Comprar Gedoz é obrigação!

  • por Fernando Carreteiro
  • 7 Anos atrás
Imagem: Divulgação/Defensor

Imagem: Divulgação/Defensor

Será que os dirigentes brasileiros viram a Libertadores? Pelo visto, não. Caso tivessem assistido mesmo, Felipe Gedoz já deveria estar no mínimo treinando em algum clube de porte no Brasil.

Pode parecer um pensamento simplista, e alguns, em um primeiro momento, vão dizer irrealista, já que o mundo real dos negócios do futebol não é como no Football Manager, porém, vamos pensar.

Felipe Gedoz tem apenas 21 anos, é brasileiro, se destacou na principal competição do continente – o grande desejo dos clubes brasileiros -, se adaptou com facilidade a uma cultura diferente, joga um excelente futebol, sabe fazer gols, sabe defender e tem ótima leitura do jogo. Não se precipita, sabe a hora de atacar, sabe a hora de cadenciar. Tem comprometimento tático. É especialista em bola parada. É um jogador que alia técnica e força: tem explosão e sabe usar o corpo para proteger a bola; com ela no pé, se precisar driblar um adversário no mano a mano, se sai bem. E se precisar chutar de longe, também costuma ter sucesso. Gedoz não treme em jogo decisivo (foi o melhor jogador do Defensor no principal jogo da temporada) e também já mostrou que não tem essa de “no futebol brasileiro a coisa seria diferente”. Destruiu o melhor time tupiniquim.

Veja lances de Felipe Gedoz com a camisa do Defensor:

Repito, tem apenas 21 anos. Agora pare e pense. Que brasileiro com essa idade tem esse currículo? Tente lembrar um que chegue perto. Esse é o ponto! Gedoz vale um investimento, vale um esforço a mais. Esforço esse que os dirigentes brasileiros fazem quando aparece um trintão chutado por algum clube de fora do país. E tem mais. É retorno financeiro praticamente garantido. Só com o DVD da Libertadores, Felipe tem mercado nos próximos três/quatro anos, no mínimo.

Os clubes brasileiros não sabem se portar como potências no seu próprio continente, como deveria ser devido à absurda superioridade de aporte financeiro que possuem comparados aos seus vizinhos. Aqui se gasta milhões em um brasileiro veterano, alguém com grife, alguém calejado. E o veterano pode até jogar muita bola, mas são milhões que nunca mais serão vistos. Já quando se investe em um jogador jovem, pode até ocorrer uma desvalorização se o futebol não sair como previsto, mas algum dinheiro se consegue depois. E se o veterano não der certo? Dirigentes deveriam ter isso na cabeça para investirem numa rede de scouting pela América do Sul, identificando verdadeiros talentos e minimizando riscos. É um mercado gigantesco e mal explorado. Mas isso é assunto que merece uma abordagem maior em outro momento.

O risco sempre existe com uma promessa, mas Felipe Gedoz não é apenas “mais uma promessa”. É um jogador testado, alguém que tem muito mais chance de vingar do que “flopar”. Não seria dinheiro jogado fora.

Os dirigentes, desde o início do ano, deveriam olhar para Gedoz como uma oportunidade única de mercado. A cada semana que se esperou, muitos euros foram acrescentados no preço do jogador. Por isso a cobrança: já deveria estar em algum time brasileiro. Deveria estar contratado faz tempo, aguardando apenas a eliminação da equipe uruguaia na Libertadores para a mudança definitiva de clube. Muito dinheiro em contratações já foi gasto nesse tempo todo em opções de mercado bem menos atrativas quando, salvo raras exceções, a prioridade deveria ser o meia-atacante do Defensor.

Me abraça, Brasil! | Foto: Divulgação/Defensor

Me abraça, Brasil! | Foto: Divulgação/Defensor

Como os cartolas não fizeram o dever de casa, ainda há tempo, mesmo com a valorização do atleta. Podem ter certeza: o preço hoje pode ser alto, mas não a ponto dos clubes brasileiros não poderem pagar. Argumentos para sustentar a afirmação:

  • O Defensor é uma equipe de certo modo pobre, de médio porte no combalido futebol uruguaio, o que garante que Gedoz tenha um contrato modesto e consequentemente uma multa pagável. Isso, claro, se o jogador pertencer ao clube.
  • Gedoz não é a principal promessa do time, não é a joia. Não é ele quem está na mira das principais rapinas. Isso deve-se à existência de Giorgio de Arrascaeta. Jogador talentosíssimo, camisa 10 do Defensor e da Celeste na base. Arrascaeta atrai as atenções, deixando que um pouco do potencial de Gedoz acabe ficando ofuscado. Isso reflete em um preço abaixo das principais promessas sul-americanas.
  • Os principais clubes europeus traçam seus alvos com antecedência. Com o Defensor participando da fase pós-Mundial da Libertadores, seus jogadores ficaram impossibilitados de participar da pré-temporada europeia. Ciente deste inconveniente, com certeza os jogadores dos 4 clubes semifinalistas não estão no primeiro plano de contratações dos grandes europeus, logo, não estão dentro de um orçamento, digamos, quase que infinito que procuram destinar aos principais alvos. Isso ocorreria apenas com um jogador extra-série. Os gigantes fora de um hipotético leilão criam mais um fator que reduz o preço.

A dica foi dada. Em tempos que se discute pagar mais de meio milhão mensais para Robinho e Nilmar, que se paga milhões e oferece bom contrato para Maicosuel e Fernandinho, comprar Felipe Gedoz é obrigação!

E para complementar. Um recado ao nosso amigo Alexandre Gallo:

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