assim como fuçar no mercado opções que, embora em pouca quantidade, pelo menos vieram. Quem disse que o torcedor rubro-negro não tem o que comemorar?

No retorno aos trabalhos, a promessa de um time melhor articulado, optando por um esquema com três zagueiros e mais toque no meio de campo, sobrevoou os ouvidos de todos. O que estaria planejando Ney Franco, além das mudanças informadas? Bem… Nada.

Contra o Atlético Paranaense, em Macaé, o rubro-negro carioca esbanjou os mesmos erros de um passado não tão distante. A derrota por 2×1, a perda do zagueiro (o melhor jogador titular, diga-se de passagem) com um estiramento na coxa e a perda de Paulinho, que sofreu uma entrada e teve que sair, expôs o time ao caos. Já na derrota por 4×0 diante do Internacional em sua casa, a desorganização e a visível falta de empenho do time mostraram o quão fundo no poço podemos ver o hexacampeão brasileiro.

Contra os atleticanos em 90 minutos, o elenco profissional do Clube de Regatas do Flamengo, com jogadores com passagens por seleção brasileira e até certo destaque na Europa, conseguiu errar 59 passes. Os alas, Léo Moura e André Santos, estavam encarregados da penosa tarefa (em suas devidas condições) de marcar as saídas pelo lado do veloz e jovem time do Atlético Paranaense, que, como visto, não foram capazes de executar. Ao todo, o time mandante chutou a meta por 13 vezes, errando 8 delas. Está ruim? De 18 cruzamentos, 12 não tiveram final feliz.

Nos tentos gaúchos, os jogadores rubro-negros mantiveram a sina amadora: 47% de posse bola até metade do segundo tempo, uma mera finalização ao gol de Dida vinda dos pés não calibrados de Amaral, o incrível número de 88 passes errados e de todos os 9 cruzamentos, nenhum acertado.

A sensação de panela não fugiu à cabeça dos mais atentos, que abstiveram-se de ceder à vergonha e botaram os miolos para funcionar. Como disse Arthur Muhlenberg: “A iminente demissão do Ney Franco é mais uma vitória da panela maldita. Outro mané engolido pelos comedorme blindados.” Diga-me você, rubro-negro… não é uma afirmação pertinente?

A vinda do volante argentino Héctor Canteros, do Vélez, e do atacante Eduardo Silva é digna da comemoração da torcida. São jogadores que podem pode melhorar o time e ajudar o Flamengo a pelo menos honrar seus patrocínios milionários e manter o clube na já conhecida posição entre 10º e 15º lugar.

Uma revisão é necessária. Manter um time de protegidos e que não rende não vai funcionar. Nestas horas, um certo quê de Van Gaal falta ao técnico e a toda comissão: ousadia e análise ferrenha diante de um banco fraco e jogadores-incógnitas. Quem, dos flamenguistas, não queria que Ney Franco ou qualquer outro fosse um pouco Van Gaal? Infelizmente, é uma realidade distante.

Parece que o Flamengo e seu relacionamento muito próximo com a zona de rebaixamento saiu do finalmente e agora o time caiu de vez em amores pela difamada, deixando as mágoas de 2009 para o lado. Seria este o lugar de honra de atual elenco?

Que a esperança não acabe.

Foto da capa: Alexandre Vidal

Comentários

Estudante, catarinense e apaixonado por futebol. Torcedor por hobby do Tottenham e grande apreciador da garra e classe do futebol europeu.