Recopa Sul-Americana: Atlético x Lanús

Foto: Reprodução

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Por O Futebólogo 

Nas duas próximas quartas-feiras (16, na Argentina, e 23, no Brasil), Atlético Mineiro, atual campeão da Copa Libertadores, e Club Lanús, atual campeão da Copa Sul-americana, se enfrentarão na briga pelo título d
a Recopa Sul-americana, torneio criado em 1989, disputado até 1998, extinto, e recriado em 2003.

A princípio, a disputa acontecia entre o campeão da Copa Libertadores e o vencedor da Supercopa, torneio abolido, que era disputado pelos clubes que detinham, ao menos, um título da Copa Libertadores. A partir de 2003, contudo, o torneio foi retomado, mas, neste turno, sendo disputado entre os campeões da Libertadores e da Copa Sul-americana.

Histórico brasileiro

Ao todo, seis clubes brasileiros já venceram a competição. O primeiro título veio em 1993, quando, após dois empates sem gols, o São Paulo bateu o Cruzeiro nos pênaltis. No ano seguinte, o clube paulista foi bicampeão, batendo o Botafogo (exclusivamente nesta edição, como o São Paulo era o campeão da Libertadores e da Supercopa, o clube carioca, campeão da Copa Conmebol, foi convidado). A glória voltaria ao Brasil em 1996, com goleada do Grêmio sobre o Independiente (4×1) e, dois anos depois, seria a vez do Cruzeiro levantar o troféu, depois de, com autoridade, bater o River Plate. 5×0, no placar agregado.

Após a parada e a mudança de regulamento, o Brasil voltaria ao pódio em 2007, ocasião em que o Internacional enfrentou o Pachuca, do México. Quatro anos depois, o Colorado venceria novamente o título, desta vez, contra o Independiente. Por fim, nos últimos dois anos, o título permaneceu em terras verde-amarelas. Primeiro com o Santos (2×0, no agregado, contra a Universidad de Chile) e após com o Corinthians (4×1, placar total, contra o São Paulo).

Foto: Estadão - Em 2013, Danilo levantou o troféu corintiano

Foto: Estadão – Em 2013, Danilo levantou o troféu corintiano


O que esperar do Lanús?

Treinado pelo ex-atacante do Boca Juniors e da Seleção Argentina, Guillermo Barros Schelotto, o Lanús fez razoável campanha na corrente edição da Copa Libertadores, sendo eliminado pelo Bolívar nas quartas-de-final. Contudo, diferentemente das últimas duas edições, o clube não repetiu as boas campanhas no Campeonato Argentino. Terceiro colocado no Torneio Final de 2013 e segundo no Torneio Inicial 2013, o clube foi, apenas, o nono colocado no Torneio Final 2014.

Durante a maior parte dos jogos, a equipe Granate atuou em um esquema tático conservador, mas consistente. A priori, a equipe praticou um 4-1-4-1, com a tradicional composição de quatro defensores, com um volante à frente (Leandro Somoza), dois meio-campistas mais centralizados e dois mais abertos, com o conhecido El Tanque, Santiago Silva, isolado no ataque. Por vezes, durante o jogo, esse esquema se remodela em um 4-3-3 ou 4-5-1.

Detentor de boa circulação da bola, o clube sofre, todavia, com a perda de peças vitais. Capitão e figura chave no título da Copa Sul-americana (marcando um gol no jogo de ida), o zagueiro Paolo Goltz, mudou-se para o América do México. Seu companheiro de zaga, Carlos Izquierdoz, também deixou o clube, rumando para o Santos Laguna. Para o setor, o principal reforço do clube foi Diego Braghieri, ex-Arsenal de Sarandí e responsável por um carrinho criminoso na canela de Ronaldinho Gaúcho na última edição da Copa Libertadores.

Foto: Reprodução - Ex-Arsenal, Braghieri, que deu entrada dura em R10 é reforço do Lanús

Foto: Reprodução – Ex-Arsenal, Braghieri, que deu entrada dura em R10 é reforço do Lanús


Como não poderia ser diferente, há ansiedade por parte do clube para a disputa da Recopa, como transpareceu o atacante Santiago Silva, em entrevista concedida ao Diario Olé: “Vamos sentindo a adrenalina de disputar uma final. Não há como esquecer que isso é graças ao que conquistamos antes. Estamos muito focados.”

Nos últimos dias, o Lanús realizou dois amistosos contra o San Lorenzo, um empate (1×1) e uma derroa (2×0), e a tendência é a repetição da equipe usada nestes jogos. Foram à campo: Marchesín; Araújo, Gómez, Braghieri, Velásquez; Somoza; Gonzalez, Ayala; Lucas Melano, Santiago Silva e Oscar Benítez.

Foto: Estado de Minas - Em 1997, Atlético e Lanús disputaram a final da Copa Conmebol, com vitória do Galo

Foto: Estado de Minas – Em 1997, Atlético e Lanús disputaram a final da Copa Conmebol, com vitória do Galo

Como deve jogar o Atlético?

Depois de fazer boa parte de sua pré-temporada na China, os comandados de Levir Culpi, que agora treinam no Centro de Treinamentos da Federação Argentina (AFA), estão praticamente definidos. De volta da Seleção Brasileira, o goleiro Victor reassume a meta alvinegra e a tendência é que Jô também retome a posição de André.

Na lateral direita, recuperado de lesão, Marcos Rocha está de volta. O único problema do Atlético é na zaga. Lesionados, Réver e Edcarlos estão fora. Ainda em recuperação física, Emerson também é desfalque. Com esse quadro, o setor deverá ser formado por Leonardo Silva e pelo jovem Jemerson. Pierre e Leandro Donizete formarão a já conhecida dupla de volantes e à frente Diego Tardelli e Ronaldinho também jogam. Novidade é só a estreia de Maicosuel, recém-contratado junto à Udinese, que ocupará o posto deixado por Fernandinho, que se transferiu para o Grêmio. O Galo deve ir à campo assim: Victor; Marcos Rocha, L. Silva, Jemerson, E. Conceição; Pierre, L. Donizete; Diego Tardelli, Ronaldinho, Maicosuel; Jô (André).

Foto: Estadão - Reforço, Maicosuel é novidade no Galo

Foto: Estadão – Reforço, Maicosuel é novidade no Galo

Perguntado, em entrevista ao Superesportes, sobre o que o Atlético tem que fazer para sair com a vitória no jogo de ida, o goleiro Victor falou: “Temos de estar focados em jogar, decidir contra o Lanús. Temos de seguir o que o Levir está pedindo. Não podemos ligar para a catimba. Não podemos cair nela. Será, sim, mais um confronto entre Brasil e Argentina, que será sempre um atrativo a mais. A rivalidade sempre existiu. E tem um detalhe que me preocupa, o fato da bola ser diferente. Vou ficar com ela o máximo. Se possível, dormir com ela.”

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.