Raio-X de Maicosuel

#453881448 / gettyimages.com I Maicosuel chegou ao Galo buscando recuperar sua carreira

Por O Futebólogo

Única novidade do Atlético para a sequência do ano, que contará com a disputa do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil, e da Recopa Sul-americana, o meia Maicosuel voltará ao Brasil, onde, apesar de ter atuado por Paraná, Cruzeiro, Palmeiras e Botafogo, só foi feliz no clube paranaense e no carioca. Após se comprometer com o Galo, a Udinese, ex-clube do jogador, recusou propostas mais vultuosas de Napoli, Hellas Verona e do futebol árabe pelo jogador de 28 anos.

Início de Carreira

Apesar de ter passado pela base do Guarani e do Independente, de Limeira, Maicosuel só apareceu para o futebol no Atlético Sorocaba, entre 2004 e 2005. Neste ano, acertou com o Paraná Clube e ajudou-o a fazer uma bela campanha no Campeonato Brasileiro. Na companhia de nomes que se tornariam importantes no futebol brasileiro, como o do lateral direito Neto, do meia Thiago Neves e dos atacantes Wellington Paulista e Borges, o jovem, então com 19 anos, apareceu.

Na sequência, o talentoso meia começou uma trajetória, inicialmente, ascendente. Em 2006, já afirmado como titular, entrou para a história paranista. Pela primeira vez, o Tricolor da Vila se classificou para a Copa Libertadores da América e Maicosuel, um dos protagonistas da campanha deixou o clube. Em um negócio inusitado, Cruzeiro e Flamengo acertaram uma parceria pela contratação do meio-campo. Em 2007, o jogador defenderia o clube celeste, já em 2008, o rubro-negro. Foi aí que sua carreira sofreu a primeira turbulência.

Sem ter um bom desempenho, o meia foi pouco utilizado no Cruzeiro – onde só é lembrado por um belíssimo gol contra o Palmeiras –, e o Flamengo descumpriu sua parte do acordo e, no fim das contas, em meados de 2008, a Traffic, grupo de investidores, adquiriu Maicosuel e o colocou no Palmeiras, onde, apesar de constantemente elogiado nos treinos por Vanderlei Luxemburgo, também não se deu bem. Com a concorrência de Jorge Valdívia (que, em pouco tempo, deixaria o clube), Diego Souza, Léo Lima, Deyvid Sacconi e Evandro, não encontrou seu espaço e ao final do ano rumou para o Botafogo, onde sua carreira voltaria a subir.

[youtube id=”2bjYsp_smXo” width=”620″ height=”360″]

Explosão no Botafogo e oportunidade na Alemanha

No clube carioca, Maicosuel viu seu futebol, enfim, amadurecer. Já não era o garoto promissor do Paraná, nem, tampouco, a promessa fracassada de Cruzeiro e Palmeiras. Estava mais pronto e fez um belíssimo Campeonato Carioca. Apesar de vice-campeão, o ainda jovem jogador, foi eleito o craque da competição, além de ter sido o artilheiro, com 12 gols.

Logo após, como não detinha os direitos sobre o jogador, o Botafogo nada pôde fazer e, por R$ 12,8 milhões o craque do time rumou para o emergente Hoffenheim, da Alemanha, onde faria companhia ao meia Carlos Eduardo, ao volante Luiz Gustavo (atual titular da Seleção Brasileira), ao zagueiro Fabrício e ao centroavante Wellington. Ainda que promissor, o futuro de Maicosuel não foi dos mais agradáveis. Apesar das muitas chances, tendo entrado em campo em 27 das 34 partidas do clube na Bundesliga (17 delas como titular), marcou apenas três gols e proveu cinco assistências. Ao todo, representou o clube alemão 31 vezes, balançando as redes em cinco oportunidades. Precisava, e iria, voltar para o Botafogo.

Recomeço, lesão e mudança para a Itália

Após uma temporada, Maicosuel retornou em definitivo para o Botafogo. Aclamado, reestreou contra o Vitória, em boa partida de Jóbson. Ao todo, fez 13 jogos no Brasileirão de 2010, marcando dois gols. Contudo, sofreu novo e penoso revés em sua carreira. Em clássico contra o Vasco da Gama, sofreu uma gravíssima lesão, que o tirou dos campos por quase oito meses. No retorno, com oito quilos de massa muscular a mais, o garoto franzino dera lugar a um atleta mais forte.

Apesar de nunca ter retomado a fantástica forma do início de 2009, Maicosuel viveu mais momentos bons do que ruins em sua trajetória trienal pelo Botafogo. Em meados de 2012, curiosamente quando não vivia um bom momento na Estrela Solitária, foi vendido à Udinese, onde viveria nova frustração na Europa. Após um início horrível, perdendo uma pênalti vital para o avanço da equipe na UEFA Champions League (batendo de cavadinha), foi excluído da equipe que disputou a Europa League.

Passando a maior parte do tempo no banco, Maicosuel viveu maus momentos na Itália

Passando a maior parte do tempo no banco, Maicosuel viveu maus momentos na Itália

Sem nunca ter conseguido se firmar na titularidade, disputou 47 partidas, marcou quatro gols e deu seis assistências. Seu futebol não foi tão fraco quanto na passagem pela Alemanha, contudo uma relação que começou errado não poderia dar certo. Antes da Copa deste ano, fechou com o Atlético Mineiro, onde revelou estar ansioso para atuar ao lado de Ronaldinho Gaúcho:

“É uma alegria muito grande poder jogar ao lado dele, conviver com ele. É um ídolo do esporte, um craque e atuar junto é a certeza de que meu futebol também vai crescer”

[youtube id=”pH5O4C3lJeg” width=”620″ height=”360″]

Posicionamento

Jogador de grande mobilidade, Maicosuel tem facilidade para atuar em toda a faixa do meio-campo ofensivo, mas demonstra uma preferência pelo centro do campo e pela faixa direita. Curiosamente, na última temporada na equipe de Udine, o brasileiro atuou, na maior parte dos jogos, em uma função diferente daquelas que desempenhou no Brasil, mais avançado, como um segundo atacante. Em outras partidas foi opção pelo centro do meio-campo também. Pelo Botafogo e pelo Hoffenheim foi testado em diversas funções, tanto pelo centro quanto pelas pontas, sempre com muita velocidade.

No Atlético, que já possui Ronaldinho como meia cerebral, a tendência é que Maicosuel atue pelos lados. Como Diego Tardelli também tem facilidade para se mover no campo, é provável que os jogadores se alternem durante as partidas, mas a opção que faria mais sentido seria a de Diego Tardelli pela esquerda – flanco que já disse ser sua preferência, mas que, em seu retorno ao Galo, era ocupado por Bernard – e Maicosuel pela direita. Assim, o ataque ficaria mais equilibrado, uma vez que Tardelli poderia ser mais incisivo pela faixa canhota, com Maicosuel construindo o jogo pelo outro lado e permitindo os avanços do lateral Marcos Rocha.

Entretanto, outra possibilidade poderá ser explorada pelo Galo. Com Maicosuel no time, Ronaldinho pode ganhar companhia no meio-campo, com o consequente deslocamento de Tardelli para o ataque. Nesse esquema tanto R10, quanto Jô (ou eventualmente André) ganhariam companhia, o que poderia ser benéfico para sua forma.

1042240_C_Atletico_Mineiro-horz1
A – Escalado pelo flanco direito do meio-campo, Maicosuel dialoga com Ronaldinho e permite os avanços de Marcos Rocha.
B – Sem pontas, os flancos ficam desprotegidos na recomposição, mas R10 e Jô ganham companhia, podendo melhorar seu desempenho.
C – Com Maicosuel, teoricamente, pela esquerda a tendência é uma troca constante de posições entre ele e Diego Tardelli.

Sob a batuta de Levir Culpi e entrando em uma equipe cuja base, apesar de não viver grande momento, é sólida, Maicosuel pode, independentemente do posicionamento, reencontrar sua forma, dando muitas alegrias para o torcedor alvinegro.

Comentários

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.