Quem quer ser herói?

  • por Henrique Joncew
  • 6 Anos atrás
Enxame argentino: a Albiceleste está na final da Copa (Fonte: Fernando Pereira/PMSP).

Enxame argentino: a Albiceleste está na final da Copa (Fonte: Fernando Pereira/PMSP).

Holanda e Argentina não fizeram uma partida memorável para quem assistiu. O jogo ficou preso entre as intermediárias e as chances, quando apareceram, foram perdidas.

A Holanda foi melhor, ainda que discretamente. Quando a Oranje geria a bola, envolvia mais a defesa argentina, mas, pela segunda vez seguida, passou em branco na Copa. A Argentina praticamente não agrediu, e o jogo se arrastou.

Na verdade, a partida pedia, implorava, rogava escandalosamente para que Messi ou Robben decidisse. O careca inclusive herdou de Van Persie a faixa de capitão holandês. Foi um símbolo do futebol, como que dizendo: “acordem! Esse jogo é de vocês”.

Messi tenta se livrar de Vlaar, Robben vacila diante de Mascherano (Fonte: Daily Mail)

Messi tenta se livrar de Vlaar, Robben vacila diante de Mascherano (Fonte: Daily Mail).

Mas não adiantou. Messi, afogado pela defesa holandesa, até teve uma chance em cobrança de falta, defendida com segurança por Cillessen, e, em um relâmpago de sua genialidade, achou um modo de passar em velocidade pelos adversários e cruzar na medida para Maxi Rodríguez, livre, desempatar. Mas a finalização foi mascada e facilmente defendida pelo arqueiro batavo. Não, Messi, não era para ser outro. Tanto não era que a cavadinha de Maxi Rodríguez para Palacio foi ridiculamente desperdiçada pelo atacante de trancinha.

Robben cresceu durante a partida. Parecia que o Nederland atenderia ao pedido do jogo pelo gol de um craque. Não houve muitos dos famosos cortes para a esquerda, mas o camisa 11 ainda conseguiu criar seus espaços, chutando de longe ou, em belo lance, saindo de três defensores de uma vez, sem conseguir dar seguimento à jogada. Mas a melhor chance de Robben veio de um belo toque de calcanhar de Sneijder, que acordou para a Copa tarde demais. O craque holandês entrou livre na área, mas tentou ajeitar um pouco mais a bola, o suficiente para Mascherano negar-lhe a final da Copa. Ah, Robben! Era para chutar daquele jeito mesmo!

Diante da negativa dos craques em fazer história, sobrou à marca da cal dar o veredito. Nenhum dos dois comprometeu, acertando suas respectivas cobranças e deixando aos colegas a chance de brilhar.

E quem agarrou a chance e duas cobranças foi Romero. O goleiro argentino foi o herói da classificação.

Romero, o heroi, e Maxi, autor da cobrança final, comemoram a classificação (Fonte: Japan Times).

Maxi, autor da cobrança final, celebra com o herói Romero a vitória (Fonte: Japan Times).

Não haverá o esperado título épico holandês, despachando os três algozes dos vice-campeonatos. Será a vez do tira-teima entre a Argentina e a Alemanha, que se enfrentaram duas vezes em finais de Copas consecutivas, com uma vitória para cada lado (1986 para a Albiceleste e 1990 para a Nationalelf). Inclusive, será o sétimo confronto entre as equipes em Mundiais, empatando com Brasil x Suécia como o jogo mais recorrente da história da competição, mas com muito mais relevância, se considerada a importância das partidas.

Pelo jogo, talvez tenha sido injusto. Mas, pela história, chegou a hora de uma desforra 24 anos atrasada. No futebol, até a injustiça é justa.

Salvo pelos colegas, o apagado Messi terá chance de fazer história dentro do Maracanã (Fonte: Daily Mail).

Salvo pelos colegas, o apagado Messi chora de alegria. O camisa 10 poderá fazer história dentro do Maracanã (Fonte: Daily Mail).

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Geólogo. Fã de futebol, Fórmula 1, paleontologia, astronomia e pirataria desde criança. Belo horizontino, cruzeirense e líbero, armador ou atacante canhoto. Tem Zidane e Velociraptor como grandes ídolos e modelos de vida. Gosta de batata frita, do espaço e de combater o crime à noite sob o disfarce de Escorpião Negro.