Advogado do Diabo

  • por Nilton Plum
  • 7 Anos atrás

“Enquanto Freud explica as coisas o Diabo fica dando os toques…”

Peter Siemsen é advogado. Preside o Fluminense que tem por diretor de futebol um… advogado. É natural que o Fluminense atual sintetize em seu corpus a essência da retórica discursiva. Em meio a protestos durante a semana, alguns mais exaltados, o principal jogador tricolor ensaiou sua defesa. No discurso, e não é a primeira vez que faz isso, Fred argumentou, se defendeu, citou e até ameaçou. Na prática, sua atuação na goleada de 4×0 imposta ao inconstante Sport, domingo no Maracanã, valeu mais do que qualquer teoria discursiva. Ao fim, foi sintomático: “Não sou caneludo”. Há tempos que digo que o Fluminense é um clube em negação…

Porém, coube a Siemsen a argumentação fatal. Após a convincente e justa vitória tricolor, ele criticou a tal “crise fabricada”. Ora, havia crise de fato: o time não jogava bem, existem relatos de problemas internos, a torcida protestou, alguns se excederam, nomes foram citados e os resultados não vinham. Crise precipitada, a meu ver, exagerada talvez, aumentada até, mas nunca fabricada. A declaração do mandatário coloca um eufemismo na recente situação tricolor com mais habilidade do que um passe do Conca.

O vexame recente da eliminação por goleada pelo América de Natal magoou o planejamento do clube. Isso é mais do que comum e previsível. Mostrou fraquezas e defeitos com que o Fluminense se debate em relutância há pelo menos 6 anos. Mais do que os resultados negativos, a exposição, o escancaramento, fatores que não fazem parte do cotidiano tricolor, pois não é um clube de massa, instauraram uma crise meio que hipocondríaca nas Laranjeiras.

O Fluminense tem o mesmo número de vitórias do São Paulo, atual segundo colocado no campeonato brasileiro. Tirando o Cruzeiro, a oscilação e a inconstância fazem parte da competição, são o seu resumo. Entretanto, é curioso perceber que a mesma imprensa que samba no caixão de Fluminense, Botafogo, Corinthians, Palmeiras ou qualquer outro clube que esteja de cabeça para baixo na montanha russa do Brasileirão faz um hipócrita mea culpa após o time retornar a uma estabilidade que pode vir a ser efêmera. Sendo o futebol um dos esportes mais aleatórios que existe, deveria a análise esportiva, o pensamento, a reflexão dos envolvidos nele, dentro e fora da imprensa, se submeter aos caprichos de tamanha aleatoriedade?

Aguardemos o que o campeonato ainda tem para oferecer em rodadas próximas. Corinthians x Fluminense, Fluminense x Cruzeiro. Vejamos até onde vão os toques do Diabo e as explicações de Freud.

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