Bayern: Oportunismo, inteligência e pés no chão

  • por Doentes por Futebol
  • 6 Anos atrás
Bongarts/Getty Images

Bongarts/Getty Images

Por Lucas Machado

Que o futebol é um balcão de negócios, ninguém duvida ou ousa contestar. A cada temporada, fica mais evidente a preocupação dos clubes com a relação custo-benefício. Jogadores sem contrato ou com contrato com um ano ou menos para se encerrar sempre são opções baratas e viáveis num mercado tão dinâmico e concorrido.

Com a entrada de sheiks e grandes investidores no futebol europeu, como Roman Abramovich no Chelsea, Nasser Al-Ghanim Khelaïfi no PSG, Dmitry Rybolovlev no Monaco, entre outros, o mercado de transferência viu o preço de jogadores inflacionar. Se antes as negociações eram feitas em dólares, com o decorrer do tempo passaram para euros, até chegarem às libras esterlinas. Com valores exorbitantes nas transferências e a disputa cada vez mais injusta no mercado, alguns clubes fora da rota de grandes milionários procuraram com inteligência, sabedoria e conhecimento de mercado, outras alternativas. E no mercado atual, ninguém fez isso melhor que o Bayern de Munique, do técnico Pep Guardiola.

Em toda janela de transferência, é normal perder e adquirir novos jogadores. E é exatamente neste quesito que o Bayern soube se planejar e agir com eficiência. No âmbito das saídas, foram duas perdas. Mario Mandžukić, que se transferiu para o Atlético de Madrid por 22 milhões de euros, e Toni Kroos, um dos principais jogadores da Copa do Mundo do Brasil, que se transferiu para o Real Madrid por uma bagatela de 30 milhões de euros. Ao todo, com essas duas saídas, os bávaros arrecadaram 52 milhões de euros, com um jogador que estava perdendo espaço no esquema montado por Guardiola (Mandžukić) e outro que estava com somente mais um ano de contrato e já havia recusado algumas propostas de renovação (Kroos).

Cinquenta e dois milhões de euros na mesa e muita inteligência. Com a fama justa de maior clube da Alemanha e tendo ao seu favor o desejo de muitos jogadores de trabalharem com Pep Guardiola, o Bayern foi ao mercado nacional e conseguiu duas excelentes contratações a custo zero. Chegaram dessa forma Robert Lewandowski, vindo do rival Borussia Dortmund, e o meia Sebastian Rode, do Eintracht Frankfurt. Precisando de reposição para o goleiro Manuel Neuer e o lateral esquerdo David Alaba, Guardiola buscou em seus compatriotas a solução. Para a reserva de Neuer, trouxe Pepe Reina junto ao Liverpool, por 3 milhões de euros, e para a lateral esquerda, buscou o jovem e promissor Juan Bernat, de apenas 21 anos, junto ao Valência, por 10 milhões de euros.

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Em função do agravamento da lesão do meia Thiago Alcantara e a lesão inesperada de Javi Martinez, que exercia dupla função em campo atuando tanto como zagueiro como volante, Guardiola voltou ao mercado e deu dois tiros certeiros. Para a defesa, buscou um dos melhores zagueiros mundiais do momento, Mehdi Benatia, que chegou da Roma por um custo de 30 milhões de euros, e, para o meio, contratou o incontestável Xabi Alonso do Real Madrid por 8 milhões de euros.

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Somando as contratações feitas pelos bávaros no mercado (Reina, Bernat, Rode, Lewandowski, Benatia e Xabi Alonso), chegamos ao valor de 51 milhões de euros. Diminuindo o valor gasto com o arrecadado com as vendas de Mandzukic e Kroos, que juntas totalizaram 52 milhões de euros, temos um lucro no mercado atual de 1 milhão de euros. Ou seja, o Bayer trouxe peças de reposição para posições que não tinha na temporada passada e ainda qualificou posições que, em função de lesões momentâneas, tornaram-se necessárias. Além disso, incorporou ao elenco jovens promissores e com potencial de crescimento (Bernat e Rode), um dos melhores zagueiros do mundo (Benatia), um volante que foi um dos maiores responsáveis pelo décimo título de Liga dos Campeões do Real Madrid (Xabi Alonso) e um atacante com características ideais para as ideias de jogo de Guardiola, além da qualidade técnica e de fazer gols indiscutíveis (Lewandowski).

Enquanto o PSG gastou apenas na contratação do zagueiro David Luiz 55 milhões de euros, e o Manchester United, 70 milhões de euros no meia Di María, para nos apegarmos a apenas dois exemplos, o Bayern, em seis ótimas contratações, gastou 51 milhões de euros. Além disso, obteve um lucro de 1 milhão de euros na relação compra-venda.

Elenco forte, equilibrado e qualificado para disputar todos os títulos em pé de igualdade com qualquer adversário. Junte-se a isso, finanças equilibradas e sem riscos de punições do Fair Play Financeiro. Alguma dúvida que o Bayern é um exemplo de administração?

CONFIRA AS PRINCIPAIS OPÇÕES DO ELENCO MONTADO POR PEP GUARDIOLA:

Goleiros: Neuer; Reina
Zagueiros: Benatia, Dante, Boateng e Badstuber
Laterais: Lahm, Rafinha, Alaba e Bernat
Volantes e meias: Xabi Alonso, Javi Martinez, Gaudino, Schweinsteiger, Thiago Alcântara, Rode, Ribery e Gotze
Atacantes: Robben, Muller, Shaqiri, Pizarro, Lewandowski

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