A Legião Estrangeira

  • por Doentes por Futebol
  • 6 Anos atrás

Por Nilton Plum

“Qual é o seu nome? ” “Meu nome é Legião“, respondeu ele, “porque somos muitos” – Marcos 5-9

Reza a lenda que a Legião Estrangeira, grupo militar francês que aceita alistamento de soldados de diversas nacionalidades, abriga em suas fileiras assassinos, ladrões e gente da pior espécie. Isso se mitificou devido a uma prática curiosa; a Legião permite ao seu soldado criar uma nova identidade, abandonando sua “velha vida”. Desta maneira, o indivíduo renasceria dentro da corporação. Algo pronto a ser remodelado. Revivido.

O Flamengo hoje, em sua vitória por 2 a 0, em Santa Catarina, diante do Criciúma (um time que parece uma colcha de retalhos com Fábio Ferreira, Paulo Baier, Cortez, Cléber Santana, Souza…), jogou sua melhor partida sob o comando de Luxemburgo. Talvez tenha sido a melhor do campeonato até agora. Dentro de campo, 4 estrangeiros são responsáveis diretos pelo bom momento. Cáceres, Canteros, Mugni e Eduardo. Um paraguaio, dois argentinos e um croata de Vila Kennedy. Lembro de ter visto dois estrangeiros jogarem muito bem com a camisa do Flamengo. Forjarem novas identidades. Reviverem. Petkovic e Maldonado. Mas sei que antes deles existiram outros que deram certo… Bria, Doval, Valido, Filliol…

Se observarmos as duas sinceras entrevistas de Elano e Carlos Eduardo pós-Flamengo, perceberemos a dificuldade que é para um jogador que não se adapta à Gávea e suas idiossincrasias atuar no clube carioca. O primeiro comparou euforia/crise rubro-negra à seleção, o segundo disse que a pressão é tão grande, tão grande, que talvez um dia ninguém queira mais jogar por lá. Errou rude, o Carlos Eduardo. Há quem se aliste na Legião Estrangeira!!! Por que não no Flamengo?

É interessante reparar que os 4 estrangeiros supra-citados têm perspectivas diferentes em relação ao Flamengo. Cáceres procura se firmar depois de contusões em série. Tinha uma realidade consolidada em seu antigo clube e veio pra uma totalmente diferente no Brasil. Canteros é craque. Foi no Velez, na seleção argentina, no Villarreal. Procura vitrine e exposição. Mugni é jovem, voluntarioso, por vezes impetuoso; uma promessa. Eduardo é a síntese da Legião. Viveu glórias na Europa, adquiriu outra nacionalidade, teve uma contusão fatal e um recomeço difícil. Procura uma vida nova, outra identidade em pronto-emprego.

E ainda tem o Erazo…

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