Edgardo Bauza, o homem que gosta de desafios

  • por Gustavo Ribeiro
  • 7 Anos atrás
Foto: Fox Sports - Edgardo Bauza

Foto: Fox Sports – Edgardo Bauza

Em janeiro, Edgardo Bauza era anunciado como novo técnico do San Lorenzo. Sua missão era substituir Antonio Pizzi, que conduziu o time à conquista do Torneo Inicial em 2013, título que não conquistava desde 2007. Além da pressão de pegar a base de uma equipe campeã, Bauza ganhava a missão de levá-la ao inédito título da Copa Libertadores. E conseguiu, repetindo o feito de quando comandava a LDU em 2008 e, também de forma inédita, levou o time equatoriano ao título do maior torneio do continente.

Com essa proeza, Bauza entrou numa seleta lista de técnicos que já conquistaram a América por duas equipes diferentes: Carlos Bianchi (Vélez e Boca Juniors), Felipão (Grêmio e Palmeiras) e Paulo Autuori (Cruzeiro e São Paulo). Mas Bauza tem um diferencial: foi o único que ganhou o título por dois clubes de países distintos e o primeiro a levar os dois clubes às suas primeiras conquistas.

Bauza é um homem que gosta de desafios. Muitas vezes, o valor do salário não é o mais importante na hora de escolher um time para treinar, mas sim o projeto e o respaldo que o clube oferece para fazer o trabalho de seu jeito – coisas que San Lorenzo e LDU ofertaram.

Quando chegou ao Equador em 2006, Bauza pegou um time que não passava das quartas de final da Libertadores. Antes disso, já tinha treinado Vélez Sársfield, Colón e Sporting Cristal, mas sem grande sucesso. Em 2007, disputando sua primeira competição internacional com a LDU, foi eliminado na fase de grupos, mas teve o apoio da diretoria e se manteve no cargo. Um ano depois, protagonizou o Maracanazo, vencendo o Fluminense nos pênaltis e ficando com a taça. Antes disso, nas oitavas de final, a LDU de Bauza eliminou o San Lorenzo nas quartas de final.

Par se ter ideia do tamanho do feito de Bauza com o modesto time daquela LDU em 2008, aquela foi a primeira e única fez que um time equatoriano chegou a uma final de Copa Libertadores. Nunca mais, depois disso, uma equipe equatoriana se quer chegou perto de repetir a façanha.

Foto: lared - Bauza nos seus tempos de LDU

Foto: lared – Bauza nos seus tempos de LDU

Edgardo Bauza fez da LDU uma quase potência do futebol sul-americano, conquistando, além da Libertadores de 2008, a Recopa de 2010. O futebol apresentado por aquela LDU não era um dos mais agradáveis. Jogando no 3-5-2, o time se destacava pela imposição física, alas bem incisivos e recomposição defensiva rápida.

Mas não é de agora que Bauza se destaca na maior competição do continente. Em 2001, quando comandava o Rosario Central, conseguiu a proeza de levar o time às semifinais da Libertadores, sendo eliminado apenas na disputa de pênaltis pelo Cruz Azul, do México. Não foi um título, mas não tem como negar que é um enorme feito levar o Rosario Central longe num torneio continental como a Libertadores.

Já no San lorenzo, seus primeiros jogos no comando não foram muito animadores. Prova disso foram os 2×0 contra o Olimpo pelo Torneo Final e o 3×0 contra o Botafogo pela fase de grupos da Libertadores. Os jogadores mostravam dificuldades em assimilar a filosofia de jogo do novo treinador, que prezava mais pela cautela se comparado ao seu antecessor Antonio Pizzi, adepto do futebol de toques curtos e velocidade, sempre priorizando o ataque.

Talvez o estilo mais defensivo que Bauza adota na maioria de seus times tenha a ver com seu passado, quando atuava como zagueiro. Começou a carreira e se destacou defendendo o Rosario Central, pelo qual, mesmo jogando na defesa, brilhava também com gols marcados. Como jogador, ainda defendeu o Junior Barranquilla e Independiente.

No San Lorenzo, os resultados demoraram, mas começaram a aparecer e, aos poucos, o futebol também. O time conseguiu avançar às oitavas de final da Libertadores pelo saldo de gols e com uma das piores campanhas da fase de grupos.

Mas passar da fase de grupos era apenas uma parte do desafio. Para o San Lorenzo, ou Club Atlético Sin Libertadores de América segundo os rivais, o que interessava era o título. Para isso, o time do Papa teve que passar nas oitavas de final pelo Grêmio, um dos melhores times da fase de grupos. Bauza reconheceu a superioridade técnica do rival e, no seu melhor estilo, soube jogar aproveitando seus erros, principalmente no jogo da volta. Venceu a primeira partida por 1×0, perdeu a segunda pelo mesmo placar e classificou a equipe nos pênaltis

O 4-2-3-1 já era o esquema do time que, dependendo do jogo, poderia variar para um 4-4-2 ou até para uma formação com três zagueiros. Nas quartas, a equipe passou pelo então favorito ao título Cruzeiro, após vencer no Nuevo Gasómetro por 1×0 e segurar um empate no Mineirão.

Um dos méritos de Bauza foi a forma de conduzir o elenco, sabendo mesclar a juventude e a experiência. El Patón, como também é conhecido, conseguiu passar confiança para os jovens Correa, Navarro, Elizari, Kannemann e Villalba e aos experientes Romagnoli, Ortigoza e Matos.

Mesmo avançando de fases e chegando cada vez mais próximo ao objetivo, Bauza teve que procurar soluções para problemas inesperados. O primeiro foi arrumar um substituto para Ángel Correa, que, durante a Copa do Mundo, teve que fazer uma cirurgia no coração e ficou de fora do resto da competição. Outra perda foi o zagueiro Valdés, que não se apresentou depois da Copa, discutiu com a diretoria e foi desligado do clube.

Para a final, Bauza não pôde contar com Piatti, um dos destaques do time desde a conquista do Torneo Inicial, já negociado com o Montreal Impact, do Canadá. Ainda assim, o argentino manteve suas convicções e não se deixou abater para conquistar o terceiro título internacional de sua carreira.

Comentários

Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.