Chile 2015 – A melhor Copa América e o novo futebol Americano

  • por Hugo Melo
  • 7 Anos atrás
Foto: Reprodução – Copa América 2015

Foto: Reprodução – Copa América 2015

O Chile irá sediar em 2015 uma das melhores edições de Copa América de todos os tempos. Deixando para trás o histórico “monopólio” do campeonato – que de suas quarenta e três edições teve trinta e sete títulos divididos entre os três grandes da América: Uruguai (quinze) Argentina (quatorze) e Brasil (oito) – a Copa América de 2015 trará um ar um tanto quanto europeu. Com um cenário onde pelo menos sete seleções têm chances claras de vitória e a grandeza histórica das seleções não conta muito (principalmente se levar em conta o fato de que a Inglaterra nunca levou para casa um título europeu). De forma semelhante ao que ocorre onde equipes como Rússia, Dinamarca e Grécia contribuem para o nível extremamente acirrado e surpreendente da disputa, aqui, como nunca antes, o campeão da Copa América de 2015 será imprevisível!

A canarinha, fragilizada após o fiasco da Copa do Mundo, passou por duas pedreiras em casa: dois vizinhos sul-americanos fortíssimos, e ainda viu sua maior rival chegar à final, num novo Maracanã que ainda não sentiu a seleção brasileira. O futebol moderno achatou as diferenças, a tecnologia de ponta está disponível a todos e o futebol é um fenômeno esportivo que contaminou o mundo de forma homogênea. Numa realidade onde Costa Rica fez bonito na Copa, e quase todos os americanos passaram para as oitavas, pode-se afirmar sem dúvidas que o futebol americano passa pelo seu momento áureo, uma reestruturação histórica e a formação de novas potências. Ruim para nós brasileiros que em 2015 disputaremos o título não só com nossos rivais históricos – a atual vice-campeã do mundo (Argentina de Leo Messi) e a celeste quarto lugar em 2010 (Uruguai de Luís Suarez) – mas também contra as novas potências da América:

Colômbia – (cinco participações em Copas do Mundo, campeã da Copa América de 2001)

Foto: AP Photo/Marcio Jose Sanchez - A febre amarela contaminou o Brasil em 2014

Foto: AP Photo/Marcio Jose Sanchez – A febre amarela contaminou o Brasil em 2014

Sem dúvida o grande fenômeno da copa do mundo de 2014, a seleção colombiana caiu lutando contra o time da casa. A febre amarela deu um show de futebol voltando a disputar a Copa do Mundo pela primeira vez desde 1998, quando amargou no 21º lugar. Os colombianos se classificaram com facilidade no grupo C, com 100% de aproveitamento, e chegaram ao quinto lugar da competição – a melhor colocação de sua seleção na história. Em grande parte graças à excelente geração colombiana que conta com o talento, entre outros jogadores, da jovem promessa do futebol mundial, James Rodrigues, e do também jovem meia Guillermo Cuadrado. James, recém contratado pelo Real Madrid, veio depois de boas temporadas no Porto e no Mônaco. Cotado como o sucessor de “El Pibe” Valderrama, o jovem foi o artilheiro da Copa com seis gols – sendo dois deles eleitos entre os três mais bonitos de toda a competição. O jogador fez parte da seleção do torneio e foi cotado por muitos como o melhor da Copa. Já Cuadrado, atual jogador do Fiorentina, é um jogador extremamente versátil, foi o líder de assistências da competição (com quatro passes para gol) e chegou a um acordo com o Barcelona para integrar o elenco Culè na temporada 2014-2015. A seleção colombiana chega ao Chile como uma das favoritas ao título.

Equador – (três participações em Copas do Mundo, quarto lugar da Copa América em 1959 e 1993)

Foto: Gabriel Bouys/AFP - Faltou pouco para os equatorianos fazerem história

Foto: Gabriel Bouys/AFP – Faltou pouco para os equatorianos fazerem história

Numa Copa marcada por americanos nas oitavas, Honduras e Equador acabam por ser as exceções. A ausência na fase seguinte, entretanto, não diminui o brilho da campanha da seleção equatoriana, que jogou sua primeira Copa do Mundo desde 2006. Integrando um dos grupos mais difíceis da copa, contra a reestruturada seleção francesa de Karin Benzema e a seleção Suíça, que liderou seu grupo nas classificações europeias. Ainda assim, a seleção do equador disputou a vaga até a última rodada, quando empatou com a França num dos melhores jogos da copa. O desempenho do grupo em grande parte deriva da qualidade de Antônio e Enner Valencia. Antônio é jogador do Manchester United, eleito jogador do ano da equipe na temporada 2011-12. E Enner, artilheiro da Copa Sul-americana em 2013, atual jogador do West Ham, que deixou três gols na Copa do Mundo.

Chile – (oito participações em Copas do Mundo, terceiro lugar em 1962, vice-campeã da Copa América de 55, 56, 79 e 87)

Foto: Paulo Vitale/VEJA - A melhor geração chilena fazer história em casa

Foto: Paulo Vitale/VEJA – A melhor geração chilena quer ganhar o título inédito em casa

Grande surpresa do grupo B da Copa, o Chile se classificou deixando para trás a campeã do mundo, a poderosa Espanha, derrotada por 2×0 num jogo dominado pelo Chile. Cotados por muitos como a melhor geração da história do país, os chilenos por muito pouco não desclassificaram o time da casa, alguns centímetros separaram o chute de Pinilla da glória (valendo inclusive uma tatuagem). A seleção chilena caiu nos pênaltis e agora traz para casa a possibilidade do inédito título de campeã das Américas. Na frente o talento de “el niño maravilla” Alexis Sanchez, ex-Barcelona, contratado por Arsené Wenger para solucionar o problema ofensivo de sua equipe. Campeão várias vezes pelo Barcelona, Sanchez ainda deixou dois tentos na Copa do Mundo. Ao lado de Alexis, a seleção chilena conta ainda com Eduardo Vargas, do Valencia, que balançou as redes uma vez, e a grande revelação chilena Charles Aránguiz. O meia do Inter já é sondado por grandes clubes europeus e foi peça fundamental no meio de campo chileno em 2014. Anotou um gol no jogo contra a Espanha.

A fórmula que soma uma grande geração com o fator casa pode resultar em título inédito para a seleção chilena em 2015.

México – (campeão da Copa das Confederações de 1999 e maior campeão da Concacaf, 15 participações em Copas do Mundo, chegando às quartas de final em 70 e 86)

Foto: Jamie Squire/Getty - O México combina solidez defensiva com velocidade no ataque

Foto: Jamie Squire/Getty – O México combina solidez defensiva com velocidade no ataque

Convidados para participar do torneio, os representantes da Concacaf e algozes da seleção brasileira nas últimas olimpíadas surpreenderam na Copa do Mundo. Bem representados por uma das torcidas mais apaixonadas do mundo, os mexicanos, apesar da classificação com dificuldade nas fáceis Eliminatórias da Concacaf, se classificaram bem no grupo A. Contando com uma defesa extremamente sólida e as grandes atuações do goleiro Ochoa (recém contratado pelo Málaga), os mexicanos seguraram a Seleção Canarinha em Fortaleza e ainda golearam a Croácia no Recife (um dos melhores jogos da copa). Os destaques mexicanos estão principalmente na área defensiva. O Goleiro Ochoa (um dos menos vazados de toda competição) e o experiente Rafael Marquez, que contribuía tanto ofensivamente quanto defensivamente (chegando a marcar uma vez contra a Croácia, de cabeça), concedem esta solidez defensiva à seleção mexicana. O time ainda conta com o talento de Giovani dos Santos, camisa 10 da equipe, o jogador do Villarreal ainda marcou uma vez na competição – um golaço contra a seleção holandesa (sem contar os dois mal-anulados contra Camarões). A seleção mexicana por muito pouco não deixou para trás a laranja mecânica, que garantiu a vaga nos minutos derradeiros da partida.

Foto: Damir Sagolj (Reuters) - Keylor Navas num salto para a história

Foto: Damir Sagolj (Reuters) – Keylor Navas num salto para a história

Menção honrosa, ainda, às seleções dos Estados Unidos e Costa rica, que não disputarão essa edição da Copa América, mas fizeram boas campanhas na Copa do Mundo e que apresentam uma evolução notável na qualidade do futebol apresentado. Seleções que em breve podem se firmar como grandes potências futebolísticas no cenário Americano.

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Estudante de jornalismo e direito, observa o futebol como algo infinitamente maior que um esporte, um fenômeno cultural ímpar dotado de poder para munir ditadores e revolucionários. E deste universo que transcende as quatro linhas do gramado tem o tricolor pernambucano como eterno companheiro nas desventuras futebolísticas.