Como Robinho chega ao Santos

  • por Tiago Lima Domingos
  • 5 Anos atrás

Nesta semana, Robinho acertou sua volta ao Santos Futebol Clube. Será a terceira passagem do “Menino da Vila”, que está emprestado até meados de 2015. A volta, é claro, deve ser muito comemorada. Robinho é um dos maiores ídolos da história recente do Santos. Ganhou dois Brasileiros, um Paulista e uma Copa do Brasil. Mais que isso, valores exorbitantes a parte, sempre deu mostras de que quando retornasse ao Brasil, escolheria o Santos. E assim fez pela segunda vez.

O mais importante nessa volta, e o que todo santista quer saber, é: como Robinho chegou ao Santos? Quantos jogos fez na última temporada? Quantos gols marcou? Quantas lesões o afastaram dos gramados? E é isso que falaremos abaixo.

Robinho chegou ao Milan na temporada 2010/2011, após fracassar no Manchester City. Inicialmente para compor o elenco, já que a dupla de ataque titular era Ibrahimovic e Alexandre Pato, o santista se aproveitou das seguidas lesões de Pato, e, com bom futebol, diga-se de passagem, tornou-se titular rapidamente. Foi aí que viveu seu melhor momento no rossonero. Não teve nenhuma lesão, foi titular 34 vezes nas 45 partidas que esteve em campo. Marcou 14 gols na Serie A, mesmo número de Pato e Ibra, atacantes de ofício. Foi peça importante no último título italiano conquistado pelo Milan.

A temporada 11/12 também foi boa, mas não tanto quanto a primeira. Robinho permanecia como titular, mas começava a apresentar algumas lesões. Foram duas naquela época, que o tiraram de 10 jogos da temporada. Foi a partir daí que o atacante começou a ser marcado pela torcida por perder gols incrivelmente fáceis, o que causava a fúria dos rossoneros. Entretanto, como ele ainda correspondia dentro de campo, isso “passava batido”

– Vídeo: Os gols mais incríveis perdidos por Robinho com a camisa do Milan

O início da temporada 12/13 foi também o início do enfraquecimento do Milan com as saídas de Thiago Silva e Ibrahimovic para o PSG. Robinho passou a ser um dos mais experientes de um elenco que se rejuvenescia. O atacante, que sempre teve o apoio do então treinador Massimiliano Allegri, começou a perder espaço, tanto por questões físicas quanto técnicas. Robinho viu El Shaarawy arrebentar nos primeiros seis meses, jogando justamente na faixa esquerda onde gosta de atuar. Com mais duas lesões, terminou a temporada jogando apenas 11 vezes como titular na Serie A.

A temporada 13/14 foi apenas a constatação da anterior: Robinho perdeu espaço no Milan. Fisicamente, acumulou mais lesões. O músculo da coxa era sempre problema, e o ombro passou a ser outro incômodo. Se clinicamente não esteve bem, tecnicamente menos ainda. Nem mesmo a ausência de um baleado El Shaarawy durante quase toda a época foi capaz de fazer Robinho um titular absoluto. Como nota importante, fez um bom jogo contra o Barcelona, em casa, pela fase de grupos da Liga dos Campeões. O brasileiro, diga-se de passagem, quase sempre corresponde em jogos grandes e não costuma se omitir.

A passagem de Robinho pelo Milan foi de mediana para boa. A última impressão acabou mascarando as duas temporadas de início, sobretudo a primeira. Os gols fáceis perdidos pelo atacante ficaram eternizados na memória do torcedor milanista, que viu com bons olhos sua saída, que também ocorreu devido ao seu alto salário, um dos maiores do clube. No geral, Robinho não fracassou no Milan, mas também não empolgou. O próprio enfraquecimento do rubro-negro de Milão contribuiu para sua queda.

Os números de Robinho nas temporadas de Milan:

Temporada 2010-2011

Jogos: 45 (34 como titular)

Gols: 15 (artilheiro do clube na Serie A ao lado de Pato e Ibrahimovic com 14 gols)

Lesões: 0

Temporada 2011-2012

Jogos: 40 (29 como titular)

Gols: 10

Lesões: 2

Temporada 2012-2013

Jogos: 27 (12 como titular)

Gols: 2 (menor marca na carreira em uma temporada completa em um time na Europa)

Lesões: 2

Temporada 2013-2014

Jogos: 32 (20 como titular)

Gols: 5

Lesões: 3

Total com a camisa do Milan:

Jogos: 144 (95 como titular)

Gols: 32

Opinião: Robinho, como todo jogador que retorna ao futebol brasileiro vindo da Europa, não vive seu melhor momento. Entretanto, no pobre cenário nacional, o atacante pode se tornar peça importante em um time bastante jovem, que carece (ia) de uma referência. Com quase 10 anos de Europa e duas Copas do Mundo, terá a responsabilidade de ser um líder dentro e fora de campo, o que tem tudo para conseguir isso, especialmente com o apoio da torcida. Tecnicamente, ainda tem futebol para se destacar aqui no Brasil – resta saber se os problemas físicos irão atrapalhá-lo. Uma volta ao país, e principalmente ao Santos, onde a paciência da torcida será muito maior, foi a melhor decisão que o atacante poderia ter tomado.

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.